segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Falácias de Alices (VI)

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A posse dos espaços físicos

Eu poderia detalhar quase ao insuportável este caso, mas me concentrarei numa linha de raciocínio sobre um caso que já tratei, que é a vendedora de flores.

Primeiramente, lembremos que todo espaço físico de nossas cidades, independente de sobre um lote de terra ter sido construído um arranha-céus de 100 andares, foi/é, pelo menos potencialmente, um espaço para a produção agrícola. Disto, nasce um óbvio dilema: toda construção humana, para a habitação, tira a terra produtível de (ou para) alguém. Mas é óbvio também que todos necessitam de teto.

Mas não enveredemos por estas minúcias, algumas das inúmeras incompatibilidades que surgem no econômico. Lembrando nossa vendedora de flores, consideremos que em determinado momento tenha somado tal reserva de lucros (aquilo que popularmente chamamos poupança), somente às custas de seu isolado suor, e resolva oferecer tal valor, exatamente a um dos "loteados ex-sem terra", que desejam (pois são livres, suponho) abandonar a atividade agrícola, ao menos naquele local. Logicamente, tais proprietários de terra estariam satisfeitos com o valor recebido.*

*Que pasmemos, pode ser pago até em flores, já que Alices não gostam muito de falar de dinheiro, e até Fidel Castro um dia sonhou em seus delírios utópicos que o povo cubano não necessitaria mais dele.

Mas nossa senhora e sua família não desejam ali produzir flores in vivo, pois não possuem habilidade para isso (do mesmo modo que cubanos, pelo visto, jamais possuiram vocação para produzir carros, ou soviéticos, na maior escala possível do socialismo aplicado, possuiram para produzir chips eletrônicos). Assim, desejam naquele lote de terra ter espaço para processamento de flores, seu recebimento (que pode advir até dos recém vendedores do lote de terra, de onde ganhariam já imediatamente com isso), seu corte (que pode empregar mais "sem terra" que na verdade passariam de ao invés de esperar doações já ter ganhos) e embalagem (idem, adicionado de comprar as ditas embalagens).



Notemos, que em nenhum momento do acima, houve, na constituição deste espaço físico, que não é agrícola, o roubo de algo que se configure numa unidade que pode ser definida como industrial - tanto que por viabilidade e escolha livre, foi trocado pelos proprietários agrícolas originais. Notemos que a própria existência de um espaço de processamento de um bem tão inútil como flores (e já mostramos que tal característica pouco interessa no econômico) produz uma cadeia de riqueza que é maior que a original de produção agrícola na mesma área. Logo, todos só tiveram vantagens, e ninguém foi explorado. Assim, a posse de um espaço de produção, tão natural como um espaço para habitação (que pode, numa ótica comunista, só ser coerente com a habitação mínima do trabalhador rural, da casa do trabalhador industrial e a residência do trabalhador burocrático), não pode, como visto, ser distinto plenamente do espaço de produção agrícola.

Detalhes: Claro que Alices alegarão que uma florista que se tornou, digamos, uma atacadista de flores está agora explorando trabalhadores. Poderíamos aqui colocar que todos os envolvidos são familiares, e são tão independentes quanto os sem-terra de que Alices tanto gostam que ocuparam um lote familiar e estão produzindo. Também poderíamos mostrar que qualquer empreendimento que produza numa mesma área agrícola mais que a produção agrícola para seus usuários estaria explorando menos pelo trabalho que os agricultores, e mesmo estes, ao trabalhar a terra, estariam prejudicando os industriais (os chamamemos assim). Poderíamos burlar ad infinitum/ad eternum os argumentos típicos de Alices fazendo diversas substituições e apresentações de valores gerados. A questão maior dentro deste tipo de contra-argumentação é que não pode-se igualar em capacidade geradora de riqueza atividades econômicas diversas por uma variedade isolada, como área, mas área seria extremamente significativa na produtividade/geração de riqueza de algo como a agricultura. Mais uma vez, percebe-se que Economia não é conhecimento amparado em contas simplórias.

Mas em suma: medição alguma de escala do que quer que seja em economia pode ser afirmado direta e simploriamente como roubo. Por outro lado, o controle exploratório e prejudicial aos consumidores de determinado setor ou atividade o é.


Sabe que a população deste planeta é hoje dez vezes maior que nos períodos precedentes ao capitalismo? Sabe que todos os homens usufruem hoje um padrão de vida mais elevado que o de seus ancestrais antes do advento do capitalismo? E como você pode ter certeza de que, se não fosse o capitalismo, você estaria integrando a décima parte da população sobrevivente? Sua mera existência é uma prova do êxito do capitalismo, seja qual for o valor que você atribua à própria vida. - Ludwig von Mises.


O incremento de atividades

Lembremo-nos de nosso criativo pipoqueiro.

Aos moldes bem do que vemos hoje, em estratégias de "margens de manobra" como a que vemos nas grandes redes de salas de cinema, um pipoqueiro poderia, na sua escala, incrementar sua atividade com, sejamos pitorescos, um realejo.



Claro que pela dificuldade de produzir-se e comercializar-se pipoca, o pipoqueiro não poderia dar plena atenção ao realejo e menos ainda ao exigente macaco. Seria conveniente acrescentar a esta sua nova e complexa estrutura um segundo trabalhador, com os quais dividiria os ganhos. É claro que na minha típica desonestidade intelectual, estou colocando o pipoqueiro deste caso como o mais feroz dos marxistas, dividindo, sem hipocrisia, todos os seus ganhos.

Mas a maior desonestidade desta argumentação é que pela marcha que iniciamos com o primeiro passo acima, poderíamos rapidamente chegar, com o mesmo acréscimo de atividades e posses, as modernas redes de cinema e suas lucrativas pipocas (do ponto de vista conceitual, um realejo está para a venda de pipocas como a mais cara produção de Hollywood também está).

Evidente que porque o mundo é real e não ideal, não se daria com a permanente soma de mentes fraternais e divisoras de suas posses, e haveria a concentração, mas podemos, exatamente porque o modelo que apresentamos é uma possibilidade, ainda que improvável, mostrar que o incremento de atividades a uma já existente, e que implica obviamente em crescimento, não implica necessariamente em roubo.

Acredito que aqui, poderíamos poupar acréscimos à argumentação acima, lembrando o dilema da "empresa de uma libra", mostrando que o incremento de capital não necessita se dar pelo enriquecimento concentrado, mas distribuído entre acionistas, que podem ser, desde o primeiro momento, nosso pipoqueiro e nosso realejista.

Não há atividade econômica em si, simples ou complexa, que possa, pelo simples fato de ser grande em escala, de ter trabalhadores que não sejam seus controladores e ter controladores que não sejam nela trabalhadores, ser taxada de oriunda de exploração ou roubo.


Proceda como se fosse impossível falhar. Só as suas ações determinam e mostram o seu valor. - Alfred Montapert



A diversificação na atividade

Talvez este seja um ponto um tanto difícil de ser entendido pelo título acima, mas exemplifiquemos, novamente, com nosso modelar pipoqueiro.

Eu concordo que acrescentar um realejo ou salas e mais salas de cinema seja incrementar por uma diversidade exótica ao produzir/processar pipocas. Mas nem sempre a ampliação das atividades se dá desta maneira horizontal, e digo com segurança, muitas das maiores corporações cresceram explendidamente assim como aprersentarei e diversas colapsaram exatamente por tornarem-se estritas, lineares, e diria "tubularformes" (adiante entender-se-á o significado disto) por processo um tanto diverso.

Sabemos que nosso pipoqueiro consome milho (de pipoca), óleo, sal, e mais meia dúzia de, digamos, temperos. Chegado determinado ponto de sua escala, e a argumentação por não ser tal o que Alices mais extremadas chamam de roubo, poderá, pela própria escala de suas compras, passar a ser um revendedor, tanto varejista quanto atacadista (aqui, apenas o que interessará é a escala) de milho, óleo, sal e talvez muito mais que uma dúzia de temperos.

Se seus processos de distribuição (que são, em cada etapa, comercializações) forem abertos, como digo, "em árvore", será uma empresa que em cada etapa de seus processos, rumo a um produto final altamente agregador de valor (pois é o mais acabado de todos) gerará lucros também por velocidade (giro de estoque), com as vendas a preços competitivos de cada uma de suas matéria primas, insumos, e até equipamentos e utilidades (como carrinhos e até gás).

O problema é quando, tornando-se permanentemente "fornecedor de si mesmo", em cada etapa, deixa de ser uma ramificação, uma diversificação "em árvore" e passa a atuar como "uma tubulação" apenas com entrada e uma saída (ou mesmo um número perigosamente limitado destas), que é o produto final. Assim, como muitas empresas já entenderam até das piores maneiras, quando não tem a saída do produto final, gera pressão (custos/acúmulos/estoques exagerados) em cada etapa - possível - de seus processos.

O mesmo erro existiu no passado, similarmente, por exemplo, com a Ford, que apenas produzia carros a partir do minério de ferro, da borracha, da madeira, da areia para seus vidros, etc, somente a partir de suas matérias primas mais básicas. Dependia, por não possuir sistemistas quaisquer, de manter toda sua cadeia de produção permanentemente no ótimo, o que mostra-se, exatamente pelo mesmo motivo fundamental que 2500 'sem terra' não podem fazer compras ótimas e de pleno acordo, impossível.

Um determinado grau de flexibilidade, nas malhas de fornecimento e vendas, é sempre desejável em toda estrutura, e ainda melhor, se proporcional tal flexibilidade à escala da atividade.

Noutras palavras, se não estamos vendendo carros, ou pipocas nos cinemas, vendemos peças de reposição, ainda mais em plenas crises, ou pacotes de pipocas para micro-ondas, pois a população está preferindo, a menor custo, assistir seus filmes em casa.

Observa o rígido carvalho e o flexível junco. Apenas o junco sobrevive aos ventos da tempestade.

Numa combinação das duas acreções de atividades acima, poderíamos ter, já que vendemos milho e óleo, apenas para ficar no mais comestível, a adição de n outros grãos, e processados alimentícios. Se desejar chamar isso de mercadinho da esquina, de supermercado, de hiperpercado, de distribuidora de alimentos ou mesmo de "algo parecido com a Wal-Mart", que de tão grande escala ajuda a controlar a inflação dos EUA, "liberdade de ação".

Mais uma vez, pelo "dilema da empresa de uma libra", tal não poderia se classificar como roubo, e exatamente pelo acima citado, a determinado ponto de escala, e se dirigida a empresa para não ser um parasita do mercado, pode vir a beneficiar (por exemplo, por "choque de oferta" - controle de inflação) toda a massa consumidora.

Mais e mais me convenço que não existem pecados na Economia, existem apenas os pecadores.

A única coisa bem distribuída no mundo é a burrice. George Bernard Shaw


A alteração de atividade

Mas combinemos os dois casos acima. Imaginemos que num determinado ponto de lucrabilidade, a flores sejam mais lucrativas que as pipocas com seus agora cinemas (e também pode-se imaginar o contrário). Nada poderia impedir os possuidores de um dos casos abandonar sua atividade e ceder seu espaço para a outra atividade, em troca de capital ou participação (o que até contabilmente pode representar o mesmíssimo valor). Aliás, tal poderia se dar por simples desejo, ou mesmo tédio, por uma nova atividade por uma anterior. Como para os dois casos demonstramos não necessariamente ter atingido suas escalas por exploração ou roubo, uma substituição de um por outro não implicaria em tal também.

Mas a questão por trás destes simplórios argumentos é o raciocínio absurdo de Alices, que toda atividade, quando possui proprietário, este necessariamente é um usurpador de algo que nunca poderia ter sido dele ("a propriedade é roubo" - curiosamente, a terra dos acentados ex-sem-terra, não se encaixa nisto!), que todo empregar alguém é roubo (o "valor trabalho", a "mais-valia" e outras tolices) e que todo enriquecimento advém da exploração (de certa maneira, um mistura das falácias anteriores).

Curiosamente, todos os modelos de produção agrícola do "capitalismo de estado" (usemos as falácias típicas de Alices) do passado fracassaram (a não propriedade e não industrialização/capitalização do campo), conjuntamente, toda a sua produção de bens de consumo, diria, necessário (veículos, por exemplo, e podem ser os coletivos, não os enormes carros dos "líderes"), mesmo sem jogar-se energia sobre supérfluos (como flores) e menos ainda, sua indústria cultural (pois, que seu saiba, jamais vendeu-se significativamente pipocas em cinemas soviéticos, nem tampouco cafés finos em suas livrarias).

Mas pior que estas coisas, que que milhões foram condenados a manter-se em suas pouco criativas atividades pela vida inteira, e sem motivação para novos empreendimentos (sejmos diretos, a grana que pretenderiam ganhar), ficaram, por exemplo, como cabelereiros em Cuba, quando poderiam ser, talvez, excelentes agricultores.

A economia planificada não só é incapaz de gerar riqueza a longo prazo (eu diria até a médio), mas incapaz de propiciar a liberdade que é típica do ser humano, desde que algum ser humano primitivo resolveu não mais ir caçar para produzir melhores lanças, e receber carne por isso, ou plantar raízes, ao invés de fazer uma destas coisas, e assim, até a imensa liberdade de iniciativas que hoje temos.


Um acréscimo


Já deveria ter usado este exemplo.

Imaginemos um ferreiro. Pela mesma argumentação, adaptando-se detalhes, que usamos para o pipoqueiro, o plantador de tomate e nossa chatíssima senhora vendedora de flores que nos perturba o bate-papo, muitas vezes, ou sério, ou com "as melhores intenções" com nossas, respectivamente, colegas ou belas amigas, poderíamos facilmente demonstar que sua atividade, baseada na propriedade da área de terra que ocupa, cobertura de sua ferroaria, ferramentas e até fonte de lenha não poderia ser tratada como roubo.

Pelos mesmo argumentos, sua acreção de sócios, empregados e operações de troca (até pela compra de seus concorrentes), também não poderia ser tratado de roubo. Evidentemente, escala em escala, tecnologia (no sentido mais completo desta palavra), chegaríamos às mesmas empresas automobilísticas que citei acima, no caso da Ford, e todas as maiores produtoras de bens a partir de metais.




Na verdade, atividade alguma humana é completamente separável das mais antigas, ou mesmo primitivas, e do ponto de vista modelar, matemático, indistinguível destas. Assim, uma exemplificação que apoie-se num exemplo medieval (digamos) de qualquer ofício (como era o termo mais adequado da época), pode, perfeitamente, ser transposto para nossas maiores estruturas empresariais hoje.

Só mudou, realmente, o sentido que tem-se na palavra "corporação". Deixo este trocadilho até infeliz para os que gostam de estudar História.


O socialismo é o evangelho da inveja, o credo da ignorância, e a filosofia do fracasso. - W.Churchill


Um retorno ao tema do assistencialismo

A cornucópia da fartura, sempre presente como ideia quando nos confrontamos com alguém que acha que os recursos são infinitos e todas as refeições saem de graça (malaysiansmustknowthetruth.blogspot.com).



De um "bate-boca" na internet.

Alguns afirmam que a primeira preocupação de um governo demagógico e populista é aumentar o "bolsa miséria", pois são votos garantidos.

Infelizmente, tal procedimento, desde o primeiro momento, só vai aumentar custos e gerar ainda mais problemas.

Agora, como e porque, duas horas de explicações, especialmente, sobre os problemas já percebidos por Keynes.

Uma segunda preocupação seria aumentar impostos, como no nosso caso, CPMF, e isto seria igual a dinheiro fácil. Aqui, a Curva de Laffer já faz seus estragos, e nada mais se necessita.

Logo, só pode-se manter estes círculos viciosos com endividamento, e tal é claro.

E sonhos utópicos infantis vão se fazer em pó, como sempre, só lamento.

Neste tipo de "debate", seguidamente aparecem as típicas "Alice Pseudo" e as irritantes "Alice Miguxa" (normalmente falam em miguxês ou no lusitano pita talk disfarçado), que acham que o mundo é injusto e tem de se dividir as coisinhas, inclusive os brinquedinhos, "desde que a Barbie de cabelos loiros, especialmente com os trocados que nela escondo, não saiam da minha casa".

Pois lembrem-se: toda a Alice é, no prático, um hipócrita.

Pegar riqueza da população, e pelo estado, a distribuir, soma custos por si só ao próprio processo disto.

Se tal é feito por tributos, estes serão repassados pela classe alta e média, pelo simples fato que a alta é detentora dos meios de produção e apenas repassa impostos, e a média por ter maior capacidade de barganhar e exigir reposição do seu salário. Assim, só quem por fim pagará por esta distribuição é a classe baixa.

Logo, tais "sistemas de distribuição de renda" só são eficientes a curto prazo, e adiante, invariavelmente, serão apenas cobrados dos "beneficiados", e ninguém mais.

Sem falar do detalhe, sempre esquecido pelos "esquerdinhas", que a poupança é exatamente a partida dobrada do investimento, logo, a geração de riqueza e sua acumulação é exatamente o que no longo prazo permite o investimento, que por fim, gera realmente a distribuição de renda.

Só lamento, novamente, só estarão "cavando buraco", a começar, pelos custos de tal processo.


Todos querem viver às custas do Estado, mas esquecem que o Estado vive às custas de todos. - Frédéric Bastiat


Sempre em meio a tal tema, aparece uma Alice para afirmar algo distorcido sobre o que nem entendeu o que tenha sido, como por exemplo a crise subprime.

Exemplo:

"Nem sempre haverá um Keynes para socorrer depressões econômicas, demonstrando que o o mercado que se auto-regula é um mito. Se o muro de Berlim já caiu, a "era Reagan" (neoliberalismo) também já foi para o buraco."

Keynes morreu faz um bocado de tempo e seus métodos estão aí de volta.

O mercado se auto-regular, estritamente, é um mito, mas o estado ser pleno e perfeito regulador, é outro. E cair até as próximas n ondas de "economês" do capitalismo não vai fazê-lo cair de todo, e muito menos, colocar economias planificadas simplórias e comunistóides no seu lugar.

Só lamento, de novo, falácia da "falsa dicotomia".


Exemplo de pérola de uma "Alice Miguxa":

"O comunismo primitivo existiu antes da propriedade privada, ou não?"

Sim, e não relaciona-se lhufas com poder ser agora implantado um "comunismo contemporâneo".

É o mesmo que dizer que se Band-Aid estanca sangue, pode deter uma hemorragia grave (num tratamento mais formal, uma falácia da composição).

Se não entenderam a imagem, as próprias novas relações, até da existência necessária do estado, e seus impostos, leva a ter de existir a pretensamente justa remuneração pelo trabalho e a produção de bens e serviços, e destes, a propriedade, até do capital na forma de ferramentas.

Logo, as sociedades muito primitivas são aparentemente "comunistas", mas ao que parece, o cacique e o pajé são apenas os "escolhidos". Igualmente, mulheres não são a elite dos caçadores, nem possuem mais que determinados poderes.

A própria "coletividade dos bens" é um mito sobre os selvagens. Assim, os modelos de "bom selvagem" até podem ser lindinhos e agradáveis, mas não se prestam as modernas sociedades, e quando bem analisados, não passam de mitos.


Law of the Infinite Cornucopia: There's no shortage of arguments to support any doctrine a person might want to believe. 

(Lei da Cornucópia Infinita: Não há falta de argumentos para apoiar qualquer doutrina da qual uma pessoa pode querer acreditar.)



Apêndice

Conceito de Falácia da Composição

A falácia da composição é uma falácia que ocorre sempre que se admite que aquilo que é verdade para uma parte do sistema, então também é verdade para todo o conjunto, sendo muito frequente no raciocínio económico. Por exemplo, se a quantidade de peixe pescado por uma traineira num determinado dia for excepcionalmente elevada, o rendimento dos seus pescadores aumentará; contudo, é natural que, se todas as traineiras conseguirem pescar quantidades de peixe muito elevadas, o rendimento do conjunto dos pescadores seja mais baixo. Concluir o contrário seria cair na armadilha da falácia da composição.

http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/falaciadacomposicao.htm

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Etanol e os dilemas da Petrobras

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Uma coletânea de pensamentos curtos sobre os dilemas que a "poderosa" (e logicamente, todo o povo brasileiro) está enfrentando.



A explicação para a alta do etanol, mesmo em safra, é simplesmente o desgoverno e falta de qualquer estratégia para o setor.

Governo é conivente com altas de combustível não ligado à infraestrutura como o etanol pela arrecadação tributária que gera.

Sacrifica a Petrobrás, há muito uma "ferramenta arrecadatória" não aumentando os derivados de petróleo pela inflação que geraria.

Não forma estoques reguladores no etanol pois:

[1] Só quem é sacrificado diretamente é a classe possuidora de motores "flex".

[2] Concentra o consumo (logo a arrecadação) na insonegável Petrobras e suas refinarias, concentradoras da carga fiscal do comércio de combustíveis e relacionados.


Diário Oficial confirma redução de etanol na gasolina - Leia-se: ou Petrobras começará a ficar apertada de caixa ou teremos aumentos de combustíveis, ou ainda, o governo terá de diminuir arrecadação.

Não se reduz o custo de alguma coisa (como um produto formulado) tirando uma certa quantidade de um item mais barato deste.

Se um produto tem custo aumentado e seu preço é mantido fixo, e uma parte (significativa ou não) de seu preço são impostos, a sua venda gerará débitos maiores no fluxo de caixa. Ou seja, tem-se de tirar mais de onde não já entrava o que se necessitava.

A redução da mistura do etanol anidro na gasolina deve significar a necessidade de importação de cerca de 1 bilhão de litros de gasolina "A" para abastecer o mercado nos seis meses que vão de outubro até abril do ano que vem. (http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=53553).

Produção de etanol deve cair 14%. Até o final deste ano, o país vai importar pelo menos um bilhão de litros de álcool. (http://www.jornalfloripa.com.br/economia/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=5203)

O Brasil deve importar etanol pelo pelos próximos três anos. (http://www.portalsyngenta.com.br/NoticiaDetalhe.aspx?id=9943DFB5733A2158832578E200140E9F)

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Anexo

Editado a partir de Reinaldo Azevedo:

A mão que dá benefícios é a dos trabalhadores que pagam impostos e arcam com uma das cargas tributárias mais altas do mundo. É do trabalhador a mão cansada que constrói casas, escolas, hospitais, portos de saúde, rodovias, portos e aeroportos. Não somente isso, mas também é dela que sai todo o valor roubado por uma elite corrupta que habita no poder.

Todo orçamento do estado só advém do trabalho realizado pela massa trabalhadora. Logo, o corrupto, por fim, só rouba do povo, não do estado.


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sábado, 6 de agosto de 2011

Alguns palpites

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Dívida dos EUA


Terrível quadro. A dívida dos EUA chegou a US$ 14,3 trilhões, 100 % do PIB.


Pouco interessa esta porcentagem, pois o Japão, por exemplo, já chega a 225.9% do PIB (www.usnews.com).


A dívida foi ampliada em US$ 900 bilhões, pouco mais de 6%. Pois bem: a inflação dos EUA tem chegado a 3% ao ano, mas coloquemos, como é esperado para as nações anglo-saxãs, que se situe numa média de 1,5% para os próximos 4 anos. Mesmo sem recorrer à progressões mais complexas, estes 6 % serão cobertos por inflação nestes próximos 4 anos. Ou seja, o próximo presidente dos EUA terá apenas de corrigir o endividamento pela moeda para mantê-lo igual.


Os EUA pagam terríveis juros por esta dívida. Curiosamente, muito menos que qualquer país, destacadamente o nosso, e em determinados períodos, com juros negativos frente à sua inflação.


A China é inexoravelmente obrigada a comprar tais títulos, e quem paga o custo de tal fluxo é exatamente o total de países (lembremos que os EUA não são mais os 50% da economia global desde os anos 50) que importa camisetas, sapatos baratos, canetas e todo tipo de traquitana eletrônica de baixo preço, como por exemplo, o Brasil.

Conclusão: nós estamos com problemas, não os EUA.



Incentivo em Impostos à Indústria

Vamos fabricar mais carros para por em nossas já atupetadas cidades e estradas?

Sim, evidente.

Vamos beneficiar os fabricantes de tais produtos, e lhes gerar mais lucros?

Sim, óbvio.

Os proprietários destas empresas são brasileiros, e manterão seus lucros aqui?

Ops, não!

Beneficiaremos estadunidenses, europeus, japoneses, coreanos e até chineses e indianos, se estabelecendo aqui em ondas de migração de parque industrial.

Uma linha de montagem de moderna fábrica de automóveis, onde se vê a vastidão de trabalhadores que tal exige, em contraste com as desertas e robotizadas fábricas de, por exemplo, camisetas, aquelas coisas desnecessárias e extremamente duráveis, que serão compradas por nossas massas de menos favorecidos (motordream.uol.com.br).


Claro que estes geração empregos, e estes pagarão salários. Mas o evidente, o óbvio é que comprarão camisetas, sapatos baratos, canetas e todo tipo de traquitana eletrônica de baixo preço importado, pois a indústria brasileira, realmente brasileira, de produtos de consumo popular, está sendo feita em pó, e com a ajuda de problemas da dívida do governo dos EUA (não de sua economia como um todo) em fluxo para compradores de títulos para manter sua moeda artificialmente baixa para nos tornar reféns de uma incapacidade cambial de enfrentar seus custos em produtos industrializados - altamente agregadores de valor, e tornar nossas mercadorias (estritamente de setor primário) otimamente baratas.

Conclusão: nós estamos com terríveis problemas, não os EUA.

Calados x portos, mostrando uma das coisas que fará piorar nosso quadro em futuro próximo  (www.zonaapple.com).
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terça-feira, 31 de maio de 2011

Bolhas no horizonte

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Em conversa ocasional num balcão de bar em Campinas, há aproximadamente um ano, com senhora relativamente idosa, esta me apresentou a visão que tinha da situação econômica da atualidade, em especial quanto ao negócio do filho, uma revenda de automóveis importados usados.

Ela observava que dificilmente se via quem realmente 'tinha dinheiro', pois com exceção dos raros clientes (comentário complementar meu a argumentação dela) que em qualquer parte do mundo chegam com, digamos, 300 mil reais e escolhem um carro, como uma Mercedes, e pechincham para pagá-la a vista, coisa que ocorre em qualquer lugar do mundo (pois há altamente capitalizados - 'ricos', no popular - em qualquer país, mesmo pobre, do mundo), dificilmente saía-se do modelo do "financiamento em longas prestações".

O mesmo se observa para imóveis.

Uma pequena amostra do que considero a "loucura da construção" na zona sul de São Paulo, foto "roubada", assumo, curiosamente de um anúncio de venda.


Mais detalhadamente, chegamos a conclusão que, no caso dos imóveis, que concordo que é mais complexo, o comprador deve para a incorporadora/construtora, esta deve para os fornecedores e prestadores de serviço, estes devem para os grandes fabricantes de materiais e invariavelmente, todos devem para os bancos, que surpreendentemente, aplicam as poupanças de milhões de poupadores que na verdade, financiam o governo nos seus títulos, às mais altas taxas reais de juros do mundo, e este mesmo governo, curiosamente (e diria perigosamente) deve para todos que em seus títulos colocam dinheiro.

Mas este processo, assim cortado no tempo, já problemático, em sua evolução no tempo, apresenta mais alguns detalhes que diria que apenas pioram a situação.

A questão é que a medida que se financia bens a longo prazo, mais tempo tem-se de aguardar para o retorno, pois é óbvio que fora os juros, num financiamento de imóvel em 20 anos, só se terá retorno do capital a 1/20 por ano.

O problema é que tal volume de venda de bens de alto valor a prazo já está gerando o incômodo de investidores e de certamente, a perda de liquidez dos bancos.

Recentemente, o jornal Valor Econômico tem tratado a questão com destaque de primeira página:

Daniela D'Ambrósio e Fernando Torres; Investidores estão de olho no caixa das construtoras; 18/05/2011

A questão é muito bem analisada, e com muito mais propriedade do que eu o poderia fazer, neste artigo:

Leandro Roque; A bolha imobiliária brasileira; Instituto Ludwig von Mises

Para manter o sistema "vivo", é óbvio que os preços tem de subir (para compensar, imediatamente, os poucos 1/20 a cada ano dos 20 anos de alongamento da quitação do imóvel). É também óbvio que num momento, o próprio preço elevado fará com que menos pessoas comprem os bens*, e mais óbvio ainda que neste momento, seu preço cairá e evidentemente a até possibilidade de lucro nas operações de financiamento não serão sustentáveis.**

Neste momento, o sistema como um todo colapsará.***

*Até pelo motivo que veremos adiante e geralmente percebemos que a capacidade de endividamento da população brasileira se aproxima de um limite crítico.

**Já se percebe claramente que determinadas construtoras entregam imóveis até sem portas em determinados quartos, com a piscina do condomínio incompleta e com detalhes de acabamento que não foram os inicialmente apresentados, tudo, a menos que eu esteja terrivelmente enganado, na vã esperança de adiantar os recebimentos necessários ao seu fluxo de caixa.

*** Como toda bolha, reza a teoria, ganhará muito quem manter-se até o momento crítico, e menos perderá que sair no momento exato da mudança de inclinação da curva.

O mesmo para automóveis, e como já mostrei, o emaranhado de relações que obrigam o governo a fomentar o consumo não se sustentará. Como sempre repito, tão clara e inexoravelmente quanto isso.

Na verdade, o mesmo problema se evidencia até a escala de financiamento da dívida pública (questão que também pode ser analisada por por outros números).

Mas acredito que sofro, assim como muitos, da maldição de Cassandra, pois seguidamente me pego não só conversando com sensatas idosas, mas com economistas e administradores, e chegamos a mesma conclusão, e como um destes me disse, "parecemos dois malucos acham que enxergaram a questão", e percebemos que "a coisa não pode terminar bem".

Cassandra - Evelyn De Morgan.


Mas enquanto como maluco tentando resolver todos os problemas mais graves da nação tomando cerveja em balcão de bar, abordemos outro problema menor, e nem tanto, que na verdade é onde se originará o acima apresentado e outros muito maiores.

Digamos que um típico casal de boa renda, paulistano típico, ele com salário líquido de 20 mil reais, ela com salário de 15 mil (nada mais incomum na nossa sociedade que tende a dar cargos um tanto mais altos na média para homens). Esta renda de 35 mil, cobre, imediatamente, o financiamento em, digamos, 200 prestações (banais 16 anos) de um apartamento de 1 milhão de reais (nada mais incomum, no caso) que desconsiderados os juros resultam em 5 mil reais por mês (caeito variações de um imóvel mais barato, desde que meus antagonistas em argumentos coloquem os juros). Acrescentemos a isto as prestações de dois bons carros para o casal, mais um carro para o filho mais velho, bons gastos com escolas e universidades, cursos do próprio casal, despesas com os próprios empregos, mais gastos de qualidade em supermercados e vestuário, sem falar em lazer, viagens, refeições de final de semana, etc.

Lembremo-nos dos necessários planos de saúde e seguros, lembremo-nos dos indispensáveis planos de previdência.

Nem necessito apresentar números. Basta mostrar que por 16 e tantos anos, a família estará presa a este imóvel de maneira inflexível e inquebrantável, que consideraremos aqui como o maior de seus custos fixos, a mais significativa de suas despesas, que não necessariamente pode vir a ser, e pelos seus padrões, na verdade desmedidos, ao acrescentar a simples prestação de uma nova TV desejada, não conseguirá cobrir seus gastos com sua renda, e aqui de forma alguma somamos juros a serem pagos em todos estes parcelamentos.

Neste momento, desta compra desnecessária que não poderia ser suportada pelas receitas, começarão os problemas desta família, da incorporadora do imóvel, do banco, e finalmente, do estado que de todos necessita financiamento.


Extras

Finalmente visitei, até por interesse em marketing do ramo, somado a quase uma curiosidade mórbida, diria, o magnífico shopping Cidade Jardim.

Sua concepção é realmente superior a todos os demais espaços concorrentes, até por sua decoração inigualável e cuidadosamente planejada. Porém, como todo empreendimento para "ricos" no Brasil (chegando a dificultar, sejamos sinceros, quem nele queira chegar de ônibus ou a pé, e mesmo a entrada de quem não estiver de carro*4), não consegue fugir da proximidade de favelas, como pode-se ver na imagem abaixo. Nem preciso lembrar que está de frente para o poluidíssimo e mais que mal cheiroso rio Pinheiros, usado como uma imensa cloaca de grande parte da região sul de nossa maior cidade. Isto, no final, é o que nos separa dos países desenvolvidos. Como certa vez disse Chico Anysio, com seu personagem "Profeta", não é a questão que existam panelas vazias, mas que existam panelas bem mais cheias do que outras.



*4.Curiosamente, os mais belos espaços de venda em grande superfície do Brasil, incluindo o já clássico Iguatemi da Faria Lima, ou o que considero mais belo (gosto não se discute, só se lamenta), que é o Pátio Higienópolis, recebem seus visitantes a partir da calçada, como os novaiorquinos referiam-se à Pennsylvania Station, uma simples estação de trens, "como deuses", ou ainda citando por filosofia, a lendária loja Neiman Marcus, onde "qualquer um com dinheiro pode comprar, e sempre há o que comprar por mais dinheiro que se tenha".




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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Finda um período cinza

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Comentário meu a um artigo de Roberto Freire (Plano geral - http://www.brasileconomico.com.br/), aqui um tanto atrasado, mas com terríveis relações com o que tratarei na parte seguinte:

O "período Lula" se caracterizou por um tripé:

1) Comportamento fluido, abraçando-se com as mesmas elites políticas que sempre o PT condenou.

2) Maquilagem econômica, tentando permanentemente dourar as pílulas, seguindo, na verdade, a mesma cartilha econômica que tanto pregou como nefasta.

3) A destruição total e final de uma "imagem de vestal", tornando os partidos nucleares do governo iguais a tantos outros e com as mesmas práticas. Apenas, como dizia Marx, corrompendo os termos, em que ilegalidades tornaram-se "erros", entre outros.

Sobre este tripé, colocou uma bela cereja do bolo, que é a introdução de um conceito alheio à sociedade brasileira, em que nasce no seio dos menos favorecidos novo preconceito, racial, quando antes, não existia tal separação. Agora, como legado, somos "ricos e pobres", e dentre os pobres "brancos e negros", mais desiguais que antes.


Os pecados escrevem a história, o bem mantém-se em silêncio. - Johann Wolfgang von Goethe



Sinuca de bico nas seis caçapas




(Os que jogam bilhar (dentre os vários) que me perdoem pelo absurdo do título, mas a metáfora é válida.)

O governo se colocou num encadeamento lógico de dificuldades que me parece insolúvel.

1) Se apertar o crédito, reduzirá consumo.
2) Se reduzir consumo, diminuirá emprego..
3) Se não apertar crédito, fomenta inflação.
4) Se não combater inflação,destrói renda.
5) Se não combater inflação e não proporcionar correções de salários e pensões, causará redução do consumo.
5) Se corrigir salários e pensões, causará inflação.
7) Reduzindo consumo, novamente, diminuirá arrecadação.
8) Não pode reduzir arrecadação pois é deficitário.
9) Não pode diminuir taxa de juros dos títulos públicos pois diminui sua atratividade, que é o que cobre seus déficits.

E assim por diante em mais dúzias de fios estrangulantes que lhe amarram numa teia perversa.

Como um "sádico voyerista", conto os dias e as horas para ver o momento de um primeiro tropeço sério nesta rede, e impotente, não encontro solução simples, nem muito menos, por mais complexa que seja, que não exija imensos sacrifícios de todos.

E nisto, de um período cinza, talvez entremos num de tom ainda mais escuro.



Quando o mar está calmo, qualquer um pode ser timoneiro. -  Públio Siro



Extras

1)

Juro que tenho vontade de rir, mas já tratei (ou tentei tratar) o assunto seriamente:
  


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2)

Questões de logística do pré-sal.

Tem-me sido de interesse saber como a poderosa Petrobras tartará de resolver, a custos viáveis, por um lado, e dados determinados limites de orçamento para investimento, por outro, para atender as plataformas da, digamos, região média do pré-sal. O raio de ação dos helicópteros (é quase impraticável a logística de trabalhadores por embarcações para atender plataformas) está pelo limite de 200 km, e haverão plataformas a 300 km da costa. A solução será o uso de embarcações similares aos carriers dos fuzileiros navais dos EUA.



3)

O derramamento da BP no Golfo do México foi exemplar (leia-se, alertas gritantes) para o pré-sal por diversos fatores:

1.Foi a 60 km da costa.
2.Nos primeiros dias, o governo e empresascolocavam 900 navios à disposição do processo.
3.O derrame de emulsificantes, mesmo como procedimento errôneo para a escala do incidente foi feito em escala militar (gerou a emulsificação de uma massa proibitiva e insolucionável de petróleo no mar, quando o ideal seria seu recolhimento, separado da água, na superfície). Mesmo no erro, a demosntração de capacidade de resposta do governo estadunidense ficou clara.
4.Existe hoje o monitoramento de 20 mil trabalhadores pela possível contaminação com aromáticos (tais como o benzeno). Se 20 mil são monitorados, é sinal que foram colocadas 20 mil pessoas nas operações relacionadas com o derrame.

Disto tiro a pergunta direta: conseguiremos implantar esta capacidade de reação para incidentes similares?

4)

Repitamos em outras palavras o anteriormente tratado, pois o que virá a seguir é inacreditável.

Um dilema do tipo "Tostines", e triangular como um "Doritos": o governo, se desejar combater a inflação, aperta o crescimento do PIB. Se desejar manter crescimento, terá de ser tolerante com a inflação. Se for tolerante com a inflação, terá de, para manter capacidade de compra, aquela que permite a manutenção do consumo, manter indexações de salários, que são aqueles índices que mais cedo ou mais tarde, conduzem à pressão inflacionária.

Mas fantasticamente, mesmo com agências controladoras autorizando aumentos acima do que as, por exemplo, distribuidoras de energia elétrica pediram, o PT agora afirma com todas as letras que a inflação é praticamente uma conspiração da oposição.


Em tempo, petistas e demais Alices, aprendam: a economia de um país estar crescendo a valores baixos, ou mesmo estar estagnada (p.ex. os EUA), não significa "declínio", e "parceria com a China" (algo contraditório por si) é algo muito pior para nossa economia que qualquer parceria com país rico.



5)

Interessante é que a promessa de campanha de José Serra, de um salário mínimo de R$ 600, numa inflação de 0,35% ao mês, teria de ser atingido em 46 meses (menos que 4 anos de governo), a partir de um saláriode R$ 510. Numa inflação ao mês de 0,82% ao mês, teria de ser atingido em 20 meses, a partir de um saláriode R$ 510, como o de 01/01/2010. Ou seja, deixaria de ser "uma demagogia", em agosto ou setembro de 2011.

A partir de um salário de R$ 545, para os mesmos 0,82%, deixaria de ser a mesma demagogia em 12 meses, ou já a partir de março ou abril de 2012. O problema é que já estamos com uma inflação média mensal de 0,49% (previsto de 6,02%), e alguns pontos (que incidem sobre os mais pobres), na escala de mais de 1% ao mês - vide transportes, a popular "passagem".

Acredito que não necessito, pelos números acima, tratar do quão pouco demagógico é a afirmação de um aumento para os pensionistas de 10%.


6)

Dívida Interna

Hoje 'recebi' pelo Twitter:
Emissão de títulos para BNDES financiar trem-bala elevou dívida pública para R$ 1,695 trilhão.
Ou seja: o pior dos quadros sobre o pior dos projetos.
Lembrando uma discussão com determinada notória (e nem tanto) Alice:

Gráfico 4 - Evolução do Estoque da DPFe x Reservas Internacionais
http://www.stn.fazenda.gov.br/hp/downloads/Informes_da_Divida/Informe_DPFe.pdf

Tabela 'Evolução dos Principais Indicadores da Dívida Pública Federal'

Estoque da DPF em mercado (R$ bi): 1.600 (em 2009)

http://www.stn.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/Apresentacao_Relatorio_Divida_2010.pdf

Comparado a tais fontes, os bloguinhos "alícicos" e pregação barata não valem coisa alguma.

Mas, a pérola nasce de frases como esta:

"Hoje a relação é de 46%? Antes, em FHC, era de 55%?"

Aprendam a fazer contas, Alices!

Se a dívida cresceu a quase 90% no governo Lula, e o PIB não cresceu nesta monta, como ia ser antes fração maior do PIB?

Apenas se fizerem-se as contas em dólar x real, a cotação da época, mas isto não é feito assim para dívida interna, onde se calcula a proporção pelo endividamento do estado na sua própria moeda.

E aqui, quanto mais valorizado o real em relação ao US$, pior.

Mas há mais questões de "maquilagem":

http://psavioalves.blogspot.com/2009/10/pretendia-neste-post-me-aprofundar-um.html


7)

Outra pérola de Alice:

"Por mim nem existiriam bancos privados,"

Curioso. Já existiram bancos estatais as pencas no Brasil e os resultados foram terríveis. Mas claro que aí, Alices vão fazer brotar argumentos "brilhantes" dizendo que foi "por corrupção".

Então, pelo visto, os bancos estatais de países "comunistas" do passado também teriam de ser bem sucedidos e sabemos que não  foram.

Mas claro que aí, Alices berrarão que jamais houve "comunismo verdadeiro" e sim, "capitalismo de estado".

Ou seja, uma vez Alice, condenada a sofrer de problemas de memória disfarçando suas utopias insustentáveis.


Encolhido está a Alice crente,
que por falácias em desespero,
vomita, arrota títulos e mente,
e no ad hominem em destempero.


Acuada, sofrida, humilhada,
em bretes mais e mais se enfia,
chegando a ser covardia,
ver sua utopia estraçalhada.


Novamente...

Em tempo aprendam de uma vez, Alices, ensinamento profundo do titio Keynes, que vale até para a Coréia do Norte ou Cuba:

O lucro de um banco, sendo acumulação de riqueza, é exatamente o valor a ser colocado para reinvestimento, preferencialmente em novo ciclo de investimentos mais lucrativos e eficientes, e pode ser até o hospital para velhinhas comunistas sem dentes, pouco interessa.

Assim, ser privado ou estatal, em termos de um banco, pouco interfere que tenha de ter lucro, pois somente, mesmo nos mundinhos utópicos e infantis de Alices, se colocará mais riqueza a ser dividida.

Mas como sofrem Alices de problemas graves até de contabilidade, ficam a escrever suas tolices sem fim, pelo visto, pelos séculos, falência após falência de seus modelos em tentativas de aplicação.

Como bem dito por Popper e vários outros (embora não com estes termos): Comunismo não se sustenta nem como hipótese, dadas as vastas e longas experiências.


8)

Poucas coisas lembram mais o comportamento esquizofrênico do que políticas econômicas antagônicas.

Exemplo: liberar dinheiro por meio de um banco público de investimento e enxugar o crédito pormeio de taxas de juros da dívida pública, por meio do banco central.

Para se entender o quanto isso já foi perigoso (e continua sendo), e se repete desde de nosso governo anterior:


João Mellão Neto; Lula e Geisel, iguais? - www.imil.org

Para que a frase abaixo não seja adequada perfeitamente a mim, a solução  é não se executar políticas antagônicas, e o governo conter o crédito e, keynesianamente, só liberar dinheiro em plena crise e baseado em rígida poupança durante este atual período de ciclo - relativamente - virtuoso.

O crítico é um fracassado que nos quer ensinar como se triunfa. - Sofocleto
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quarta-feira, 30 de março de 2011

Falácias de Alices (V)

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A divisão "social" da terra

Se uma terra é "improdutiva", o é por vários motivos:

Por exemplo:

1)Seu proprietário é um desmotivado, e não a usa para gerar mais riqueza para si.
2)Seu proprietário é motivado, mas não possui recursos para explorá-la (falta de capital ou crédito) ou no momento, não é viável cultivá-la (que pode, tecnicamente, incluir pasto para os diversos gados) - aquilo que devemos entender por mercado.
3)Não possui clientes (inquilinos, arrendatários) para explorá-la, ou estes caem nos casos acima.

E assim por diante, quase ad infinitum.

Logo, não existe, desde um primeiro momento, o possuir terra e não explorá-la.


O típico ânimo dos que querem terra, talvez copiável, veremos nesta blogagem, pelos que não possuem bancos ou siderúrgicas (vidacheiadesomefuria.blogspot.com).

Deve-se perguntar, antes, se a mercadoria em questão não seja a própria terra, que neste caso, comporta-se como um estoque, e tem-se de esperar que apareça o viável comprador, o preço pretendido/viável, ou a condição de mercado (ter quem a compre).


Compre a terra, eles não a estão fazendo mais. - Mark Twain


Mas abordemos este problema por outras vias.

Digamos que exista uma terra, produtiva, de 50 x 50 km, 2500 km quadrados, uma enormidade. Duas vezes a área da cidade de São Paulo. Mas é produtiva. Curiosamente, esta terra é vizinha de outra igual, improdutiva. Esta sua irmã é dividida, usemos números simples, entre 2500 "sem terra", ficando cada um deles com 1 km quadrado.

A terra maior, ao comprar um defensivo agrícola, digamos 2500 quilos, o fará com um preço D e frete F. Logo terá um custo de defensivo C=D+F.

As terras menores, comprarão, até pelo mesmo preço por quilo, o mesmo defensivo, mas obrigatoriamente, pelo custo dos fretes, a um frete pouco maior, digamamos 10%, de frete. Teremos assim C'=D+1,1.F, que obviamente, é maior que C.

Poderíamos dar a questão por encerrada aqui, mas claro que Alices poderiam argumentar que os proprietários dos 2500 lotes de quilômetro quadrado poderiam fazer sua compra cooperativada. Eu perguntaria se, em não havendo administração uníssona, nos diversos problemas que adviriam dos acertos de distribuição, formas de pagamento, n problemas em 2500 cabeças a se coordenarem, conseguiriam até a eficiência de tempo do produtor latifundiário?

Exemplifico: poderíamos ter, mesmo dentro de cada "lote" (termo adorado por Alices para o recurso terra), conflitos entre irmãos, separações de casais, conflitos de herança entre filhos e viúvas(os), etc, múltiplas combinações de diversas incompatibilidades. As situações são sempre reais, não ideais.

Lembrando Delille:

O destino faz os parentes, a escolha os amigos.

Abrindo um pequeno parênteses, assim como o destino faz os parentes, a biologia trata de fazer a vida ser uma doença sexualmente transmissível, e a igualdade entre o tamanho dos lotes teria de ser definida em função de núcleos familiárias ou do tamanho das famílias? E se as famílias aumentarem ou diminuirem (sim, a vida é uma doença com 100% de taxa de mortalidade) ao longo do tempo, o lote de uma família de 5 pessoas que passou a ter 4 teria de ser reduzido?

Não existe divisão igualitária possível no econômico, infelizmente.


Mas tratemos doutro ponto.

O latifundiário (aquela palavra que Alices odeiam) poderia comprar 5 colheitadeiras, a um custo de, digamos, 500 mil reais, pagos em 10 parcelas, com juros de 2% ao mês, lastreado pela sua área de terra enorme. Aliás, poderia garantir o pagamento com safra, pela sua própria escala.

Já os minifundiários, jamais comprariam um única colheitadeira pelo mesmo preço, condições, prazo e juros, sejamos diretos. Jamais poderiam ter um lastreamento da mesma escala e segurança. Teriam de se coordenar para fazer o mesmo, e novamente, os mesmo problemas de coordenação apresentados acima.

Mas sejamos ainda mais detalhistas.

O latifundiário, poderia, digamos, ter enormes ganhos mensais de (sejamos novamente usuários de números fáceis) 2,5 milhões de reais por mês. Os minifundiários, já teriam de ter, pela mesma proporção, ganhos de 1000 reais, e aqui, serei sincero, usei de uma proveitosa desonestidade intelectual, pois acabei de mostrar que os minifundiários terim um renda pequena, e desprezei que teriam custos maiores.

Claro que o latifundiário, ao apresentar custos menores e ganhos maiores, poderia ter preço mais competitivo em seus produtos, e exatamente "queimando suas gorduras", reduzí-lo ainda mais, frente ao preço dos minifundiários, e o mercado lhe compraria pois sempre, em se tratando de mesma qualidade, ainda mais em produtos agrícolas.

Noutras palavras, e de maneira simples, pode reduzir seus custos passando a ter ganhos de 2,4 milhões por mês, jogando esta redução como uma redução de seus preços.

Claro que aqui Alices diriam que onde um ganha, agora 1000 estão ganhando.

E eu diria que estão crassamente errados!

Se a área mantém 1000 trabalhando para os minifundiários, manteria número tendente a este, de maneira economicamente viável, como rabalhadores rurais do grande latifundiário, que certamente, até pelas margens possíveis proporcionadas pelos menores custos e maiores vendas, mais bem remunerados que os pequenos proprietários,que aqui, paradoxalmente, não podem pagar qualquer trabalhador que seja com seus pequenos ganhos.

Mais uma vez, não se pode produzir riqueza a dividindo, só lamento.

A tragédia da vida é que nos tornamos velhos cedo demais e sábios tarde demais. - Benjamin Franklin

Mas há um pequeno detalhe ainda a colocar.

Toda atividade econômica possui, além do seu ponto de equilíbrio financeiro, aquele no qual a riqueza produzida cobre os custos no tempo, possui um equilíbrio mercadológico, que é aquele que permite com que se obtenha preços competitivos, como vimos acima, sustentáveis no tempo, que mantém, nisto, o equilíbrio financeiro.

Assim, as capacidades de absorção de custos acidentais (como uma enchente), o corte de faturamento (causados, p.ex., pela enchente) de um empreendimento maior sempre será maior.

E aqui surge um paradoxo: as propriedades menores, no caso acima, terão de agir exatamente como a propriedade maior, cooperativadas, e inclusive, na sua escala, tender  ganhos entre seus componentes que estabeleçam-se para tender a mesma situação de custos (equilíbrio), da propriedade maior, inclusive, tendo ganhos tao pequenos (digamos) quanto julgam que possuem os empregados da propriedade maior.


Sejamos bem claros que nesta apresentação, não estou dizendo para que não se distribua a produtores aptos, verdadeiros "sem terra", propriedades de traficantes e produtores de drogas, sonegadores, devedores contumazes de empréstimos agrícolas, políticos com enriquecimento ilícito, etc. Logo, o problema é de inteira responsabilidade do poder judiciário e de sua execução pelo executivo (a permanente redundância em se tratando do que é - o dever - público).

Para evitar as críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada. –  Elbert Hubbard


O que não se pode afirmar, é que ao existir terra, e "não seja produtiva", se a distribua sem critérios econômicos aqueles que afirmam não a possuir, pois se não, pela própria impossibilidade de se distinguir exatamente as diferenças de atividades econômicas quato à geração de riqueza, teríamos de distribuir bancos, siderúrgicas, refinarias de petróleo e até, para exemplo no limiar do absurdo, bordéis.

Toda a divisão de forma cartesiana, euclidiana de bens, nos moldes maoístas/stalinistas, é sob toda análise, uma injustiça e um incoerência.

Analisemos também,o que seria o "sem terra". Por uma definição ampla, eu sou um sem terra. Por uma definição estrita e diria um caso justo, o desapropriado para a construção de uma barragem é um sem terra, e deve ser ressarcido. Mas o agricultor incompetente, que administrou mal seu negócio, e perdeu a terra até por dívidas tributárias prejudicando toda a sociedade (sejamos claros, mesmo com cargas e leis tributárias respectivamente asfixiantes e insanas), deve ficar sem terra, da mesma maneira que o inadimplente com seu caro carro que estava acima de sua capacidade de pagamento deve ficar sem carro.

Se você ama alguma coisa ou alguém , deixe que parta. Se voltar é porque é seu , se não é porque jamais seria . - William Shakespeare

Além disso tudo, é claro que para sustentar estas pequenas unidades de produção agrícola, serão usadas verbas públicas, e aí terei de perguntar porque o trabalhador urbano, o industriário, o comerciário ou mesmo o lixeiro da pequena cidade terá de pagar com o suor de seu trabalho para manter aquele que se colocou na atividade agrícola, com o ganho injusto de uma propiredade, quando for comprar se saquinho de feijão ou seu chinelo de borracha, ou ainda o leite de seus filhos, que por sinal, podem ser de maior número que o do dito agricultor.

Logo, não há argumento, ainda mais passando pelo dilema oriundo do paradoxo sorites, que separe o que seja algo "produtivo e improdutivo", ainda mais, em considerar que em havendo excedente de algo, tenha, de por si, ser distribuído entre os que não o tenham.

As palavras verdadeiras não são agradáveis, e as agradáveis não são verdadeiras. - Lao-Tsé


A (grande) propriedade privada - I

Interessnte que existem aquelas Alices para as quais toda a propriedade privada é roubo. Curiosamente, estas, as mais radicais, são incapazes de abrirm as portas de suas casas para as massas de desabrigados de nossas cidades, assim como, pelo que sei, jamais alguma chegou todo mês e distribui metade - ao menos - de seu salário com as mesmas massas maltrapilhas que pelo visto não gosta de ter dentro de sua casa. Existem também aquelas que concordam que a horta de um plantador de tomate de periferia urbana*, o carrinho de um pipoqueiro*, o baldinho com flores da florista que nos até atormenta nos bares que frequentamos* não caracteriza-se por ser uma propriedade que seja roubo. Seriam, no seu modo de ver, "propriedades privadas justas". Mais um caso interessante de paradoxo sorites como falácia.

* Todos casos que utilizei como argumentação em Falácias de Alices (II).




A produção extensiva, industrializada, e a de pequena escala. A segunda jamais conseguirá ser competitiva, tanto em custos quanto preços, quanto a primeira.


Abordemos a questão pelo próprio paradoxo sorites.

Digamos que n cultivadores de tomates reunam-se e formam uma cooperativa. Evidentemente, parece-me lógico que a soma de partes que não são roubo formam um somatório que também roubo não pode ser. Digamos que dentre estes, passem a existior aqueles que não desejam ter seus lotes de terra, mas apenas cultivar, tratar e colher a de outros, em troca de seu salário (aquele tipo de coisa que pelo que consta, o mundo "comunista", ops, "capitalist de estado" da URSS, passado da China e ainda hoje em Cuba e Coreia do Norte nunca pagou decentemente a seus trabalhadores rurais). Assim, passarão os cultivadores de tomates a formar dois grupos (e poderiam ser g grupos), os admnistrdores das áreas e os , digamos, cultivadores. Evidentemente nenhum dos dois rouba, nem mesmo, ao possuírem algo mais num grupo que o outro (um possui terras, e o outro, ferramentas e metodologias, por mínimo exemplo).

O que interessará, por fim, será a remuneração. E aí surge uma das mágicas do sistema capitalista. Os cultivadores, se não bem atendidos em suas necessidades/desejos, podem perfeitamente deslocar sua capacidade de trabalho, que é sempre relacionada com sua capacidade de gerar lucro a quem quer que seja, para outros proprietários, perdão, administradores de área de cultivo.

Assim, a posse da terra, pura e simples, não pode ser considerada roubo.

Ms digamos que no mesmo processo acima, recomecemos, mas partindo de dois lotes de terra com duas cooperativas, agora, já sob um determinado grupo de "proprietários". Estes se fundem numa propriedade maior, que pelos mesmos raciocínios acima, não poderá ser considerada roubo.

Assim, o tamanho da propriedade agrícula, por si, não pode ser considerado, pura e simplesmente, roubo.

Na próxima blogagem, tratarmos de uma argumentação semelhante, mas com o que chamaria de "um crescente carrinho de pipoqueiro".



Perde merecidamente o próprio quem cobiça o alheio. - Fredo




Extras

1)

A dívida pública mobiliária federal interna do País cresceu 2,82% em fevereiro em relação a janeiro, atingindo R$ 1,586 trilhão, segundo informações do Tesouro Nacional em 24 de março deste ano. No mês anterior, o governo fez uma emissão líquida no valor de R$ 27,25 bilhões e a apropriação de juros somou R$ 16,24 bilhões. Segundo o Tesouro, o estoque da dívida pública federal, incluindo também a dívida externa, cresceu 2,63% em fevereiro, para R$ 1,672 trilhão.

Neste ritmo, este valor, se anualizado, fará a dívida pública mobiliária federal interna crescer a aproximadamente 39,6% e o estoque da dívida pública federal aproximadamente 36,5%.

2)

Há certa Alice pitoresca, professor de filosofia de ensino médio (curiosidade: isto realmente existe?), que diversas vezes enveredou por tentar pregar sua fé utópica, florida e doce-algodonada comigo. Numa destas tentativas, apresentou uma argumentação que julgaria "brilhante" (percebam a ironia) sobre as privatizações, destacadamente, da telefonia.

Lembremos que antigamente, tínhamos baratíssimos telefones e alta tecnologia, distribuídos até para os mais pobres de nós, não é mesmo? [mode sarcasmo off]

Mas a coisa fica mais divertida quando tratamos seus mantras:

Ou, talvez, não estaríamos pagando a 2° maior tarifa telefônica do mundo.
E com ela, arrecadando um balaio de impostos e ficando quietos sobre isso. porque é melhor para nossa alma oculta de estado estufado, devendo até os ossos, jogando populismo para tudo que é lado feito uns irresponsáveis e empregando até a mãe, de preferência, sem a dita senhora bater o ponto. 

Pelo mesmo motivo, a Petrobras, que é uma estatal, castiga os corpos de Alices estatistas o mesmo valor record frente ao mundo de combustíveis, e as estatais do setor elétrico, a tarifa de energia.

Mas aí, claro, as Alices, felizes, pagam valores absurdos pois faz "bem à nação".

Mas obrigado, em nome de toda a classe petroleira, pelo gordos salário da Petrobras, e pelos gordos salários das terceirizadas. Idem para as demais estatais. Pelos jetons dos conselheiros! Pelos valores absurdos pagos até por um parafuso! Pelo metanol comprado do Chile!

E mais que tudo, pelos contratos enormes de consultoria! Etc, etc...(sic)

Pois afinal, como disse sabiamente Crowley, não existe caminho para a fortuna rápida que nascer um otário a cada minuto.

Muito obrigado!

Agora, insignificantes escravos da demagogia barata, pagando tudo isso, inclusive para mim, com seus salários (e árduos suores) de Alices, abram um livro de Custos, um de Contabilidade e talvez até um de Economia, bem básicos, antes de escrever mais tolices que só será enfiada novamente nas suas almas atormentadas escrevendo bobagem sem nexo até em matemática elementar.

Obs.: Os termos, no dito "debate" foram um tanto outros, e dignos da mais desbocada de nossas comédias em teatro.

Como digo: Abram um livro de custos, leigos que não sabem fazer mínimas contas! Ou, como dizemos à todos os crentes, desde o criacionismo biblicista até as utopias infantis: Vão estudar!

Fantástico, que no meio da pregação barata, o personagem até chegou a afirmar que elevar a cotação do dólar (por si e isolada) melhoraria nossa situação.

Claro que explicar esta barbaridade que não resiste ao custo nem do diesel para levar o saco de arroz para nossos mais pobres bolsões, em sólida teoria econômica, como adoro dizer, lhufas.

Defender com a mesma sólida teoria econômica política de juros e endividamente público, com juros tendendo a 12,5% para este ano, aquilo que pode nos enterrar junto e sob o vomitar de tolices do "guru" econômico do governo, junto com a "atual suprema mandatária", igualmente lhufas.
Para eu ver o resultado disto, basta eu esperar o tempo passar.

No meio de suas pregações, claro que Alices esboçam que uma distribuição de renda produzida diretamente (e autoritariamente) pelo estado - e mais meia dúzia de coisas que "a gente" considera - e prova - nula ou improducente - seja, quando refutada, contra-argumentada ou repelida, a "expressão de todo o mal". Pois Alices tem um vício desgraçado na falácia da falsa dicotomia (todo aquele que a mim se opõe, se sou o bem, é o mal), e portanto, tudo aquilo que não é "nosso populismo barato" e "de nosso governo", que vai enterrar no tempo a população inteira no pior dos buracos, tem de ser tratado quase com ímpetos de um exorcismo.

Alices, quanto mais lemos as tolices que escrevem, mais sabemos merecerem ter as normais profissões mal pagas em que se limitam, e ainda por cima, 'achando-se sábias'.

Chega a dar pena (minto!) humilhá-las em público, ainda mais com sua ignorância em mais em meia dúzia de campos.

Agora, contemos os dias, pois não se darão dois anos e tropeçará a economia, com as Alices agarradas em desespero a seu modelo de governinho demagógico e estúpido desde seus princípios.
A não ser que as providências de austeridade e o que chamo de "rigidez contábil" sejam implementadas.

Aquilo que sabemos ser o certo, mas que é, para criança mimada que é toda a Alice, "o mal".

Tão certo quanto o Sol se levanta todas as manhãs...


3)

Alices seguidamente se manifestam-se em jogral. Quando uma encerra seus versos sacros, outras passam a pronunciar os seus.

Exemplo no mesmo episódio acima:

Lula super carismático(1) e capaz(2) acabou levando o país para onde queria(3) e agora o Brasil vai se tornando um país(4).

Analisemos:

(1) Sim, como todo populista.
(2) Piada, pura e simples
(3) = (1)
(4) Aguardemos para ver onde a coisa termina.

Mas aqui, por favor, Alices deveriam usar pátria, que é uma país, com um povo, logo, uma nação, sob leis, que infelizmente, não foram cumpridas, e se acha que está conduzindo a ser "um país", lamento: wishful thinking, pois otimismo algum salva deficit crescente e como sempre, esperança é um mal que se traveste de virtude.

No populismo demagógico de Lula estão as raízes da própria desgraça de sua maneira de se estabelecer no poder e do próprio povo brasileiro, de buscar soluções fáceis para seus dilemas.

4)

Com a recente carência de etanol no mercado brasileiro (preço alto) e mais algumas "operações correladas", o Brsil conseguiu, de uma vez só:
1.Deixar de ser exportador de gasolina (agregadora de valor) em troca de petróleo para produzir diesel (transporte de cargas e coletivos) para ser importador.
2.Passar a ser importador de etanol de quem pretendia que fosse seu maior cliente (EUA).
3.Passar a acrescentar água indiretamente pelo etanol hidratado, pois o etanol anidro possui maior custo.
4.Trocar parcialmente uma matriz renovável por uma matriz fóssil.
E só quem paga tudo isso (e inclusive sofre com o ambiental/saúde) é o único pagador final de todos os custos, o brasileiro médio, que inclusive, continua a comprar os mesmo carros que entopem nossas cidades e simultaneamente, pois é de sua natureza, requerem mais combustíveis.
Não diria uma catástrofe, mas um quase fiasco.



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segunda-feira, 21 de março de 2011

Custos ocultos e desejos de consumo

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O custo do assistencialismo

Já tratei de assistencialismo em Discussões sobre custos, mas aqui, acrescentarei um detalhe. Independente da obrigatoriedade para a motivação ao trabalho, da cobrança do tornar-se o assistido independente em tempo hábil, todo assistencialismo que não visa  a geração de riqueza adiante no tempo está destinada a gerar, no balanço final, mais pobreza que o estado anterior.

Expliquemos.

Mesmo no caso do keynesianismo mais radical, numa primeira etapa de "cavar-se buracos e cobrir-se depois", tem-se sempre de ter em vista mais adiante a cobertura dos custos destes programas. Evidentemente, Economia não é Contabilidade, onde, a exemplo da imagem que já apresentei, ao ter-se uma superfície coberta de areia, ao deslocar-se um volume de um local, abre-se um buraco. Mas para "fatias" estreitas de tempo, um modelo de partidas dobradas, completamente contábil, pode ser aplicado. Ao retirar-se das porções mais ricas da sociedade um determinado volume de capital, e repassá-lo às massas mais pobres, este mesmo volume é apenas transferido, porém, esta própria operação gera custos, e portanto, torna a sociedade um tanto mais pobre, enfrentando o que chamo de "o atrito dos custos", com minha peculiar maneira de ver a Economia com metáforas de Física.

Assim, independente das classes mais abastadas absorverem num primeiro momento o repasse, e adiante o transferirem, como custo, obviamente, às massas consumidoras de serviços e produtos que administrem (ou possuam), o custo burocrático, operacional, e mesmo fugas de capital (para não citar diretamente corrupção), serão absorvidas por toda a sociedade, e pelo mesmo mecanismo de repasse dos mais ricos, pago apenas pelos mais pobres.

Assim, todo assistencialismo, quando não focado no futuro enriquecimento (pois me parece que seu objetivo é tornar pobres menos pobres), leva ao empobrecimento geral de uma sociedade.



O trabalho nos livra de três grandes males: o tédio, o vício e a pobreza. - Voltaire


Novas necessidades

Jamais encontrei um homem que não tivesse mais desejos do que necessidades. - Voltaire

Chegada a virada do século XIX para o XX, os publicitários novaiorquinos perceberam que a capacidade de produção dos bens estava se tornando superior às necessidades do mercado a serem atendidas,  e também, que os preços dos bens estava diminuindo (exatamente pelo mesmo aumento da escala de produção).  Marx observou este fenômeno, e supôs um inexorável colapso do sistema capitalista, na verdade, um erro de premissas.

A partir desta percepção, os publicitários, ligados aos grandes "aristocratas industriais", desenvolveram a permanente oferta de novos (repito, novos) bens, que passariam a ser as novas supostas, relativas, subjetivas, "necessidades". Vide todo o mercado de objetos de bazar, das cozinhas aos banheiros, os eletrodomésticos, as mirabolantes engenhocas, aquelas com as quais "seus problemas acabaram".

Somou-se a isto a obsolescência programada, a permanente mudança de arquitetura. Cito como exemplo a caríssima placa de som que certa vez comprei, que ao trocar de micro, digamos, o restante da máquina, era inadequada (incompatível é o termo do ramo) para ser instalada na nova arquitetura. Aí se somam gabinetes, fontes, etc. Nem necessitamos falar de desastres do passado, como o falecido "vídeo disco". Perceba-se a correria às lojas pelos novos pads e celulares, quando a maior parte dos usuários, sabemos, usa as mesmas funções do celular de 5 anos atrás e nem mesmo tem uso para todas as funções do pad que acabou de ser julgado "obsoleto".

Não só se necessita hoje da "angústia do não ter", mas da "angústia de não ter o que você nem sabe se necessita".


Dê-nos os bens, quer os peçamos ou não, e afasta de nós os males mesmo que os peçamos. Esta oração me parece bela e segura. Se nelas encontras algo a censurar, não o escondas. - Platão



A insustentabilidade da crescente produção

Nos anos 50, em pleno baby boom, a Warner produziu um desenho animado com Patolino e Gaguinho, no qual Patolino é o vendedor de ações, e o Gaguinho, nada mais natural, o provável cliente.

Após mostrar que ao comprar ações, mais produtos são produzidos mais baratos, para que mais trabalhadores tenham seus empregos, maiores salários e comprem bens, Gaguinho pergunta com uma sabedoria que julgo perfeita:

-Mas quando isso termina?

Ao que Patolino responde, com a insânia típica de uma era de ufanismo desmedido:

-Nunca.



O calor perdido como limite

Claro que toda a produção de bens tem limite, mesmo numa escala forçada como a dos ambientes de ficção científica, universos imaginativos típicos de otimismo e abundância, basta ver os recursos de materiais, energia e conforto das ficções mais utópicas (evidentemente, as distópicas rumam por um pessimismo mesmo a partir de nosso estado de coisas).

Nosso consumo de energia está superando em crescimento a escala da economia. Para cada , digamos dólar que geramos de riqueza, gastamos um tanto  mais que antigamente, para cada dólar, de energia, em diversas formas. Num exemplo, enquanto a economia chinesa cresce 10%, seu consumo de energia dispara na direção de 20%. O próprio Brasil apresenta este dipo de defasagem entre o crescimento da economia e energia.

No caso do Brasil, basta ler este artigo:

Consumo de energia no País cresce 6,5% em janeiro - economia.estadao.com.br

Para mais dados, recomendo:

World Energy Demand and Economic Outlook


O problema é que a entropia, a segunda lei da termodinâmica, determina que parte desta energia, em cada etapa, sempre se transformará em calor. Stephen Hawking  trata disto, em O Universo numa Casca de Noz, e já mostra que tal levará a superfície do planeta, no ritmo que estamos, nos p´roximos 600 anos, a atingir a temperatura que chamamos, em Física e Engenharia, de "ao rubro". Coloquemos aqui que esta temperatura corresponde a uns 600°C, mas acredito que parece óbvio que bastam uns 50°C, a desagradável temperatura de uma sauna.

Tratei do tema, de um ótica mais científica, aqui: Humanidade Como Força Geológica II - A escala da produção de energia

Tal como uma colônia de bactérias (o que, cladisticamente, somos) nos comportaremos dentro de uma curva s. Talvez com um longa fase estacionária, e procurando fazer de tudo para não cairmos numa fase de "morte".




Assim, o equilíbrio entre o ente natureza e o ente capital, operados pelo ente trabalho, terão de tender a sustentabilidade, até por barreiras intransponíveis pela simples biologia. Logo, o capitalismo evidentemente tem limites em sua marcha, e teremos de mudar muitos de nossos hábitos e limitar muitos de nossos permanentes novos desejos de consumo. Teremos, por irônico que possa parecer, de nos tornarmos mais econômicos.

A maioria das pessoas não planeja fracassar, fracassa por não planejar.  - John L. Beckley

De nada serve ao homem conquistar a Lua se acaba por perder a Terra. François Mauriac




Extras

Desconfia dos pequenos gastos: são os arroios que formam os grandes rios.

Contrair dívidas é o mesmo que fazer dos outros donos dos nossos atos. 


Benjamin Franklin

1)

Os preços dos alimentos responderam por 60% do aumento da inflação pelo índice IPCA, que atingiu 0,83% em novembro de 2010, maior resultado pelo IBGE em mais de cinco anos. Os alimentos subiram 2,22 %, o maior aumento em 8 anos. Ítens sem possibilidade de choque de oferata apresentam aumento acumulado de 11,02 % para empregados domésticos, 8,47% para refeições, 6,64% para escolas, 7,47% para passagens de ônibus urbanos e 6,24% para planos de saúde.

2)

Também em novembro, o Itaú-Unibanco realizou um leilão de direitos de crédito de 450 imóveis. A inadimplência apresenta uma curva clara:

De 1 a 2 anos: 1,5%
De 3 a 4 anos: 6%
Acim de 10 anos: mais de 8%.

8% dos contratos já apresentam atrasos de 3 prestações; 12% para até 5 prestações atrasadas.

Notemos que este quadro se configurou num período de aumento de renda e baixo desemprego.


3)

Ainda neste período de novembro, republico:

Originalmente publicado na página do mandato do deputado Ivan Valente - http://www.ivanvalente.com.br/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Governo estimula a farra dos rentistas internacionais e depois reclama de “guerra cambial”


Por Rodrigo Ávila, economista

O governo brasileiro está preocupado com a chamada “guerra cambial”, ou seja, a desvalorização de moedas por parte de governos como os EUA e China. Isto dificulta as exportações brasileiras e barateia as importações, gerando grande rombo nas contas externas e destruição da indústria nacional. Como consequência, o setor que mais tem gerado empregos atualmente é o de serviços, e não o industrial.

Na última semana, o FED (Banco Central Norte-americano) decidiu injetar mais US$ 600 bilhões na economia, o que gerará mais desvalorização da moeda americana.
Porém, a grande desvalorização do dólar frente ao real tem sido, na verdade, estimulada pelo governo nos últimos anos, por meio do estabelecimento das maiores taxas de juros do mundo, que atrai dólares do mundo inteiro. Em 2006, o atual governo isentou de imposto de renda os ganhos dos estrangeiros com a dívida interna. Agora, assustado com o enorme fluxo estrangeiro, tenta tributá-lo com o IOF.

Além dos juros, os investidores também ganham com a desvalorização do dólar. Isto porque, quando o dólar cai, eles podem remeter a seus países de origem mais dólares do que trouxeram originalmente, visto que o dólar se desvalorizou frente ao Real. Este lucro adicional também é obtido por bancos brasileiros que tomam empréstimos lá fora a juros baixos para aplicar em títulos da dívida brasileira.

E quem banca este ganho? O Banco Central, que compra os dólares dos investidores e fica com o “mico”, ou seja, o dólar, que tem se desvalorizado. Por outro lado, o BC acumula uma montanha de reservas internacionais em dólares e as aplica principalmente em títulos da dívida dos EUA, que não rendem quase nada, e ainda financiam as políticas estadunidenses. Esta política gerou um prejuízo gigantesco ao Banco Central em 2009: R$ 147 bilhões, que segundo a chamada “Lei de Responsabilidade Fiscal”, tiveram de ser cobertos pelo Tesouro.

Se, por um lado, o BC diz que as compras de dólares são necessárias para se tentar evitar mais desvalorização do dólar, por outro lado analistas do próprio mercado financeiro reconhecem que esta política estimula ainda mais os investidores a trazerem dólares para o Brasil, pois têm a certeza de que o BC irá comprá-los, coisa que ninguém mais quer.

Dívida pública

Agora, boa parte destes R$ 600 bilhões injetados na economia americana virão para o Brasil, para ganhar com a dívida interna, e serão comprados pelo Banco Central, que novamente fará tudo que os EUA mais desejam: comprar mais títulos da dívida dos EUA, financiando as políticas estadunidenses, como o salvamento de bancos falidos.

Para acabar com esta farra dos rentistas e combater de verdade a “guerra cambial”, é necessário reduzir significativamente as taxas de juros, controlar os fluxos de capitais – impedindo que os especuladores internacionais venham aqui para lucrar às custas do povo – e, principalmente, auditar a dívida pública, repleta de graves indícios de ilegalidades, conforme mostraram as investigações da recente CPI da Dívida na Câmara dos Deputados.




O ajuste fiscal continua

Em sua primeira semana como presidente eleita, Dilma Rousseff se manifestou sobre medidas a serem tomadas na esfera econômica de seu futuro governo. Já no primeiro discurso após a divulgação dos resultados eleitorais, Dilma garantiu aos rentistas, “acima de tudo”, o “compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados”. A proposta orçamentária para 2011, encaminhada pelo próprio governo Lula ao Congresso, em agosto, garante metade do orçamento para juros, amortizações e refinanciamento da dívida pública.

Segundo Dilma, o superávit primário deve ser mantido em 3,3% do PIB nos quatro anos de seu governo, de forma a permitir a redução da dívida pública. A idéia seria permitir que a taxa de juros real caia para 2% ao ano, sob a justificativa de que, com medidas de “austeridade fiscal”, a inflação seria contida e o mercado se convenceria do compromisso do governo com o pagamento da dívida.

Porém, o país pratica altíssimos superávits primários há mais de uma década e continuamos a praticar a maior taxa de juros do mundo.

Tudo indica, portanto, que os rentistas seguirão atendidos em suas demandas, enquanto a população seguirá sofrendo com o ajuste fiscal. Neste sentido, uma das medidas que pode ser implementada pelo governo Dilma é o Projeto de Lei Complementar 549/2009, originário do Senado, que congela o salário dos servidores por 10 anos. O PLP limita o crescimento do gasto com pessoal à inflação mais 2,5% ao ano (ou o crescimento do PIB, o que for menor), o que mal cobre o crescimento vegetativo da folha, e impede a necessária expansão dos serviços públicos no país.

Apesar deste PLP já ter sido rejeitado por unanimidade em maio deste ano na Comissão de Trabalho da Câmara, ele segue a sua tramitação, e ainda pode ser aprovado em Plenário.

4)

De: http://tukascaletti.blogspot.com/2010/11/mais-imposto-o-estado-de-spaulo.html

sábado, 20 de novembro de 2010



Mais imposto - O Estado de S.Paulo

Desde o início do Plano Real, há mais de 15 anos, a história do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) tem sido a história do aumento disfarçado da carga tributária. É cada vez maior a fatia de sua renda que o trabalhador brasileiro precisa entregar para a Receita Federal. Mesmo nos anos em que o Fisco - sempre implacável quando se trata de buscar meios para assegurar o crescimento real da arrecadação - aceitou a contragosto a imposição legal de corrigir a Tabela do IRPF, muitas vezes a correção não foi suficiente para evitar o aumento da carga tributária. Mas o pior para os contribuintes é quando nem essa correção insuficiente lhe é assegurada, como, a persistirem as regras atuais, acontecerá em 2011. O aumento do imposto será muito maior.


Muitas vezes, nos últimos anos, o contribuinte teve de lutar para evitar que o Leão avançasse cada vez mais sobre sua renda. Na década passada, no período de consolidação do Plano Real - cujos efeitos para a renda de todos os brasileiros foram, indiscutivelmente, benéficos -, a Receita rejeitou todas as formas de correção da Tabela do IRPF alegando que o objetivo do plano era justamente a desindexação da economia. Manteve, porém, a correção de suas receitas.


Para os contribuintes, a argumentação seria aceitável se a inflação tivesse desaparecido. Mas, embora baixa, ela continuou a existir, de modo que boa parte do aumento da renda auferida por eles era apenas reposição da inflação passada. Como a Tabela do IRPF não foi corrigida entre 1996 e 2001, muitos trabalhadores isentos do recolhimento passaram a recolhê-lo, mesmo que, em termos reais, sua renda não tenha crescido; os que já recolhiam sofreram aumento da alíquota. Ou seja, para os trabalhadores, a carga tributária aumentou por simples omissão da Receita e do governo.


Desde 2002, a Tabela do IRPF tem passado por correções, mas de maneira espasmódica. Houve correção em alguns anos, mas não em outros. A regra em vigor em 2010 foi definida por uma medida provisória editada no fim de 2006 e que se transformou em lei em 2007. A lei estipula a correção da Tabela do IRPF de 4,5% ao ano até 2010. Para 2011, não há nenhuma correção prevista. (Em 2008, foram criadas duas novas alíquotas, de 7,5% e 22,5%, que continuarão valendo no próximo ano.)


A não correção da Tabela do IRPF resulta em distorções expressivas, com a taxação cada vez mais pesada justamente para os que ganham menos, como mostram estudos que o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) tem feito com regularidade. O mais recente, cujas conclusões foram publicadas pelo jornal O Globo, mostra que, se a tabela tivesse sido corrigida de acordo com a inflação acumulada entre 1995 e 2010, um trabalhador com renda mensal de R$ 2.500 recolheria mensalmente ao Fisco R$ 11,26; com as correções apenas parciais da tabela, ele é obrigado a recolher R$ 101,56. Em termos porcentuais, a comparação é assustadora: esse contribuinte paga 800% mais do que pagaria se a tabela tivesse sido corrigida totalmente. Em 2011, se nada mudar, o adicional será maior.


Para resistir às pressões dos contribuintes pela correção da tabela, a Receita alega que a medida implica "renúncia fiscal", isto é, a concordância do governo em abrir mão de uma receita certa. Mas esta é uma receita que o Fisco só consegue obter utilizando artimanhas contra o contribuinte - pois a não correção da tabela não passa de um ardil tributário -, razão pela qual não se pode falar em "renúncia". Se a tabela fosse corrigida, o Fisco não estaria abrindo mão do que é seu, mas simplesmente deixando de arrecadar o que não é devido.


Do ponto de vista fiscal, se o governo enfrenta dificuldades, é porque gasta demais e não tem mostrado disposição de reduzir suas despesas. Do lado da arrecadação, os números mostram que, com ou sem correção da Tabela do IRPF, a receita com esse tributo cresce continuamente. Nos nove primeiros meses de 2010, as pessoas físicas já recolheram R$ 13,04 bilhões, ou 7,3% mais, em termos reais, do que o arrecadado com o IRPF em igual período de 2009.


5)

A recente visita de Obama trouxe mais uma vez à luz o debate sobre os subsídios ao etanol de milho dos EUA.

Aliás, assunto que vem sendo martelado há tempos na imprensa:

Esquenta a discussão sobre subsídios ao etanol nos EUA


Fim do protecionismo aos produtores americanos reduziria o preço do etanol em 12 centavos de dólar por galão em 2011, revela estudo - 11/10/2010 - veja.abril.com.br


Deixemos algumas coisas bem claras:

1.Se produzir álcool barato fosse apenas o único negócio viável, não se produziria bebidas destiladas caríssimas pelo mundo a fora. Exemplificando, os escoceses não produziriam whisky, os estadunidenses não produziriam bourbon e sour mash, diversos países da europa não produziriam as mais caras vodkas, etc.
2.Do acima, percebo que a cadeia de produção de etanol dos EUA é muito mais geradora de riqueza que a brasileira. O produtor é mais bem pago, o trabalhador igualmente e mesmo assim, o consumidor economiza, pois nos EUA, se tal não ocorresse, também na questão de independência e ambiental, o etanol não seria consumido. Como exemplo disso, por este motivos, os suecos consomem álcool de conhaque (de uvas), caríssimo, pelos motivos ambientais, e pagam por isso.
3.Igualmente, é muito mais flexível, pois eu, por exemplo, nem caldo de cana tomo, e sei que todos que venham a me ler não comem cana, nem algumas de suas partes.
4.Também, a estrutura do etanol de milho é adaptável em boa parte à produção de etanol celulósico, que usará a palha do milho, a grama cortada dos campos de golfe, a grama dos jardins, etc, nova onda tecnológica na área, que os EUA dominam e até avançam para outros campos, e nós, não.
5.Os EUA comprarão etanol brasileiro,  mais cedo ou mais tarde, simplesmente pois sua demanda cresce, e dele necessitará.

E sejamos diretos e claros: os EUA já dominam a produção de "bioquerosene" para jatos, existe até documentário da Discovery sobre o tema. O que querem, é mercado, e talvez, parque industrial para suas patentes, longe de poluir ou gerar custos em suas terras.

Para saber mais: Biocombustíveis, um Knol meu sobre o tema, até com referências sobre "bioquerosene".


6)

Claro que não tardaria para eu ter de fazer um "em tempo" nesta blogagem.

O governo, o único culpado, acaba de fazer com que o etanol torne-se iniável na maior parte do território brasileiro, com exceção, se não me engano, do mato Grosso.

Se não conseguimos nem atender nossas necessidades a custo viável, como, ou para quem, vamos conseguir exportar?

Com alta de 30% em um ano, etanol passa de R$ 2 em Curitiba - http://www.intelog.net/

Etanol chega já custa dois reais - http://www.ifronteira.com/

O fenômeno já dava seus sinais há tempo:

Etanol terá reajuste esta semana - 05/01/11 - http://www.udop.com.br/

http://www.ifronteira.com/


-Você saqueou inúmeros castelos ingleses, perturbou a vida das pessoas e as forçou a abandonar seus lares. Já pensou em abrir um banco? - Um juiz para Hagar, "O Horrível", hilário personagem de Chris Browne

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