sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Crise de dívida - 2

  

Segundo de uma série traduzindo o artigo da Wikipédia em inglês sobre o conceito, com acréscimos.


Traduzido de: en.wikipedia.org - Debt crisis 

Crises de dívida atuais e recentes


Europa


Crise da dívida europeia

 

A crise da dívida europeia é uma crise que afeta vários países da zona do euro desde o final de 2009. [7] [8] Os Estados-Membros afetados por esta crise foram incapazes de pagar as suas dívidas governamentais ou de resgatar instituições financeiras endividadas sem a assistência de terceiros (nomeadamente o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu). [Kincaid]  As causas da crise incluiu empréstimos de alto risco e práticas de endividamento, estouro de bolhas imobiliárias e grandes gastos deficitários. [9]  Como resultado, os investidores reduziram a sua exposição aos produtos de investimento europeus e o valor do euro diminuiu. [10]   


CDS (credit default swap) soberano mostrando uma perda temporária 

de confiança na qualidade de crédito de alguns países da UE. O eixo 

esquerdo está em pontos básicos; um nível de 1.000 significa que custa 

$ 1 milhão para proteger $ 10 milhões de dívidas por cinco anos.



Em 2007, a crise financeira global começou com uma crise no mercado de hipotecas subprime nos Estados Unidos e evoluiu para uma crise bancária internacional completa com o colapso do banco de investimento Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008. [11]  A crise, no entanto, foi seguida por uma desaceleração econômica global, a Grande Recessão. A crise da dívida europeia, uma crise no sistema bancário dos países europeus que usam o euro, veio mais tarde. 


Nos mercados de dívida soberana dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha) criou-se uma pressão de financiamento sem precedentes que se espalhou para os bancos nacionais dos países da zona do euro e o Banco Central Europeu (BCE) em 2010. Os PIIGS anunciaram fortes reformas fiscais e medidas de austeridade, mas no final do ano, o euro voltou a sofrer de estresse. [12]   


Causas 


A crise da zona do euro resultou do problema estrutural da zona do euro e de uma combinação de fatores complexos, incluindo a globalização das finanças, condições de crédito fáceis durante o período de 2002-2008 que encorajaram práticas de empréstimo e endividamento de alto risco, a crise financeira de 2007-08 , desequilíbrios do comércio internacional, bolhas imobiliárias que explodiram; a Grande Recessão de 2008–2012, as escolhas de política fiscal relacionadas às receitas e despesas do governo e as abordagens usadas pelos estados para resgatar setores bancários em dificuldades e detentores de títulos privados, assumindo encargos de dívidas privadas ou perdas sociais. 


Em 1992, membros da União Européia assinaram o Tratado de Maastricht, sob o qual se comprometeram a limitar seus gastos deficitários e níveis de endividamento. No entanto, no início dos anos 2000, alguns estados-membros da UE não conseguiam ficar dentro dos limites dos critérios de Maastricht e passaram a securitizar receitas futuras do governo para reduzir suas dívidas e / ou déficits, evitando as melhores práticas e ignorando os padrões internacionais. [13]  Isso permitiu que os soberanos mascarassem seus níveis de déficit e dívida por meio de uma combinação de técnicas, incluindo contabilidade inconsistente, transações fora do balanço patrimonial e o uso de moeda complexa e estruturas de derivativos de crédito. [13]   


A partir do final de 2009, após a recém-eleita Grécia, o governo do PASOK parou de mascarar seu verdadeiro endividamento e déficit orçamentário, temores de inadimplência soberana em certos estados europeus se desenvolveram publicamente e a dívida pública de vários estados foi rebaixada. Posteriormente, a crise se espalhou para a Irlanda e Portugal, enquanto levantava preocupações sobre a Itália, Espanha e o sistema bancário europeu e desequilíbrios mais fundamentais na zona do euro. [14]   


Referências


Kincaid, G. Russell. The IMF’s Role in the Euro Area’s Crisis: What Are the Lessons from the IMF’s Participation in the Troika? CHAPTER 5 - ieo.imf.org 


7."Timeline: The unfolding eurozone crisis". BBC News. 13 June 2012.


8.Blundell-Wignall, Adrian (2011). "Solving the Financial and Sovereign Debt crisis" (PDF). Organisation for Economic Co-operation and Development.


9.Brown, Mark; Chambers, Alex (September 2005). "How Europe's governments have enronized their debts". Euromoney.


10.Johnson, Steve (1 March 2015). "Investors slash exposure to the euro". Financial Times


11.Williams, Mark (12 April 2010). Uncontrolled Risk. McGraw-Hill Education. ISBN 978-0-07-163829-6.


12.Clark, Janet H. (14 December 2010). "The Debt Crisis in the Euro Zone". Encyclopædia Britannica.


13."How Europe's Governments have Enronized their debts”, Mark Brown and Alex Chambers, Euromoney, September 2005. 


14.Paul Belkin, Martin A. Weiss, Rebecca M. Nelson and Darek E. Mix "The Eurozone Crisis: Overview and Issues For Congress", Congressional Research Service Report R42377, 29 February 2012.  

  

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Crise de dívida - 1

  

Primeiro de uma série traduzindo o artigo da Wikipédia em inglês sobre o conceito, com acréscimos.


Traduzido de: en.wikipedia.org - Debt crisis 

 

Crise de dívida é uma situação em que um governo (nação, estado / província, condado ou cidade etc.) perde a capacidade de pagar sua dívida governamental. Quando as despesas de um governo são maiores do que suas receitas fiscais por um período prolongado, o governo pode entrar em uma crise de dívida. Várias formas de governo financiam seus gastos principalmente arrecadando dinheiro por meio de impostos. Quando as receitas fiscais são insuficientes, o governo pode compensar a diferença emitindo dívidas. [1]  


Dívida pública em percentagem do PIB, evolução dos EUA, Japão e das principais economias da UE.



Uma crise de dívida também pode se referir a um termo geral para uma proliferação de dívida pública massiva em relação às receitas fiscais, especialmente em referência aos países latino-americanos durante os anos 1980, os Estados Unidos e a União Europeia desde meados dos anos 2000 e a crise de dívida chinesa de 2015. [2] [3] [4] [5] [6] 

 

Dívida pública como porcentagem do PIB pela CIA (2012) - www.reddit.com 


“Parede” ou “Muro” de dívida


“Bater no muro” da dívida é uma situação financeira terrível que pode ocorrer quando uma nação depende da dívida externa e / ou investimento para subsidiar seu orçamento e, então, os déficits comerciais deixam de ser o receptor dos fluxos de capital estrangeiro. [GREGSON] A falta de fluxos de capital estrangeiro reduz a demanda pela moeda local. O aumento da oferta de moeda, juntamente com o aumento da demanda, causa uma desvalorização significativa da moeda. Isso prejudica a base industrial do país, pois ele não pode mais comprar os suprimentos importados necessários à produção. Além disso, quaisquer obrigações em moeda estrangeira são agora significativamente mais caras para atender tanto ao governo quanto às empresas.


Esse mesmo conceito também foi aplicado à dívida pessoal. Especificamente, tem sido aplicado a alunos que se atrapalham com empréstimos estudantis para financiar sua educação.


Devido ao endividamento crescente na China, uma ironia foi cunhada no título do livro de Dinny McMahon, China's Great Wall of Debt (“Grande Muralha da Dívida da China”), que tem o subtítulo Shadow Banks, Ghost Cities, Massive Loans and the End of the Chinese Miracle (“Bancos ‘Sombra’, Cidades Fantasmas, Empréstimos Maciços e o Fim do Milagre Chinês”):


“O país acumulou tantas dívidas tão rapidamente que os economistas preveem cada vez mais uma crise financeira que poderia fazer o 'Brexit' ou a ruína econômica da Grécia parecerem menores, e poderia minar a ascensão da China como superpotência. No início deste ano, o presidente Xi Jinping fez um apelo urgente por uma reforma que dê ao país até 2020 para transformar sua economia - um objetivo vagamente definido que a maioria dos economistas considera irrealista. Quer a China seja ou não responsável pela próxima recessão global, como prevêem alguns especialistas, o destino de sua economia terá consequências de longo alcance para o resto do mundo.” [FNAC]


Referências


FNAC - McMahon, Dinny. China's Great Wall of Debt. - Resenha - www.fnac.pt 


GREGSON, JONATHAN. Hitting a Wall of Debt. Global Finance . May 01, 2010. - www.gfmag.com  


1.Bondarenko, Peter (September 2015). "Debt crisis". Encyclopædia Britannica. Retrieved 29 March 2019. 


2.Jetin Duceux, Alice (December 2018). "An overview of Chinese Debt (Part 1)". CADTM


3."Europe Banks Selling Sovereign Bonds May Worsen Debt Crisis" - SFGate


4."Who is Handling Debt Crisis Better, United States or Europe" - US News  


5."Europe's Web of Debt" by Nelson D. Schwartz, New York Times


6. "How's the Argentina Recovery Coming Along?" by Tyler Cowen

  

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Colapso de dívida - Dívida pelo PIB


Faremos aqui uma releitura de um texto de Stephen Kanitz sobre a questão do volume de dívida pública em relação ao PIB, seu perfil no tempo, com algumas observações:



www.tk.partners  

  


E se a Relação Dívida/PIB Ultrapassar 100%? Estaremos Fritos? 

- www.kanitz.com.br 



A relação Dívida de um país como % do seu PIB tem sido usada sistematicamente por aqueles que querem disseminar pânico no setor financeiro, provavelmente ganhando com isto.


Você investiria em títulos do governo Brasileiro, se a dívida ultrapasse 100% do PIB?


Você exigiria um juro estratosférico para continuar financiando um país cuja dívida está prestes a ultrapassar 100%?


Como esta previsão ao lado?


Imaginem dever mais do que o PIB.


Quando o Brasil chegou a [uma dívida de] 60% do PIB em 1986, boa parte sendo uma dívida externa mais de 40 economistas brasileiros entre os quais Prof. Celso Furtado, Prof.a Maria Conceição Tavares, Prof. Paulo Nogueira Batista propuseram a Moratória da Dívida Externa, por considerá-la impagável.


Conseguiram a Moratória e uma década perdida.


O erro ou engodo sendo cometido é fácil de desmascarar.


Uma dívida é paga ao longo de 20 a 30 anos, especialmente se for de um país.


Dividir uma dívida a ser paga ao longo de 20 anos, pelo PIB de um único ano, é obviamente um erro monumental.


Multiplicar o PIB por 30 anos, seria uma fórmula mais apropriada, adequando a dívida ao seu prazo de pagamento.


Neste caso daria uma relação Dívida/PIB bem menor, aliás, 97% menor. 


Uma dívida que chega a "100%" do PIB, na realidade é uma dívida de somente 3,3% do PIB de 30 anos, isto se não houver crescimento.  


Se o PIB crescer 3% ao ano, algo razoável, então o número cai para 1.8% do PIB médio destes 30 anos. 



Observação desse editor: Um dos problemas é que nosso crescimento médio tem ficado bem abaixo desse crescimento “razoável”.

Citemos:


“Segundo as expectativas de mercado para o PIB de 2020 (-6,5%), a taxa média real de crescimento do PIB da década já está no território negativo (-0,1%). Ao se considerar as últimas (junho/20) projeções do FMI (-9,1%), a média da década atual passaria para -0,3% a.a..”


Década cada vez mais perdida na economia brasileira e comparações internacionais


Os últimos sete anos (2020, inclusive) foram desastrosos do ponto de vista de crescimento econômico, pelo somatório dos três fatores (forte recessão, recuperação lenta e gradual e coronavírus)


02/07/2020 - portal.fgv.br 



Retornando ao texto de Kanitz:


Entre pagar 100% em um único ano e 1,8% por ano por 30 anos há uma enorme diferença, mas quem não lê artigos escritos por Administradores e Contadores jamais ficará sabendo disto. 


Você consideraria sensato comprar uma casa e morar nela já, comprometendo 1,8% da sua renda por ano ? 


Você romperia como todos os Bancos Americanos lhe financiariam por 30 anos a juros de 3% ao ano ? É o que Celso Furtado e outros fizeram. 


Este indicador está novamente sendo veiculado na imprensa mundial, relativo a dívida "colossal" dos países Europeus e dos Estados Unidos



A dívida americana é de 360% do PIB, mas em 30 anos com um PIB e impostos crescentes, representa somente 7,5% por ano.


E 7,5% é bem mais confortável do que 360% pago em um único ano, que obviamente nunca é o caso. 


Que Bancos, Hedge Funds e Especuladores contratem  consultores para disseminarem pânico com estatística cientificamente apuradas, com o intento de aumentar os juros e a volatilidade é fácil de entender.


Tem professores acadêmicos morrendo de fome que se prestam a tudo, até mentir.

O que não entendemos é ver jornalistas econômicos comprometidos com a ética e apuração correta dos fatos, republicarem um engodo destes tão fácil de detectar.


Dívidas são pagas ao longo de vários anos, e não um ano só.


Além do fato que PIB nem é o indicador apropriado, mas para isto é necessário entender um mínimo de Administração e Contabilidade, que deixaremos para mais tarde.



Extras


1


Mas...


O problema do fluxo crescente, de balanço não nulo, em permanente déficit


Tenho ao longo dos últimos anos feito anotações sobre o crescimento da dívida em relação ao crescimento do PIB, sempre apontando para um colapso da dívida.


Um comentário simples e direto nesse artigo de Stephen Kanitz:

“A dívida não se paga em um ano, mas o serviço da dívida é cobrado todo ano. E o Brasil não consegue pagar nem isso (por isso não temos superávit nominal).


Se o país chegar ao ponto em que não pode pagar o serviço da dívida, declara moratória.”



Amostra de anotações do ano de 2017:


Dívida pública sobe 0,32% em abril e fica em R$ 3,23 trilhões - agenciabrasil.ebc.com.br


0,32%/m o que corresponde a índice de 1+(0,32/100)=1,0032 que dá um índice anual de 1.0032^12=1.039 que corresponde a 3,9%, “colado” na inflação.


Destaque-se do artigo:

“Com relação ao estoque da Dívida Pública Federal Externa, captada do mercado internacional, houve aumento de 0,81% sobre o estoque apurado em março, encerrando o mês de abril em R$ 121,28 bilhões (US$ 37,92 bilhões). "A variação ocorreu principalmente devido à desvalorização do real frente às principais moedas que compõem o estoque da dívida externa", diz relatório do Tesouro.”

“De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), a dívida pública poderá fechar este ano entre R$ 3,45 trilhões e R$ 3,65 trilhões.”


Esta é a dívida líquida, a bruta é muito maior e o relatório ainda não foi divulgado.


No último:


“A DBGG (Governo Federal, INSS, governos estaduais e municipais) alcançou R$4.527 bilhões em março (71,6% do PIB), elevando-se 1,0 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.”


R$4,527 trilhões / 206 milhões brasileiros (2017) = R$ 21.975 por cabeça


2


2.1


“Antes da pandemia, o rombo previsto nas contas públicas era de R$ 115 bilhões, segundo o estudo “Impacto Fiscal da Pandemia: Andando sobre Gelo Fino”, coordenado por Marcos Lisboa. O déficit agora estimado de R$ 1,2 trilhão representa um aumento de dez vezes em relação às projeções anteriores. Se nada for feito, a insolvência será inevitável e, junto com ela, virá o encolhimento do mercado e crescimento da pobreza. O Brasil, neste momento, é uma nau à deriva que está indo firmemente em direção a um iceberg.” 


O Brasil caminha para a insolvência


Aumento da dívida pública e queda do PIB se combinam de maneira dramática por causa da crise do coronavírus e podem levar o País ao colapso econômico a curto prazo


Vicente Vilardaga - 22/05/20 - istoe.com.br 


2.2


“Déficit nominal 


O setor público consolidado registrou um déficit nominal de R$ 1,015 trilhão em 2020, o Banco Central. Em 2019, o resultado nominal havia sido deficitário em R$ 429,154 bilhões. O montante de 2020 equivale a 13,70% do PIB. 


O resultado nominal representa a diferença entre receitas e despesas do setor público, já após o pagamento dos juros da dívida pública. Em função da pandemia do novo coronavírus, que reduziu a arrecadação dos governos e elevou as despesas, o déficit nominal tem sido mais elevado nos últimos meses.”


Setor público tem rombo de R$ 702,95 bi em 2020, equivalente a 9,5% do PIB


Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues - 29/01/2021 - economia.uol.com.br 

 


O antigo "ame-o ou deixe-o" já pode estar virando "suporte-o ou deixe-o".


3


Devo urgente a tradução:

en.wikipedia.org - Debt crisis  

 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Protecionismo, um tiro no pé

 

"O protecionismo é como trancar a si mesmo em um quarto escuro. Embora o vento e a chuva sejam mantidos lá fora, também o serão a luz e o ar" - Xi Jinping 



www.sinaldetransito.com.br 



De um antigo diálogo em alguns desses blogs da vida, aproximadamente lá por 2011.


Por essa época, um deputado (Mendonça Filho) apresentou projeto para derrubar um aumento de 30% no IPI de carros importados, levantando bons argumentos


Projeto susta aumento de IPI de carros importados - 22/09/2011 - www.camara.leg.br 


Sabemos que desde os tempos de Collor a concorrência com veículos importados vinha estabelecendo novos padrões de preço e qualidade para a indústria brasileira.


Somando a uma postagem nossa anterior, o preço dos automóveis no Brasil é 130% superior ao dos EUA, 94% ao realizado no México e 74% maior do que o valor de venda na Argentina. 


Discutíamos na época se esse aumento de IPI viria a melhorar o desempenho da indústria brasileira. Carros tem uma certa subjetividade como produto, um afeto e apego, e faz parte da cultura do mercado consumidor brasileiro sempre tem como “sonho de consumo” adquirir um carro melhor. 


É quase uma unanimidade que carros importados são melhores que os nacionais, ou, no mínimo, há uma oferta de mais carros melhores no exterior que os ofertados na média pelo mercado nacional. Mais uma vez concluímos que o Governo deve ter se dobrado à pressões das três grandes montadoras nacionais. 


Como observado por um dos envolvidos no diálogo, esse IPI só serviria para institucionalizar o velho "esquema carroça" (Collor criou seu jargões, e talvez estes tenham se tornado permanentes na nossa cultura para estudar o mercado brasileiro), e levantava-se dúvidas de se Volks, GM e Fiat venderiam fora o produziam (e ainda produzem) aqui.


Analisamos à época que os carros mexicanos e argentinos, em compensação, muitos importados exatamente por montadoras estabelecidas no país, com diversas vantagens nas operações, obteriam uma boa fatia do mercado.


Em paralelo, percebíamos que o setor de autopeças iria ter de se esforçar para dar conta das demandas superaquecidas do mercado.


A importação de carros tinha, na verdade, fomentado a instalação de novas montadoras no Brasil, até por custos logísticos, por uma tendência geral de globalização da produção e distribuição desta grande indústria. O aumento do IPI iria retirar a necessidade do carro nacional concorrer, e consequentemente, os avanços de tecnologia, economia e até de design, desnecessários.


Um editorial sobre o tema, que gerou a conversa, à época:


A volta do cacoete do protecionismo (Editorial) - Nos nossos arquivos: docs.google.com 


É de se observar, que passada quase uma década, o pânico já se estabelece, e invariavelmente, se cai em contradições com “defesa de uma indústria nacional”:

É hora de agir para reconstruir a indústria - 

Não se devem repetir políticas protecionistas, mas expor o setor e toda a economia à competição - Editorial - 07/04/2019 - oglobo.globo.com 


Copiado em:  wiy.com.br  


Nos nossos arquivos: docs.google.com 


Rio Grande do Sul, Bahia, uma disputa, muita ideologia, alguma política e a Ford



Assisti no Rio Grande do Sul o governo PT entrar em atritos com a Ford na implantação de sua unidade de grande escala de produção na cidade de Guaíba (notemos a proximidade com o território argentino).

Houve um momento que chegou a ser feito um “ultimato” por parte da montadora, algo como “em tantos dias, ou aprovam o projeto ou o abandonamos”. Nesse momento, houve a mentalidade “quem a Ford pensa que é?!” - como coisa que não fosse das maiores montadoras / empresas do mundo - e após isso, em poucos dias, a montadora recebeu a fatal para o estado do RS proposta da Bahia, e como vemos, fundamental até para a própria estratégia da empresa na América do Sul, e futura vantagem para a Argentina.

Houve naquele momento a irracionalidade de perder-se algo que nunca se teve (um volume de arrecadação, com certo período de incentivos) e depois jamais passar a ter uma coisa que um dia poderia se ter tido.



“A receita que você nunca teve não vai ser perdida ao continuar a não tê-la.” 



O óbvio, e pior ainda se esquecemos das alterações no futuro:


Ford pagou R$ 200 milhões em impostos na Bahia no ano de 2019 - 12 de janeiro de 2021 - politicalivre.com.br


A peça chave, todos sabemos, para a transferência do projeto para a Bahia foi Antônio Carlos Magalhães.


Fábrica da Ford na Bahia gera atrito entre ACM e FHC - 07 de Julho de 1999 - www1.folha.uol.com.br 


ACM diz que brigou para levar Ford à BA - 23 de setembro de 2000 - www1.folha.uol.com.br


É de se destacar a posição logística em termos de Brasil vantajosa da Bahia, e a interação de fornecimentos com o pólo de Camaçari.

Devemos lembrar, só para entender os sinergismos de uma montadora e o que poderia propiciar apenas à cidade de Guaíba quando vemos o que ocorreu com Gravataí, mesmo com uma unidade de produção da General Motors bem menor.

Não são apenas os empregos e impostos da unidade de produção central, e também não se encerra nos sistemistas, mas até o bares, restaurantes e lojas de quaisquer bens triviais de consumo para as famílias dos trabalhadores que entrarão num equacionamento de uma industrialização desse porte.

Devemos lembrar que estão envolvidas as estratégias globais da Ford, suas novas plataformas e modelos que passarão a ser seus produtos carro-chefe (sem trocadilhos), e adiante, fugindo de uma Miopia em Marketing, a alteração de todos os paradigmas da indústria para os carros elétricos.



É uma decisão de negócio global, diz especialista sobre saída da Ford do Brasil - 11 de janeiro de 2021 - www.cnnbrasil.com.br 


Destacamos:

“Segundo Bacellar, não é de hoje que a montadora, além de não apresentar bons resultados nas operações no país, também tem se deparado com grandes desafios em nível internacional.


“Quando ela fechou a fábrica de São Bernardo, há pouco tempo, no mesmo ano ela também tomou a decisão nos Estados Unidos, que é um mercado pujante, de restringir o seu line-up, focar em modelos de veículos que eram mais rentáveis”, disse.


“Não é uma decisão específica no Brasil, é uma decisão de discussão de negócio global. A Ford precisava muito focar investimentos na China e precisava deslocar investimentos para poder viabilizar essas estratégias de negócios. É um mix de elementos.” ”


Por que a Ford decidiu trocar o Brasil pela Argentina? - economia.estadao.com.br


Destacamos:

“Isso porque, nos SUVs, é possível acrescentar um maior volume de ferramentas tecnológicas. “Nesse século, o carro vai ser um computador sobre rodas. O movimento da Ford segue essa tendência. Não tem como embarcar muita tecnologia em um Fiesta, porque o preço não comporta.”


Saída da Ford do Brasil reflete mudanças na indústria automotiva - diariodonordeste.verdesmares.com.br 


Destacamos:

“As transformações da indústria automobilística para atender novas demandas de mercado vêm provocando rápidas mudanças na estratégia das montadoras, que agora enfrentam o desafio de aumentar a competitividade ao mesmo tempo em que têm de fazer grandes investimentos em desenvolvimento e pesquisa. Os carros elétricos e autônomos, por exemplo, já são uma realidade nos Estados Unidos e Europa e em breve estarão no Brasil, impactando toda a cadeia do setor.


Os analistas dizem que a indústria automobilística vem tentando se reinventar no mundo todo, e uma das alternativas é focar nos veículos elétricos e híbridos, processo que exige elevados investimentos. A corrida para chegar a produtos viáveis nos mercados globais está deixando para trás empresas e países que entraram tarde, ou ainda nem participam dessa disputa, avalia Cássio Pagliarini, da Bright Consulting.


A perspectiva é que nesse cenário apenas incentivos fiscais não sejam mais suficientes para atrair investimentos no setor, que dependerá cada vez mais de infraestrutura e, sobretudo, de mão de obra qualificada. O fim da produção da Ford no Brasil e, consequentemente, de sua subsidiária Troller, no Ceará, apontam para essa tendência.”



Sobre a América Latina, somemos:

Indústria automobilística recua na América Latina


Situação da indústria na região tem perdido fôlego, à exceção do México, que tem sua produção alavancada com a recuperação dos Estados Unidos


15/10/2014 - exame.com 


Grandes montadoras perderam R$ 22 bi em 4 anos na América do Sul


Entre o início de 2014 e dezembro de 2017, Ford, GM e Volks tiveram perdas bilionárias. Para voltar ao azul, estão se reestruturando


01/03/2018 - exame.com