terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Falácias de Alices (IV)

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A falácia do capitalismo como antiecológico


A afirmação das Alices é que o o capitalismo causa e implica necessariamente em poluição e destruição do meio ambiente.

Como coisa que para atender a produção de bens, ou mesmo permitir determinado nível populacional*, e nesta população permitir determinado nível de consumo, os meios de produção num sistema comunista não destruiriam o meio ambiente.

Aliás, a existência humana destrói o ambiente por si, apenas podemos discutir em que nível/escala tal fenômeno ocorre.

*Sem tratar do detalhe que a no passado marxista China já era o país mais populoso do mundo.

Mas no passado, curiosamente, os regimes totalitários com arremedos de sistemas socialistas foram os maiores destruidores de seus ambientes.




Sumgayit, no Azerbaijão, na antiga União Soviética, afetou uma população de 275 mil, com produtos químicos orgânicos, petróleo e metais pesados, incluindo mercúrio, de suas unidades petroquímicas e complexos industriais.



Sumgayit

Sim, pois repetimos, mesmo Alices necessitam polímeros, combustíveis, calefação e até tintas anticorrosivas para seus navios, carros e estruturas, mesmo num cinza mundo sem as burguesas cores consumistas.


Já Linfen, na China, mesmo desde seu período maoísta, afeta uma população de cerca de 3 milhões, com fuligem (pois combustões e seus resíduos sólidos num mundo de Alices devem ser uma fenomenologia química capitalista burguesa), monóxido de carbono (pois as combustões incompletas não reparam nas flâmulas vermelhas dos trabalhadores unidos), óxidos de nitrogênio (pois o básico da química não se importa com mantra de união entre as classes trabalhadoras), dióxido de enxofre (pois o maldito enxofre pouco se importa com os símbolos a serem escolhidos para os trabalhadores das indústrias, do campo e burocratas), compostos orgânicos voláteis (que não se importam com a opinião do comissário do partido designado para a quadra onde fica a fábrica), arsênico e chumbo (pois as estrelas que os produziram e a história da vida ao tratar estes elementos como tóxicos não se preocupou com o materialismo dialético). A fonte da poluição desta região deve-se especialmente à produção de automóveis e às emissões industriais, pois também os trabalhadores mais qualificados no mundo de Alices sempre preferiram melhores acomodações em seu transporte, e mesmo com os párias andando em sujos trens, igualmente precisavam desde tintas até graxa para mantê-los andando.
Esta cidade era o maior centro industrial da extinta União Soviética, com mais de 40 fábricas, destacando-se as de implementos agrícolas (pois Alices também tem de plantar eficientemente). Entre os produtos mais danosos à saúde encontrados em Sumgayit estão borracha sintética (Alices necessitam diversas impermeabilizações), o cloro (Alices também tratam água), o alumínio (também cozinham seus peixes em panelas e constroem aviões), os detergentes (Alices limpam suas panelas e até suas cozinhas) e pesticidas (pois ao que parece, besouros e outros insetos pouco se lixam para o mundo feliz das Alices). Esta cidade apresenta uma das taxas de mortalidade infantil mais altas do planeta e é recorrente o nascimento de crianças com câncer (pois células contaminadas mesmo de Alices tendem a se comportar como bem entendem), deformações e síndrome de Down (pois mutações não se preocupam muito se quem as porta é capitalista selvagem ou comunista de carteirinha).

O lugar é o centro da indústria chinesa de carvão (energia é também, repetimos, necessidade de Alices) e, também, uma das regiões mais populosas do país (Alices também, necessariamente, se reproduzem ao longo do tempo). Os últimos anos fizeram explodir os índices de bronquite, asma, pneumonia e câncer de pulmão (alices respiram, mesmo sob as ordens contrárias do mais tirano dos ditadores). A arsenicose, doença que aflige quem toma a água local (cujo teor de arsênico é considerado irresponsável pela OMS), já é uma epidemia (água tóxica, como a que ocorre também no capitalista e miserável Bangladesh, não é atributo do sistema econômico, e sim, da geologia; já governos irresponsáveis são atributos humanos, e independem do sistema econômico sobre o qual atuam).

A cidade de Taanyng, também na China, principalmente pela mineração e abrigar a maior indústria de chumbo do país (já em atividade na era maoísta, pois Alices podem até não pintar com tóxicas tintas seus bens, mas necessitam de baterias), ocasionou haver 140 mil pessoas afetadas por chumbo e outros metais pesados, com todo o equipamento usado pelos trabalhadores estando obsoleto e não havendo controle sobre a poluição. O ar na região tem 10 vezes mais partículas de chumbo do que a média chinesa, que já não é baixa. Os casos de encefalopatia e envenenamento de crianças por chumbo são os mais comuns na cidade.

Já em Dzerzhinsk, na Rússia, com uma população afetada de 300 mil pessoas, produtos químicos tóxicos, incluindo como gás sarin, além de chumbo e fenóis, relacionados com a indústria de armas químicas, desenvolvida durante a Guerra Fria, mesmo com o fim da União Soviética, fez com que a cidade se mantivesse como uma das principais produtoras de substâncias químicas da Rússia, entre eles uma toxina chamada TEL (tetraethyl lead, chumbo tetraetila), sendo que a isto se soma que mais 300 mil toneladas de lixo radioativo foram enterrados no subsolo da cidade durante os últimos 70 anos. O índice de mortalidade era 260% maior que o de natalidade na região, com expectativa de vida de 42 anos para os homens e 47 para as mulheres, em 2003.



Dzerzhinsk

Também na Rússia, Norilsk, com 134 mil afetados por dióxido de enxofre, níquel, cobre, cobalto, chumbo, selênio, fenóis e sulfeto de hidrogênio, oriundos da mineração, acumulados desde que a cidade foi fundada em 1935 como campo de trabalhos forçados (Ah! a liberdade dos regimes totalitários, fase transitória de toda meta de Alices!) e abriga, atualmente, o maior complexo de processamento de metais pesados do planeta. O resultado é uma população com altos índices de câncer de pulmão, bebês prematuros e com doenças respiratórias crônicas, elevando a níveis alarmantes as taxas de mortalidade.

Poderíamos aqui perfeitamente pular por pura economia de texto o incidente de Chernobyl, Ucrânia, fruto acima de tudo de um desenvolvimentismo irresponsável.

O contraste entre Chernobyl e uma usina nuclear da pequena e rica Bélgica. Deve-se observar a ausência do abrigo blindado típico que guarda o reator e o "ciclo primário". Os soviéticos, em razão de pretenderem construir o mais rapidamente possível seus reatores, simplificaram o abrigo do reator para um prédio menos resistente e não propriamente hermético.


Governos socialistas/comunistas nunca deram muita atenção às preocupações com a poluição ambiental. Isso é devido, principalmente, à falta de opinião pública pressionando por qualidade de vida. A Alemanha Oriental era de níveis de poluição assustadores, levando a depois da reunificação, a Alemanha precisar desativar dezenas de fábricas herdadas simplesmente porque seria economiacamente inviável sua conversão aos níveis "ocidentais" de controle da poluição.

Uma fonte e leitura recomendada:

De onde tiro:

No artigo Environmental disaster in eastern Europe , publicado em 2000 pelo Le monde diplomatique diz o seguinte:

Ao optar pelo desenvolvimento econômico através de uma industrialização a todo pano e agricultura intensiva, a União Soviética e os países da Europa Oriental mostraram pouco interesse pelo meio ambiente. A bacia do mar de Aral foi transformada em uma vasta plantação de algodão, enquanto atividades nucleares se concentraram no mar de Barents, apesar da fragilidade dos ecossistemas locais...

(A crise)
Foi agravada por uma obstinada centralização que ignorou condições locais...

Controle de poluição do ar, tratamento de água e modernização do aparato produtivo foram todos negligenciados. Grandes extensões de terra foram severamente danificadas pela coletivização da agricultura, e o uso maciço de irrigação causou vasta erosão e salinização do solo.

Políticos e cientistas aderiram ao princípio da biosfera “auto-purificável”...

Sobre a estatização como solução para o ambiente, deste texto, também:Ao invés de uma longa teorização, talvez a seguinte brincadeira ajude a entender a questão. Sabe qual é a diferença entre empresas estatais e privadas? O governo só consegue controlar as últimas.


O manejo altamente mecanizado e sustentável das florestas da Finlândia, dentre as maiores fontes de riqueza deste país.


A falácia maior nisto está em que uma economia planificada não pode prescindir de bens, e por menos que estes sejam por indivíduos ou em sua coletividade (como prédios e trens, que são obviamente distintos de roupas e calçados) ainda sim necessita-se estrutura extrativista e industrial par tais demandas serem atendidas.

Se são atingidas, por mais igualitariamente que sejam distribuídas, o seu total produzido, para uma mesma média de atendimento nas massas, exigirá o mesmo total de extração e produção.

O que interessará nisto, não será a distribuição, mas sim o modus como a natureza, nesta extração e processos industriais, é tratada.

Expliquemos isso com um exemplo simplíssimo e bem ao gosto de Alices: a quantidade de couro necessária para produzir 1000 sapatos para 500 pessoas é fundamentalmente a mesma necessária para produzir 499 sapatos para 499 pessoas e mais 501 sapatos para uma única burguesa viciada em sapatos.


Como sempre, Alices consideram que se alguém compra uma grande quantidade de bens, não houve pagamento aos trabalhadores que os produziram, ou que, mais anomalamente, seu valor irá somente para quem controla sua produção, sem passar também riqueza para seus trabalhadores (closet da cantora Mariah Carey)

Claro que aqui, alguma Alice precipitada poderia afirmar que não consideramos a variável ritmo, ou taxa, a velocidade de consumo e produção no tempo. Nisto, concordamos que não é o mesmo alguém que compre 500 sapatos em 50 anos de alguém que os compre a 500 por ano. Mais vacas por menos tempo seriam necessárias para produzir tal couro.** Mas curiosamente, enormes taxas de consumo, como as que se evidenciam nos países mais ricos, levam a um enorme mercado ou de reciclagem ou de bens usados. Bastaria citar as notórias lojas de roupas usadas de New York, mas prefiro dizer que o elevado consumo de automóveis no Brasil nos últimos anos foi que levou exatamente a existir uma cascata de automóveis de inversamente proporcionais idade e preços, comercializados para as parcelas mais pobres da população.

Dizemos sempre: não se pode tratar questões econômicas monolinearmente, muito menos, de maneira simplória.

** Como coisa que vacas para produzir couro fossem, após seu couro ser removido, cremadas e mais nada dela se aproveitasse, como por exemplo a inútil carne, aquela mesma que mais e mais, nos países pobres, tem se destinado aos anteriormente vazios pratos.

Por simples busca de lucros e pressão da sociedade livre e do estado que a representa em nível maior, as empresas tendem a se tornar, como a história do capitalismo evidencia, ecologicamente responsáveis, vide a recuperação das florestas da Suécia e a despoluição do Tâmisa e dos rios da Alemanha, berços da industrialização.

O rio Tâmisa, atualmente.


Na verdade, quem se torna ecologicamente responsável é a sociedade, pouco interessando o sistema de partilha e até mesmo a harmonia na distribuição das riquezas em que opere.

Esta falácia típica das Alices, e hoje muito em moda, pela análise que faz de como o mundo econômico gira (e tem necessariamente de girar) e pelas pseudosoluções que apresenta, me lembra a máxima:

Para todo problema complexo, há uma resposta clara, simples e errada. - H. L. Mencken

Sobre o "capitalismo e sua marcha para a destruição do ambiente", recomendo, mesmo com o esquecimento nas entrelinhas de que não necessariamente mesmo a acumulação de bens é relacionada diretamente com a destruição do ambiente:

Daniel Cohen; A PROSPERIDADE DO VICIO: UMA VIAGEM INQUIETA PELA ECONOMIA

De uma de suas resenhas: Para onde o capitalismo nos conduz? A humanidade pode evitar o colapso ecológico? Narrativa vibrante em que história, política e meio ambiente se fundem para mostrar que o modelo econômico baseado na obsessão pela prosperidade está ultrapassado.

Devo destacar que a prosperidade não é relacionada diretamente com a despreocupação com o ambiente e nem mesmo com sua degradação, pois muito da riqueza do mundo capitalista já pode ser vista hoje sendo oriunda da reciclagem e do manejo ambiental racional (que em termos ambientais é um sinônimo de sustentável).

Claro que as decisões da sustentabilidade passam pela mobilização das massas e sua representatividade política. Aliás, novamente sobre a obra acima:

Os desafios da economia são claramente políticos e Daniel Cohen demonstra isso de forma brilhante. - Le Monde


Antes de tratarmos mais um tanto a falácia da capitalismo como intrinsecamente antiecológico, abordemos com exemplo que julgo didaticamente perfeito, uma questão sobre valor.


A relativa valoração dos bens

Sobre o valor dos bens não depender o trabalho e poder depender também do desejo, sempre considero como exemplo ilustrativo, como mais evidente de que o valor dos bens pode ser expresso pelo desejo de adquiri-lo, e não pelo simples trabalho e nem mesmo pelos matertiais mais o trabalho, pelo caso das revistas em quadrinhos, ou para os mais idosos, "gibis".


Uma revista em quadrinhos, numa banca próxima de sua casa, custa em torno de R$ 5 reais, ou arredondemos a maior, 3 dólares. Mesmo as revistas mais caras, graphic novels, de altíssima qualidade gráfica e encadernação, novas, podem chegar a valer, digamos, R$ 300, ou aproximadamente, coloquemos ainda a maior, US$ 200. Já uma revista rara, peça de colecionador, mesmo que equivalente em qualidade a trivial da banca, hoje em venda, de US$ 3, pode chegar a ser comercializada por milhares de dólares, exatamente pelo desejo de quem a queira possuir, sua estima, a leve a julgar justo pagar este valor.





Um exemplo de negociação de alto valor envolvendo uma trivialidade como revistas em quadrinhos pode ser visto aqui:

NICOLAS CAGE VENDE SUA COLEÇÃO DE QUADRINHOS


O ator Nicolas Cage vendeu sua coleção pessoal de gibis, incluindo uma cópia do primeiro número de 'Superman', de 1938, num leilão, por mais de US$ 1,6 milhão, anunciaram na sexta-feira os organizadores do leilão.

Os 400 gibis da coleção, formada ao longo dos anos por Cage, foram vendidos na noite de quinta-feira a diversos compradores num leilão organizado pela casa Heritage Auctions, de Dallas, no Texas, em conjunto com a Casa da Moeda de Kansas City.

"Ele tinha um ótimo faro para encontrar objetos de qualidade", disse o presidente da Heritage Auctions, James Halperin, falando da coleção de Cage.

A cópia do gibi número um de Action Comics, 1938, trazendo Superman em sua primeira aparição, foi vendida por US$ 86.2 mil - mais de US$ 15 mil acima do valor estimado, disseram os organizadores.

O livro de histórias em quadrinhos Detective número 38, de 1940, trazendo a estréia de Robin para acompanhar Batman, rendeu quase US$ 121 mil.
 



Agora, algumas frases coletadas pela internet, diria de uma semi-Alice, que nos levará a fundir alguns conceitos aqui apresentados, a falácia anteriormente apresentada e o que seja o consumo/consumismo, além de um erro comum sobre o que seja dinheiro:
No fim, os bens e produtos que uma pessoa planeja adquirir usando o dinheiro são apenas materiais supérfluos,...

Observemos que podemos dizer, inclusive dependendo da quantidade, comida e água, por exemplo. Pois é evidente que estadunidenses, canadenses, japoneses e europeus poderiam viver perfeitamente com a quantidade de água bebida pelos etíopes, e com a pouca comida dos sudaneses, no limiar da sobrevivência. Claro que tal seria perfeitamente ecológico (embora as mais nocivas ao ambiente, a longo prazo, tenham se mostrado as populações miseráveis). Mas não forcemos tanto o argumento.

Novamente nosso personagem:

...mesmo que possuam um valor pessoal,..

Toda valoração a um bem, se desejado, é pessoal, vide o exemplo poderoso dos "gibis" acima. Poderia ser pago com trabalho, colheita ou minério extraido por uma Alice com sua picareta, ainda sim, seria valorado pessoal e intransferivelmente. Se vai ser expresso tal valor em um contrato chamado dinheiro, é uma questão posterior.

Dinheiro é um representativo de mútuos contratos e confiança.

E claro que nosso personagem continua seu discurso com uma, na verdade, "pérola":

...supervalorizados pelo poder da demanda.

Pode-se fazer propaganda ad eternum e ad nauseam de um bem ou serviço, se não atender as exatas necessidades e desejos das massas, não gerará riqueza alguma. Também não adianta baixar preços a zero de outros bens e serviços, não gerarão demanda até por "elasticidades", além da óbvia não-necessidade.

Explico: o clássico sal, que não interessando quanto custe, limita-se no seu consumo. Polainas (spats) também, só vendem ao teatro, televisão e cinema. Relhos de conduzir cavalos também são inúteis a um mundo de carros e transporte de massas, como bem apresentado pelo personagem Lawrence Garfield, representado por Danny DeVito, em Com o Dinheiro dos Outros (Other People's Money, 1991), por mais perfeitos que tenham sido produzidos por seu último grande fabricante.

Quote: You know, at one time there must've been dozens of companies making buggy whips. And I'll bet the last company around was the one that made the best goddamn buggy whip you ever saw.




E o fechamento deste "batalhador contra o vil sistema que utiliza-se de dinheiro e gera o consumo":

...Tudo usado apenas para fazer o sistema funcionar.

Não existe atividade humana coletiva sem fatos econômicos. A facilitação das trocas por dinheiro é uma questão posterior a isso.

Sempre devemos proceder devagar com o andor que o santo da Economia além de ser de barro, quando tratado com cuidados simplórios, mostra-se oco. Repetimos: Não trata-se eventos em Economia de forma linear (isso assim resulta naquilo assado), invariavelmente acaba surgindo desde bobagens ingênuas até erros colossais, vide o colapso soviético.

A geração de riqueza a ser potencialmente distribuída está diretamente ligada à iniciativa pessoal e intransferível do enriquecimento (o humano que não se contenta com o que tem), e quem busca atender as necessidades e desejos das massas, invariavelmente gerará riqueza. Por outro lado, se a renúncia a qualquer desejo fosse razoável, invariavelmente, sistema econômico algum seria construível, e riqueza alguma seria gerada.

Portanto, ambição é boa? Sim. Comedida e equilibrada em muitos sentidos, mas excessiva, não podemos afirmar que o será.

Distribuição das riquezas é boa? Sim, mas se exagerada, sem contrapartida de esforço, gera invariavelmente à inatividade, e desta, como para todo sistema, sobre o qual não se atua, tende ao caos.***

Observe-se que nem Marx e outros, com seus devaneios e suas falácias, conseguiu regredir a humanidade a um nível de atividade e organização menor que as mais igualitárias organizações humanas (e nem tanto) que são as tribais, primitivas.

Logo, toda atividade humana visa um determinado nível de progresso, e portanto, necessita da produção de bens e oferta de serviços.

Se vai se chamar a isto de cacique, ou vai chamar de estado, ou noutro campo, vai chamar de índio que faz flechas com excelência, ou vai chamar de grande empresa multinacional, é só uma questão de escala.

*** Claro que um excessiva ambição, ou uma totalização dos bens e serviços harmoniosamente distribuídos entre a população que destrua a natureza (e este destrua é que é a questão) não é uma coisa boa.
A meta sempre deve ser o equilíbrio dos entes já em equilíbrio capital e trabalho com o mais fundamental dos entes, sobre e a partir do qual se processa toda a fenomenologia econômica, que é a natureza.

Em tempo, expliquemos dois pontos:

1) Necessita-se planejamento, por menor que seja, para a compra de qualquer coisa, e mesmo seu consumo.

Aplicar conceito diferenciador, fronteira, entre o desejado e o necessário é uma "falácia de aplicação" do paradoxo sorites (um tratar-se como estritamente qualificável e quantificável algo que é contínuo e "fractal").

Explico: sob determinado nível de aperto financeiro, um pai de família terá de planejar até a quantidade de arroz, por exemplo, a ser comprada, ou mesmo, ser baixada de seu estoque (que em termos mais domésticos pode ser chamado de "dispensa"), ou mesmo de ser plantado e tratado para ser colhido.

Reforçando o argumento e demonstrando onde entra o paradoxo sorites: Arroz é evidentemente necessário, mas quanto? Um carro para entregas é obviamente necessário a um independente florista, mas pode-se afirmar que não o seja a um vendedor? Um carro com capacidade de 400 kg de carga é necessário a determinado negócio, mas pode-se afirmar que um com capacidade de 600 kg, o que permite uma determinada folga, é supérfluo? Tendo-se este carro, não pode-se ir com ele, "superfluamente", a um local de lazer? Neste lugar, não pode-se comer um mais sofisticado risoto, feito com o mesmo necessário arroz?

Pouco interessa, aqui, se tal vai ser comparado a um executivo de Wall Street que comprou um SUV de 300 mil dólares que está apertando sua renda pela demanda de combustível e manutenção que exige.

Exatamente por estes casos não terem intrínseca diferença, contabilmente falando, uma aplicação de sorites  que seja distinto da mesma apresentada sociedade primitiva "onde só se consome o necessário" é falaciosa.



2)A riqueza acumulada é exatamente a disponível para o investimento, e exatamente o SUV caríssimo comprado é o que sustenta a saída da miséria do pai de família que não tem dinheiro para comprar arroz para seus filhos.

Identidades (igualdades) de receitas e custos em Economia mostram que toda argumentação por "não consumo" (uma argumentação "à esquerda"), como se tal fosse um poupador em si da natureza, ou pelo consumo como sustentáculo único do econômico ("à direita"), é uma falácia ou uma simplificação imensamente tola.


De nada serve ao homem conquistar a Lua se acaba por perder a Terra. - François Mauriac


EXTRA

A marcha para a inoperacionalidade - casos


No artigo onde tratei da marcha para a inoperacionalidade, deixei de apresentar claros casos, com passos dos fenômenos do fluxo de caixa.

Aqui, mostrarei a partir de uma pequena empresa, comercial, extremamente simplificada, com custos tributários considerados insignificantes e lançáveis nos custos fixos a cada mês, sem perdas em cobranças, etc, como tal processo se dá. Podemos dizer que poderia se tratar de uma loja de doces ou uma tabacaria qualquer.

Caso 1
Mostremos primeiro uma empresa equilibrada e lucrativa, que compra bens a um valor total de 20 mil (o meu "gerador"), acresenta sobre eles uma marcação de 50%, o que lhe leva para um faturamento posível (e no nosso caso igual ao que entra em caixa, o meu "caxeamento") de 30 mil, de onde gera uma contribuição de 10 mil, que debitado de um total de despesas no mês de 9500, resulta em 500 de um lucro, pelo menos num primeiro momento, de óbvios 500.



Notemos que numa situação desta, o ciclo poderia se manter ad eternum, e a cada ano, propiciar 6 mil de acumulação. Uma reserva razoável para um negócio desta escala.


Caso 1a

Evidente que havendo mercado, o negócio modelar acima descrito poderia reciclar seu capital obtido em novas compras, em aumento do disponível para vendas.



Nesta marcha, em poucos meses, certamente, teríamos uma empresa de muito maior porte. Evidente que aqui fizemos uma nova simplificação, considerando, de maneira completamente irreal, que aumentos de vendas manteriam as despesas fixas estáveis. Mesmo para períodos de tempo tão curtos quanto três meses, e numa escala tão pequena de movimentação, tal não se mostra algo mais que uma idealização.
Agora, comecemos a piorar a situação.

Caso 2

Com uma pequena modificação do acima, que poderia ser a simples compra parcelada de um carro, mesmo um veículo relacionado intimamente com a existência da empresa (um carro de entregas pode ser considerado perfeitamente um capital/custo gerador), poderíamos levar, mesmo um valor primariamente considerado como lucro, a zero:



Uma situação destas é ainda sustentável ad eternum, ou até temporária, mas notemos que sumiu uma liquidez, uma formação de reservas, e seria, sempre, um considerar perigoso que o mundo comporte-se idealmente, sem nenhum risco.

Agora, apresentemos o ingênuo erro de alguns:


Caso 3

Digamos que até pode temor, um incauto pequeno empresário compre menos num mês, mas que imprudentemente, não se aperceba que agora, gerará menos contribuição para pagar seus custos mensais, que mantiveram-se constantes, e no outro mês, disporá de menos volume para comprar, e tal ciclo perverso progredirá. Notemos que aqui, fiz uma redução de apenas 6% no volume de compras. Algo tão pouco como em 100 caixas de tabacos variados, ou doces, cortar uma meia dúzia.

Em um ano, a situação torna-se insustentável, e mais nenhuma compra ou o popular "pagamento de contas" é possível.


Se o leitor acha que tal caso não surge em grande escala, percebam que grandes redes de varejo já colapsaram por falta de produtos na prateleira, tentando enfrentar volumes enormes de despesas fixas sobre suas costas, e companhias aéreas já tentaram com menos aviões (aquilo que banalmente se percebe que é onde se colocam passageiros que pagam as passagens) as mesmas estruturas que possuiam para muitas aeronaves. Os casos que apresentamos só aparentam ser simplórios, para serem didáticos, mas mudando-se os zeros e colocando-se outras variáveis, são idênticos mesmo aos de maior escala e complexidade.


Caso 4

Mas digamos que outro empresário similar, proceda, mesmo com compras em volume correto, a descontos exagerados e imprudentes, ou colocação de preços que apenas aparentemente não são vis. O popular "rasgar preço". Observemos que novamente em um ano, a situação torna-se insustentável, e apenas tirei 3% da margem, em "valores grossos", ou os mesmos 6%.



Lembrem-se disso quando propuserem descontos "de apenas 10%" às suas listas de preço.

Evidentemente que descontos geram vendas, mas como tratamos neste artigo, sobre outro ponto, nem sempre preço trará proporcionais e compensadoras maiores vendas. Existe sempre uma margem necessária a qualquer operação comercial, e sempre nesta margem, a partir de um volume comprado/produzido, existem riscos na realização, na busca da contribuição.


Caso 5

Agora, voltemos ao carro comprado parcelado, e digamos que ao invés de ser lançado dentro de um "antigo lucro", um primeiro balanço operativo já garantido como obtido e permanentemente gerado, com plena segurança (em suma, um excedente no caixa), se coloque um adicional de despesas de 100, como por exemplo um modelo mais potente que o necessário, ou com um não tão bem estimado inicialmente custo de impostos, despesas de manutenção e mesmo de simples combustível.



Apenas com 1% a mais de despesas, novamente em um ano, o sistema novamente colapsa.

Notemos que por ajustes dos valores por índices, na verdade todos os casos desastrosos acima são de mesma natureza, matematicamente falando, um desequilíbrio entre o gerador (o que se compra), o gerado (a contribuição possível) e os custos que fluem no tempo.

Um caso que poderia se ainda apresentar, e que deixarei mais detalhadamente para o futuro, é do gerado, do contribuído, num tempo inadequado. Necessitaria se gerar, nos exemplos acima, 9500 em um mês, e por volume de vendas, apenas se gerou 9400. Novamente, tem-se um colapso num determinado tempo.



Hofstadter’s Law

Lembrando a irônica lei de Hofstadter:

É sempre necessário mais tempo que o previsto, mesmo quando se leva em conta a lei de Hofstadter.

Unindo com a máxima popular que tempo é dinheiro. Acrescentando a econômica que dinheiro custa dinheiro no tempo, podemos chegar a:

É sempre necessário  mais tempo e dinheiro que o previsto, mesmo quando se leva em conta que já se considerou folga de tempo e reservas de dinheiro.

Poderia chamar isso de 'corolário de Quiumento a Hofstadter', sem a mínima, por hora, modéstia.

Por isso que em toda operação em negócios, considera-se uma margem de ganhos, folgas de tempo e reservas de caixa, o que chamo "marginalidades" (de margens), e por este mesmo motivo que o caso 2, de uma empresa estritamente equilibrada, é sempre um "andar sobre o fio da navalha".

Note-se que em todos os trágicos casos acima, a perigosa marcha se iniciou, inexoravelmente, na manutenção de um ciclo vicioso, no primeiro mês, nada mais que um primeiro trôpego passo.

A imagem do "andar no fio da navalha", a perigosa operação sempre em margens mínimas.
Na verdade, o governo brasileiro dos últimos 16 anos sempre operou sobre o resultado apertado ou no endividamento (PANORAMA - Blog de MÁRIO ARAÚJO FILHO).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Falácias de Alices (III)

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Para onde vai o lucro?





Já abordamos as questões referentes a meu argumento de que lucro no tempo e o caixa ser fato. Como acertou em grande parte Ricardo, o lucro mostra-se como um resíduo.

Mas por fim, para onde vai o "maldito" lucro? Se a acumulação de riqueza se der em dinheiro, liquidez, se dará em bancos, pois apenas os delirantes guardam seus valores no colchão, ainda que certos corruptos, como já assisti, guardem até em gavetas da pia do banheiro, e como já assistimos, antes disso os transportem nas peças de roupas íntimas.

Se esta acumulação for transformada em bens e serviços, irá para alguém, em direta transferência de riqueza e até em novo lucro, pois a acumulação de riqueza sempre transforma-se no consumo em novos bens e paga novos trabalhadores. Quando acumulada em bancos, a acumulação de riqueza vira crédito, seguindo a brilhante constatação de Keynes da identidade entre poupança e investimento.

Aqui surge a falácia clássica das Alices, pela argumentação linear simplória dos marxistas, de que o valor que eu temporariamente apreendo (e sempre tal é temporário) "sai de", origina-se em  alguém - o "explorado proletário" - e em outro previlegiado alguém - o "capitalista nefasto" - morre e se finda, vindo somente a ser gerada lá no explorado trabalhador, pela falácia basal do "valor trabalho", enquanto é obvio que na realidade a economia é uma teia extremamente complexa de circulação de valores.

No popular: Dinheiro é redondo, rola para um lado, rola para outro.

Lembrando: se a valoração de um bem ou serviço não advém somente da mão de obra, então o capital não se gera a partir de uma apropriação de trabalho.

Exemplo: um entalhador de madeira confecciona um objeto, que custa inicialmente apenas pelo seu próprio trabalho, mas independente de apropriar-se de qualquer custo "valor trabalho" de um trabalhador, acrescenta sobre tal objeto um valor necessitado ou pretendido, desde que seja pago em virtude dos desejos e aceitação do mercado.

Assim, o tosco banquinho de R$ 10,00, desconsiderando mesmo qualquer custo de sua madeira, pregos, cola, verniz, ferramentaria necessária, pode ganhar, por cuidadosos entalhes, um adicional de valor que o leve a valer para o mercado R$ 20,00.


Para Alices, bem algum, serviço algum, pode acrescentar valor ao seu custo, mesmo quando exercido ou produzido por trabalhador autônomo, e após seu valor ser apreendido pelo trabalhador ou empresário, este valor some do econômico.

Aqui, Alices desonestas intelectuais (quase um pleonasmo) afirmarão que o entalhe é trabalho e portanto, do trabalho advém o valor, e eu destruirei tal argumento dizendo rapidamente que o entalhe pode ser substituído por verniz aplicado pelo mesmo trabalho anterior (com um verniz inferior ou mal aplicado), sem entalhe algum, que eleve o valor do banquinho, pelo brilho obtido, para R$ 30,00 , mostrando de forma banal que mesmo para volumes de trabalho iguais, podem-se obter valores de mercado - o banal preço - diferentes.

Como já afirmamos, Alices são presas à visão vitoriana de um capitalismo selvagem onde criancinhas trabalhavam 14 horas por dia e dormiam no inverno sob as fornalhas dos fornos das fábricas, e por cima desta mitologia terrível, afirmam que se não for neste sistema, banquinho algum pode ter seu valor gerado elevado, ter valor agregado, mesmo quando mostramos num exemplo simples em que nem mesmo trabalhador explorado algum é necessário para a formação de valor e muito menos, nesta, a geração de lucro.


Dos pecados do passado, nas anomalias da economia, buscam e fixam-se as Alices, em sua pregação infantil sobre os males do capitalismo. (jessefrancis.com).



L=m/C

A falácia de uma equação sem nexo





Marxistas afirmam que o "lucro" (percebam as aspas) é igual a "'mais-valia' dividido pelo capital". Tomemos esta tonteira teórica por hora, e mesmo esta bobagem ficando atravessada na garganta, a suportemos e analisemos o conteúdo desta afirmação dentro da pregação marxista, e vejamos se suas conclusões possuem mínimo nexo.
Para não contrariarmos algumas definições que até já fizemos, chamaremos o L acima de "lucrabilidade marxista", que se expressaria como igual a mais-valia dividida pelo capital acumulado (dentro da visão marxista, mais que confusa, basta dizer-se 'capital').
A afirmação marxista é que C, sendo apropriação acumulativa de m, fará com que L tenda a zero, e obviamente, antes disso, o capitalismo colapsará.
A afirmaçao é falsa já pelas suas variáveis, pois m não é uma apropriação de um valor do trabalho, nem muito menos, diretamente, a origem exclusiva da lucrabilidade e inclusive, dela nem depende, como já vimos.

O lucro não é a explicação, causa ou fundamento das decisões e comportamento da empresa, mas o teste da sua validade. - Peter Drucker





Mas podemos fazer mais análises, destruindo esta argumentação marxista.

Se m é a apropriação do trabalho, forcemos o argumento, e tal se dá permanentemente enquanto existir a "exploração", a acumulação de C continuará permanentemente ocorrendo, e L apenas tenderá, igualmente permanentemente, a zero, e jamais colapsará o capitalismo, enquanto recursos que possam sustentar tal fluxo existirem, e  aqui podemos apenas citar a natureza, momentânea e primordialmente, e posteriormente, a reciclagem dos materiais, a reposição das reservas vegetais e animais, pois ao que parece, desde que o mundo é mundo, não esgotamos as vacas, nem tampouco os grãos de trigo, mesmo com nossa crescente população, em milhares de gerações.

O que acima se apresenta é que mesmo se a argumentação da exploração do valor trabalho dos marxistas está correta, esta não necessita se esgotar, pois como o trabalho é exercido, e percebe-se banalmente isto, sobre as vacas e o trigo, e estes se renovam, este pode ser explorado permanentemente, "eternamente", e apenas gerará mais e mais capital a se acumular, pelo menos aqui, a princípio, pois veremos que nisso já reside outra falsa premissa.

A premissa falsa está em que o lucro, na verdade, é o mesmo dentro da argumentação marxista, que a própria mais valia, e não a razão entre ela e o capital. Assim, e banalmente já vimos isto por outras simples vias, o L acima é apenas uma razão entre o C acumulado e m, e o verdadeiro lucro seria a apropriação de m em cada ciclo, fluxo, a mais valia, a se acumular em C.

Minha conclusão: Marx era desgraçadamente ruim em Álgebra.




Como dizemos e mostramos, lucro muitas vezes é apenas um saldo (resíduo). Aqui, curiosamente, os marxistas esquecem que os serviços sempre são necessários e os bem depreciam, degeneram, ou são consumidos por sua própria natureza, como os alimentos ou os produtos de higiene, ou qualquer bem consumível, como os medicamentos ou os reagentes de análises clínicas, dos quais a população não pode prescindir, ou mesmo trivial papel higiênico, como lembrado por algum estudante gaiato de primeiros semestres de Economia, ao tratar de "demandas elásticas e inelásticas", ou o clássico exemplo do sal de cozinha, dentre os mais recicláveis recursos da natureza.

Isto sem falar nos produtos culturais, quase esgotados em sua análise por Adorno, pois ao que também me parece, por exemplo banal, mais de 100 anos de cinema não esgotaram os filmes a produzir, e nem mesmo, os livros, milhares de anos de literatura.

Igualmente, fazem afirmação absurda ao dizer que o capital acumulado não seja mais uma vez reciclado em toda a cadeia produtiva, como se os palácios a serem construídos no maravilhoso e utópico mundo das Alices, além de durarem perfeitos pela eternidade, não precisassem de serviçais, e para sua construção, não fossem chamados trabalhadores nem tivessem de ser pagos os materiais de sua contrução. Além de todos os bens, pelo visto imóveis e de grande porte, serem imunes às tragédias naturais, como os terremotos, enchentes, etc.
Noutras palavras, como se "as partidas dobradas" das compras dos bens e dos pagamentos de serviços não significassem transferência do capital para outros atores do teatro econômico.


Para Alices, após construída, jamais qualquer obra necessitará manutenção, e se estancará a contínua circulação da riqueza.

Os marxistas tratam a equação com uma obscura divisão dentro do capital, em 'capital constante' e 'capital variável', como se um capital que seja gerado numa operação qualquer não seja variavel em cada ciclo de operação e um capital dito constante não se torne mesmo um prédio que não é fixo e imutável no tempo, nos negócios envolvidos numa empresa qualquer ou mesmo num estado. Igualmente, é sempre desconsiderado que uma tendência só pode ser estabelecida com a constância de variáveis, o que apresentei por diversas vias. Ref.: Marcelo Dias Carcanholo; Pretensões e Inconsistências da Crítica Neo-Ricardiana à Lei da Queda Tendencial da Taxa de Lucro - www.sep.org.br

Para um tratamento mais formal da chamada Lei da Queda Tendencial da Taxa de Lucro (LQTTL), recomendo:

Guilherme Statter; O teorema de Okishio - Alguns apontamentos avulsos - www.dotecome.com
José Murari Bovo; A Controvérsia Sobre a Lei de Tendência Decrescente da Taxa de Lucro; Perspectivas, São Paulo; 5: 89 - 96; 1982 - seer.fclar.unesp.br

Onde destaco:
Resumindo, a lei não se expressa de forma absoluta, na medida que junto às causas que a provocam surgem fatores que se contrapõe a sua queda. Desse modo, a lei geral se manifesta. geralmente, como uma simples tendência.

E para uma visão com críticas ao próprio teorema de Okishio em diversos pontos:

MALDONADO FILHO, Eduardo. Nova econ. [online]. 2009, vol.19, n.2 [cited  2010-12-23], pp. 361-369 . - www.scielo.br

Um ensaio sobre diversos temas dentro da Economia, em especial das afirmações marxistas em uma resenha do livro: Reclaiming Marxs Capital: a refutation of the myth of inconsistency de Andrew Kliman, e neste livro, em especial o teorema de Okishio, sobre o qual, destaco no texto de Eduardo Maldonado:

O que o teorema demonstra é que a adoção dessa nova tecnologia pelas demais empresas, se os salários reais permanecerem constantes, elevará a taxa geral de lucro de equilíbrio ou no máximo ela permanecerá constante.

Certa fabulosa família

Cunho a "fábula da família pintora de azulejos", para mostrar como o capitalismo, por mais concentrador que tenha sido, jamais inibiu o empreendedorismo.

Pode-se supor uma centenária família de escravos do Império Romano que produzia azulejos (ou o similar tecnológico da época, não sejamos preciosistas). Esta explorada ao limite família, aprendendo seu ofício, adquiriu técnicas preciosas. Com a queda do Império Romano, continuou aperfeiçoando seu ofício durante a Idade Média, e então, numa corporação de ofício, marchou para se tornar a magnífico casa de cerâmicas da Idade Moderna, a indústria poderosa com milhares de operários da Revolução Industrial, com a típica exploração até muito bem descrita por Marx.


Navegar é preciso, mas talvez azulejar seja desejado.

Mas o que Marx erra em sua análise é que ao primeiro derramar de sal do pobre almoço, junto com determinado pigmento, certo trabalhador descobre uma nova coloração exclusiva, e com tal conhecimento, desenvolve uma nova indústria com tal segredo, em escala artesanal, em cidade distante, e um novo ciclo de geração de riqueza pela adição de valor recomeça, independe da exploração de quem quer que seja, pois por maior que seja a exploração, é impossível deter o empreendedorismo do humano, pela sua própria ambição (quando não fomentada por outro capitalista terrível, sempre a espreita para avançar sobre novo mercado).

E retornando aos primeiros momentos desta fábula, o contexto externo muda, alterando as maiores variáveis, e rompe com o que poderia ser descrito como um cenário onde se dá o que as Alices definem como "exploração do proletariado", pois inclusive, os senhores se alteram e se alternam. Logo, aqui percebemos que elas também aplicam uma análise por demais linear do multifiligranado que são os processos históricos, mesmo que independentemente de que seus sonhos de economias planificadas não se sustentem.

Claro que Alices perguntarão porque raios este azulejo de diferente tom atrairá alguém. Com a resposta, uma autoridade no tema:

A economia de mercado tem sido denominada democracia dos consumidores, por determinar através de uma votação diária quais são suas preferências. - Ludwig von Mises


Nota: Para ilustrar com algo real e parecido, o sistema quase prisional dos mestres vidreiros de Veneza, da ilha de Murano, jamais conseguiu impedir realmente o desenvolvimento de outras indústrias de vidro e cristal, como a austríaca e a finlandesa. Coisa alguma prmovida pelo humano consegue deter o empreendedorismo, mesmo originado na espionagem industrial.



A ambiciosa classe trabalhadora

Mas retornando, ainda dentro das definições desconexas do até mesmo contábil do marxismo, a razão L não necessita diminuir permanentemente, pois a m, sendo correspondente ao "roubo do valor do trabalho", também pode aumentar, pelo aumento da população, o aumento do número de trabalhadores, e mais que tudo, pelo próprio aumento do mesmo "valor roubado".


É a própria classe trabalhadora, sobre os valores fluidos dos custos e preços, que faz com que a própria dita "mais-valia" aumente, e conjuntamente, aumente também os ganhos dos "capitalistas", que podem, inclusive, ser os próprios "explorados trabalhadores".

Explico: se o "valor roubado" é hoje de 1 em cada 5 que teria de ser pago, nada impede que amanhã passe a ser 2, pelo simples e banal fato que alguém aceite receber 3 pelo mesmo trabalho. Claro que aqui, marxistas vão alegar que a classe trabalhadora não poderá permanentemente receber menos.
O que respondemos banalmente dizendo: Claro que não! Pois a "luta da classe trabalhadora" a conduzirá a manter sempre o valor de seu trabalho aumentando ou se repondo, reconduzindo o "valor roubado" a permanecer em crescimento, até pelo aumento do preço que o trabalho recebe como remuneração. Aqui, apresentemos que então, 2 será "roubado" de 6, ou ainda, 3 de 7, e assim por diante, mantendo a mesma relação de 1 para 5, restando 4 para o pobre trabalhador se alimentar e outras mínimas coisas da humana sobrevivência.

Observação prevendo surtos de falácias de Alices: Evidentemente esta espiral de custos/preços crescentes não poderá se manter, daí a tendência ao equilíbrio, mesmo após uma redução que mostra-se permanente dos custos, até pelos ganhos de escala. Evidentemente que a escala também não poderá se manter crescente indefinidamente, assim como os custos não poderão tender obviamente a zero. Por isso, não tardará o equilíbrio entre o natural, o laboral e o capital. Mas este ponto, que abordamos "aos farelos", trataremos adiante, mostrando que o limite do equilíbrio, em especial nos custos e nos recursos, está exatamente no ecológico.

Óbvio que Alices esquecem que exatamente as nações mais antigas no capitalismo, desde o tempo que as suas tolices teóricas nasceram, são exatamente as que melhor remuneram seus trabalhadores, e onde estes tem mais sólidos direitos. Como digo, ironizando, "um pequeno detalhe".
Como sempre, as relações capital trabalho tenderão a se harmonizar, um produzindo o outro enquanto o outro permite a existência do primeiro. Pois também Alices esquecem que até mesmo a pá de um trabalhador, mesmo que trabalhe para si, é capital.

Nota:

Claro que esquecendo o "pequeno detalhe" que trabalhadores, ganhando mais, continuarão a jogar capital no sistema, consumindo bens (aquelas coisas que não são eternas, como maçãs, trigo e vacas, e até mesmo os mais sólidos fortes militares), pode-se contruir modelos matemáticos coerentes com as falsas premissas que limite esta circulação e apenas considere a acumulação monodirecionada. Nesta circulação, pouco interessa que técnicas novas façam a confecção de tapetes por crianças se tornar obsoleta e mais que isso, inviável. Pouco interessa que não se use mais telégrafos por fio para as comunicações. Pouco interessa que não se produza mais brinquedos de lata e agora, apenas de plásticos, em injetoras robotizadas operadas por apenas um técnico muito bem pago. Exatamente por estas obviedades, o desenvolvimento de novas técnicas não implica na redução do lucro nem muito menos na geração e circulação, e desta a distribuição de riqueza. Tais modelos incompletos estão fadados a serem apenas mais alguns modelos inadequados frente ao econômico real. Ver, por exemplo: Eleutério F. S. Prado; GERAÇÃO, ADOÇÃO E DIFUSÃO DE TÉCNICAS DE PRODUÇÃO − UM MODELO BASEADO EM MARX - http://www.econ.fea.usp.br/
Outros procuram associar este raciocínio sobre falsas premissas com o processo inflacionário, o que não é de forma alguma verdade, pois a valoração em uma moeda qualquer não relaciona-se diretamente com o valor "universal" que determinada sociedade atribui a uma moeda. Como exemplo simples, pode-se dizer que um trabalhador trabalhará por um saco de batatas por dia, e pouco interessa se em euros este saco valha hoje 1 e amanhã 2. O que interessa é que ele receberá em sacos de batatas, e poderá perfeitamente lutar para que receba a partir de determinada data 2 sacos de batatas por dia de trabalho. Ref.: Alain Lipietz; MOEDA CRÉDITO: UMA CONDIÇÃO QUE PERMITE A CRISE INFLACIONÁRIA; Ensaios FEE, Porto Alegre, 7(2j:51-68, 1986


Quanto mais se tem, mais se ganha


Outra falácia é que a medida que a escala econômica cresce os ganhos dos proprietários crescem na mesma proporção.





Demonstra-se isto como falacioso de maneira simples. O dono de uma padaria, por exemplo, de faturamento mensal que podemos considerar de 100 mil, dificilmente granhará mais de 10 mil de pró-labore, e acredito, que mesmo um tanto mal administrada, não ganharia menos de 1000, o que dá de 1 a 10% de pró-labore.

Já o proprietário de uma metalúrgica, novamente apenas como exemplo, com faturamento mensal de 10 milhões, dificilmente terá ganhos mensais superiores a 100 mil, que corresponde a 1%, e mesmo com ganhos de 500 mil, duvido que entrevistando 100 donos de empresas deste porte, dificilmente acharemos alguém que corrobore este dado, e ainda sim, não chegará aos 5% de ganhos sobre o valor do faturamento.

Nota importante: com todas as rúbricas, especialmente as tributárias e para a felicidade de Alices relutantes, previdenciárias e trabalhistas, plenamente creditadas. Noutros termos, mais simples, "pagando todas as contas".

No caso de uma empresa de grandíssimo porte, com faturamento de bilhões, dificilmente encontraremos proprietário com ganhos de mais de 1 % do faturado, até pelo fator do "dilema da empresa de uma libra", que daria, para 1 bilhão, algo como 10 milhões. Os maiores executivos das maiores empresas tem ganhos de no máximo 100 milhões, e intimamente ligados à competência no exercício de suas funções, sendo, portanto, por estrita definição, "proletários".

Os maiores acionistas já seriam premiados com lucros, que passariam pelo crivo da boa administração e contabilmente, para grandes corporações, são merecedores de valores anuis, de digamos, 30%, mesmo nestes altos valores, resultam na colocação de capital em investimento, como visto, igualmente no "dilema da empresa de uma libra".
Como exemplo ilustrativo, as maiores empresas do mundo possuem alta pulverização de sócios, como a Exxon, com a original família controladora, os Rockefeller, controlando algo próximo de 2% do capital (não isto em lucros, obviamente).

Para este ponto, o básico do básico: Teoria da Firma, ou mais especificamente Diminishing returns.

Para ir-se muito mais fundo nestas questões:

Luciano Dias de Carvalho; José Luís Oreiro; A dinâmica da taxa de lucro, da taxa de juros e do grau de utilização da capacidade produtiva em um modelo pós-keynesiano; Estud. Econ. vol.37 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2007; doi: 10.1590/S0101-41612007000400008 



O lucro como roubo


O que Alices devem supor que faz aquele que acumula capital.


A falácia também está em que o lucro só se estabelece no longo prazo, pois nunca sabemos quando as reservas serão necessárias e consequentemente gastas e somente pode ser imposto ao mercado sob monopólios e oligopólios, e este, pela própria pressão da população, do estado que a representa, e com a ausência do próprio mercado pretensamente concorrente (aqueles que não entenderam este último ponto, experimentem vender qualquer coisa ao dobro do preço da concorrência).

Preço, após estabelecido, é o valor pretendido com o qual vai se enfrentar um mercado.

Sempre alguma empresa quer expandir seus ramos de atividade, e os valores colocados a maior como preço ao mercado podem gerar lucros tentadores a quem coloque-se como novo jogador em tal mercado, com um pequeno diferencial a menor em custos - Kirzner e von Mises tratam disto brilhantemente.

Economia do Indivíduo: O Legado da Escola Austríaca

Por uma via mais simples, novamente, ao final de todo processo, lucro não se impõe, lucro resulta, a não ser nos anômalos casos de monopólios e oligopólios, e estes, paradoxalmente são muitas vezes, mantidos pelo marxista conceito de um estado economicamente ativo no mercado, ou estatizante, evitemos redundâncias, e não controlador das iniciativas liberais, assim como punidor dos desequilíbrios quando no tratamento da massa de trabalhadores/consumidores - aqui, sempre existe uma identidade, um tanto oculta na argumentação das Alices.

Aqui, vale citar a ironia:

A diferença entre as empresas privadas e estatais é que o estado só controla as primeiras.

Como o estado, ainda mais o brasileiro, mostra-se sempre necessitado de dinheiro, vale citar também:
Em tua vida, não tentes dar conselho a quem precisa de dinheiro. - Pedro Calderón de la Barca (1600-1681)



Extras


1)

Juro que quanto mais leio sobre o "trem bala", mas me irrito, e começo a levantar pesadas suspeitas de que tudo não passe de um enorme truque, uma cortina de fumaça, visando esconder um conjunto de gordas comissões, tal a insanidade de algumas questões.

Chego a esta conclusão que o objetivo seja uma atividade de pura corrupção dada a falta de nexo de diversos pontos, e acredito que os valores serão "capturados",  seja pelos meios e nos valores que forem, com o foco nos custos de onde se "possa tirar algum" no próprio planejar, no "debater" (os inúmeros encontros e reuniões), e até nas sondagens, avaliações, medições e estudos envolvendo o delírio... perdão, projeto. Temos de dar graças se não aparecer uma maquete de milhões e milhões, como no caso de nosso lendário submarino nuclear.
Assim, sou obrigado a retirar acréscimos que fiz ao artigo original sobre o tema e passá-los para cá, para manter a leitura sobre isso minimamente coerente (coisa que o dito projeto não é).


a)

Relatório da área técnica do Tribunal de Contas da União aponta como impossível estabelecer-se quanto custará o projeto entre São Paulo e Rio, devido a estudos geológicos para a obra apresentarem-se insuficientes, com a realização de apenas 4,4% da quantidade mínima de sondagens necessárias às estimativas para o custo da obra.


b)

A construção de linhas de transmissão de energia elétrica não foi prevista no estudo para a aprovação da viabilidade do trem-bala, propiciando com isto um corte no custo de pelo menos R$ 1 bilhão, em um total de R$ 33,1 bilhões. Tal questão foi apontada por um dos grupos interessados no projeto durante os recentes pedidos de esclarecimento ao edital.

Soma-se à falta de linhas de transmissão de energia  a questão apontada por estudo de Marcos Mendes, consultor legislativo do Senado, mostrando que foi excluída a reserva de contingência do projeto, que em projetos de grande porte, podem representar até 30% do valor do projeto.[NOTA 1]

Dimmi Amora; Edital omite custo de energia do trem-bala; Folha de São Paulo

Tais fatos me levaram a acrescentar outro aforismo no Twitter:
  • A velocidade teórica do pretendido trem bala só é superada pela sua produção de micos.

c)

Mas não contente com tais tropeços, leio que o teto do valor do projeto - que ganhou o brasileiro nome de TAV - é colocado em R$ 33 bilhões, e nisto, se confunde com o preço estimado da passagem, colocado em R$ 0,49 por quilômetro (US$ 0,27/km), maior que a do Japão, com sua gorda renda per capita, em US$ 0,25/km.

Quem raios pagará por tais passagens?

Primeiro: o valor de um projeto pouco interessa no custo de seu serviço ou operação, e sim, relaciona-se até com o tempo em que dará retorno, e disto, sua viabilidade. Exemplifico com caso simplíssimo que discuti estes dias: um hotel tem de colocar sua diária em R$ 120, e pouco interessa se seu prédio implica em obras de fundações muito mais custosas que sua concorrência. O que mudará é que onde um concorrente terá seu retorno em 5 anos, digamos, outro, de prédio mais caro, o terá em somente 10 anos. A questão por trás disto será posição de mercado e fôlego para sustentar tal peso ao longo dos anos.

d)

Já vi citações de que somento o custo do projeto e suas tomadas de variáveis (sondagens, por exemplo) pode chegar a 1 bilhão de reais (como comparativo, li citações de que o projeto todo nos EUA beira os 58 bilhões de dólares, com custo de projeto de US$ 8 bilhões).

Destaquemos: dinheiro destes volumes sem nem se acentar um único dormente da obra final!

Vale a pena ler, com argumentações similares as minhas:



e)

Quando eu já acho que as coisas não podem piorar, escrevendo este artigo, sou pego por:

; Procuradora vê falhas no processo de seleção da concessionária que vai administrar a linha.

Tudo de pior está aí expresso, orçamento que cresce de 17 para 34 bilhões (se agora está com erros "a menor", que se diria na metade do valor) e destaco:

Faltam detalhes sobre as técnicas empregadas, a área atingida e a necessidade de realização de terraplanagem.

É de se perguntar, como já disse, o que raios estas pessoas tem na cabeça?

Quando estou escrevendo este "extra", sou pego pelas notícias de que o consórcio coreano já apresentou baixas de construtores nacionais:

Renée Pereira; Brasileiras podem deixar consórcio coreano do trem-bala; 25/11/2010

Vou dormir, e acordo com notas na rádio de que consórcios de outros países já abandonam também.

Bem analisados os cursos, muitas vezes a melhor maneira de realizar um negócio é não fazê-lo. - Eu mesmo, quando comecei a estudar estruturas de custos.

Um resumo recente da "tragédia": Os furos do trem-bala

Como fazemos por ironia em debates pela internet, repitamos:

É de se perguntar, como já disse, o que raios estas pessoas tem na cabeça? (2)

E é óbvio que o mundo sendo cruel como é, em especial no nosso país, ao terminar de escrever as linhas acima  leilão do bendito projeto foi adiado para abril de 2011:

Governo adia leilão do TAV para 'ampliar oportunidades'


Travestindo "completo caos, erros de todo tipo e inviabilidade" com "ampliar as oportunidades, ter um processo competitivo e ter uma participação mais forte do mercado e das opções tecnológicas". Coisa que a Economia, as Finanças e até o simples comércio ensina: as oportunidades só existem na viabilidade, e ninguém corre riscos com a certeza do prejuízo.
Conto já os dias para novas revelações maravilhosas do que esta gente tem na cabeça.

2)

Repetimos os erros que cometemos com a Bolívia no Equador?

Kelly Lima; Petrobrás deixa Equador e cobra indenização

Percebam o site que usei como referência e pensem no meu quase sádico prazer em ver erros se repetirem por pura idealização infantil de uma confiabilidade que não existe.


A história acontece como tragédia e se repete como farsa. - Karl Marx, em "18 Brumário de Louis Bonaparte".

3)

Jamil Chade; Brasil é o país com maior crescimento das importações desde o início do ano

De dezembro de 2009 a setembro de 2010 as importações cresceram 48%. Comparando setembro de 2010 com setembro de 2009, o crescimento já marca 43%.

Pouco adianta as exportações estarem subindo de dezembro de 2009 a setembro de 2010 de US$ 14,04 para 18,8 bilhões e apenas em outubro de 2010 já atingirem 18,3 bilhões, ainda sim, tal taxa de crescimento é menor que as importações e não exportamos valor agregado, e sim, matérias primas.[NOTA 2]

Logo, estamos nos desindustrializando.

Os EUA, o maior importador do mundo, teve crescimento de 14 % no período de dezembro de 2009 a setembro de 2010. Como sempre atormento meus amigos: pouco interessa para os estadunidenses se compram containers e mais containers de camisetas, tênis, sapatos, cuecas, etc. Basta venderem um jato 737, e a balança se equilibra. Basta colocarem capital na China, em empresas que vão vender as mesmas cuecas para, entre muitos, o Brasil. O mesmo se diga da Alemanha e suas máquinas de furar túneis. Até porque, triste sina, não haverá administrador que faça um operário americano colar sapatos o dia inteiro, nem uma alemã sentar em frente a uma máquina de costura.

Este é o dilema de páises pobres quando se desindustrializam: não possui escape direto para suas massas de operários. Os ricos, na verdade, solucionam um problema que já possuem.

O Brasil já é o país com maior superávit para os EUA, com a Europa a situação é similar, e o superavit histórico que apresentava desde 1999, zerou-se.

Lembrando discursos passados, o momento agora é lamentarmos, então, pedirmos liberdades em nosso comércio com os EUA (e Europa, óbvio), pois ao que parece, quem está ganhando com isso são eles.

Mas a armadilha também é tributária, e lembra a questão interna que já apresentei sobre a cristalização de nossos preços de combustíveis (ver O ônus da concentração tributária sobre o petróleo). Apenas a arrecadação com a importação de automóveis já subiu 190% nos dez primeiros meses do ano, logo, a queda da arrecadação da indústria naciuonal correspondente (e inúmeras outras) já reflete a desindustrialização.


4)

Verificando certas questões sobre o colapso do Banco Panamericano, primeiramente, o claro e indiscutível, é que aplicou-se um dos mais baratos truques de capitalização que existem, que é o inchaço de ativos, até pela sua manutenção como ainda existentes mesmo após uma venda, e tem-se de destacar, de seu valor obtido ter virado fumaça no caixa.

Sim, pois se vendi uma carteira de 1 bilhão, por exemplo, é de parecer óbvio que estou com 1 bilhão em caixa, ou partida dobrada similar.

Mas claro que não trata-se disto. Por exemplo trivial e "doméstico", vendi um apartamento, "cobri meus buracos", e vou ao banco com aquele bem ainda em minhas posses, e entro com um pedido de empréstimo com "a miragem de lastro".

Truque velho, fácil de se pegar.

Mas tenho suspeitas que pode haver bancos médios com outro tipo de truque mais elaborado.

Pego 1 milhão, coloco numa carteira com juros a serem lançados sobre as faturas de cartões que a farão chegar rapidamente a 2 milhões (para nosso juros que na Itália seriam automaticamente considerados agiotagem, nada mais banal de ser obtido).

Claro que contabilmente, esta carteira representa como ativos mais próximos da realidade, por meio de um coretor de digamos 60%, um valor de 1,2 milhões recuperáveis. Mas berro ao mundo que vale 2 milhões, lindos e floridos, plenamente recuperáveis, e insisto que se consegui dobrar tal valor, com capitalização de digamos mais uns 2 milhões, "obviamente", 4 obterei. E de 4 chegaremos ao 8, e do 8, 16...

O ganho está que se tomo 1 milhão, e enterro 900 mil numa carteira colapsante, reservo limpíssimos e divertidos 100 mil.

Nada mais que um sofisticado e bem maquilado esquema Carlo Ponzi (na Wiki en). Como todo golpe, estoura.

Sinto um cheiro de “carteiras problemáticas”. Mas pode ser apenas excessiva cautela.

Deixo aqui bem claro que apenas tenho temor de tal coisa, e alguns sinais podem mostrar que algo do tipo há na praça, e trato a coisa como boato, mas sabemos que certos dias chegam...

Mas o que não é boato, e tenderá ao caminho de sempre - em que certo dia chega... , é que o crescimento da máquina pública já aponta para mais 1300 cargos comissionados.



5)

Eu sinceramente, espero que seja uma mentira, pois verei-me obrigado a escrever enorme artigo sobre "custos acessórios que aceleram a marcha para a inoperacionalidade", mais tecnicamente, ou, no popular: "quando se está no aperto, não cava-se mais buracos!":



A História está repleta de déspotas irresponsáveis, até loucos, de insanas despesas. Castelo de Neuschwanstein, um dos diversas delírios de Ludwig II, da Bavária.

Números interessantes

  • O socorro à Irlanda é de 90 bilhões de euros. A exigência de cortes nos gastos será de 10% do PIB (15 bilhões de euros). Para salvar bancos a Irlanda usou 30% de seu PIB nos últimos 2 anos. Imaginemos o que será necessário tanto de valores quanto de sacrifícios em cortes nos gastos dos governos se vierem, como está sendo previsto, Portugal, Espanha, Itália e até mesmo a França pela frente. Como disse um conhecido, em papo informal, "o welfare state está falido".
  • Guido Mantega e a necessidade de R$ 60 bilhões para o BNDES: se tem de capitalizar-se, porque emprestou, e se emprestou, como vai ser capitalizado por meio de um estado que só pode produzir dívidas a um valor de juros maior que para o valor que pretende emprestar? Um típico cado de "Dilema de Tostines".
Tostines é mais vendido porque é fresquinho, ou é mais fresquinho porque é o mais vendido?
  • Meta de juros reais de 2% em substituição aos 5,5% atuais só será possível com o estado fazendo sua parte no controle da inflação, reduzindo seus gastos.
  • Nos EUA, o setor industrial já representa 17% do PIB e o de serviços 80%, por conta de uma política das grandes corporações de "exportar" o trabalho fabril e concentrar o controle e a pesquisa e desenvolvimento. Com este processo, beneficiam-se Honduras, Guatemala, Turquia, Tailândia, China, Indonésia, Polônia, Hungria, Vietnã, Índia, Brasil, etc.
  • O Brasil nos últimos 4 anos, importou US$ 124 bilhões em bens de capital, mas concentrado apenas em determinados setores, como cimento e celulose e derivados, Este valor é o dobro dos US$ 57 bilhões do período entre 2003 e 2006. A índústria de máquinas e equipamentos já reclama. Máquinas chinesas partiram de 2,1% do total para 12,3%,  com custo de 10 a 15% do valor brasileiro. Já há 44% de importados neste setor.
  • Mas já os exportadores internacionais de máquinas e equipamentos reclamam pois o Brasil mais e mais importa produtos acabados.
  • Estima-se que o país desperdiçou entre janeiro de 2004 e agosto de 2010 aproximadamente 15 bilhões de metros cúbicos de gás, equivalentes a R$ 7,4 bilhões, 11% do gás natural produzido. Como digo, sou um homem de números simples, e este desperdício já implica na base num custo adicional de pelos menos 12%.
  •  A China apresenta capacidade de produzir até 30 mil MWatts de energia solar até 2020.
  • Metas de inflação e de juros são incompatíveis em mercado já prevendo subida para 12% (já a 12,25%) no final de 2011 dos 10,75% de juros atuais.
  • Neste panorama, inflação ficaria em 5,17% em 2010 e 6,85% em 2011.
  • Celso Amorim afirma que os US$ 600 bilhões injetados pelos EUA vão contra os próprios EUA terem com o Brasil seu maior superávit. Isto pouco interessam pois os EUA não pautam sua economia pelas relações com o Brasil (que em termos mundiais não é nem 2% do comércio) e sim com o mundo todo, além do pequeno detalhe (percebam a ironia) de não se poder impedir os EUA de emitir sua moeda de forma alguma.
  • Portugal possui desemprego record de 10,8%
  • Já apresentamos déficit de balança comercial de US$ 663 milhões com compras de combustíveis e lubrificantes, equipam,entos mecânicos  e veículos.
  • Carne e cana-de-açúcar sobem, respectivamente, 13,7% e 1,65% pela demanda, Para o primeiro, inflação de demanda. Renda mais alta sempre implica em pratos melhores e mais cheios. Do o segundo, pressão no setor de combustíveis e em toda a cadeia do açúcar.
  • O TAV chegou a apresentar consórcio com 20 empresas, sendo 10 brasileiras e 10 estrangeiras.
  • Governo Lula não alcanço participação pretendida na indústria no PIB de 21%, chegando somente a 19%. As micro e pequenas caíram de participação nas exportações em 4% em 2009.
  • A elevação do gasto privado com pesquisa e desenvolvimento era de 0,65% e ficou em 0,5% do PIB.
  • As exportações brasileiras chegaram a 1,35%, acima dos 1,25% do comércio mundial, mas em produtos primários, como a soja e o minério de ferro. Já há notícias de o Japão está comprando minério de ferro brasileiro, pelo baixo custo e previsão de preços futuros, e o armazenando no mar.
  • Os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento de vários países:


Pode-se observar que os EUA ainda lideram com larga margem o volume de investimentos em P&D, e a China ainda encontra-se atrás do Japão.
  • A balança de pagamentos em outubro mostrou superávit de US$ 8,8 bilhões, contra 11,6 bilhões de setembro, com -20,2% na conta financeira. Ou seja, estamos comprando mais e tendo o volume de investimentos estrangeiros reduzido.
  • O Brasil gastou em 2010 US$ 160,1 bilhões em importações até a 3a semana de novembro, 43,9% mais do que no mesmo período de 2009. O valor exportado, US$ 175,4 bilhões, foi 30,8% maior uqe no mesmo período de 2009.
  • Mais de metade de nossas indústrias (55%) já importa; 34% entre as grandes companhias já importa máquinas e equipamentos; 66% das companhias importa matérias-primas; 23% já importa produtos acabados; 20% máquinas e equipamentos.
  • A importação de máquinas e equipamentos já se perturba com a situação do câmbio, pois a importação já responde por 65% do consumo brasileiro, se somado as máquinas e insumos.
  • Crédito já assinalou aumento de 20,3% nos 12 meses anteriores a novembro de 2010, já alcançlando 47,2% do PIB e deve terminar o ano a 50%.
  • O endividamento do brasileiro já é de 23,8%, maior que os 17% dos estadunidenses. O problema é ainda maior quando se observa a enorme diferença entre nossas rendas (US$ 47,7 mil contra 10,5 mil).
  • As famílias brasileiras pagaram juros de 40,4% ao anos, com prazos médios de 538 dias.
  • Mesmo com a proporção de pobres e extremamente pobres caindo de 54% para 33% e de 28% para 14, ainda 75% da população do Norte e Nordeste vive na pobreza e 50% da população rural ainda se define em situação de insegurança alimentar. (Estudos dos autores Antônio Márcio Buainain, Cláudio Dedecca, Alexandre Gori, Steven Helfand).
  • Estima-se que propriedades menores que 10 hectares tem valor de R$ 35 mil, com rendimento de R$ 108 por mês, e em Alagoas, R$ 15 e 7,5 mil, com rendimentos de R$ 16, e R$ 10, respectivamente. Ateñção, escrevemos dezesseis reais e dez reais, realmente.
  • O IGPM acumula em 10,56% ao ano. O IPCA é previsto em 5,8%.
  • A meta de 3,3% do superavit converge para 3,1%. Sem o caixa da Petrobrás, na sua capitalização, o superávit do governo foi de apenas R$ 7,71 bilhões em outubro de 2010, 31% abaixo de outubro de 2009. Mesmo com manobras como excluir a Eletrobrás, o governo não alcança sua meta de superávit, de 3,1% do PIB, alcançando 2,85%. Tal expansão dos gastos levará, inexoravelmente, a juros mais altos.Bancos já operam com análises próprias deste valor.
  • A previdência registrou saldo negativo de R$ 117,3 milhões.
  • Governo pretende reduzir para 40% a relação da dívida mobiliária federal e o PIB, que em outubro era de 44,6% num momento que reconhece que as taxas de juros estão aumentando.
  • O resultado primário do governo caiu de R$ 26 bilhões em setembro para R$ 7,7 bilhões em outubro.
  • O ganho líquido de R$ 31,9 bilhões em setembro foi proporcionado pela capitalização da Petrobrás que permitiu converter um déficit de R$ 5,9 bilhões em superávit de R$ 26 bilhões.
  • Em 2010 a folha de funcionários do governo federal subiu até outubro 9,4% amis que um ano antes.
  • De janeiro a outubro de 2009 o gasto com pessoal foi 18,4% maior que o igual período de 2008.
  • Embora a venda de carros já atinja 320 mil unidade mensais, a participação dos importados já chega a 20% deste valor.
O maior ladrão que este mundo jamais produziu é a procrastinação, e ainda vencendo com folga.
Henry Wheeler Shaw


Notas

[NOTA 1] Aqui, caímos no conceito de custos acidentais, que incluem os imprevistos mas com os quais tem de se contar até pela ironia da Lei de Murphy:

Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará.

Assim como no tempo, pela também ironia da Lei de Hofstadter:

É sempre necessário mais tempo que o previsto, mesmo quando se leva em conta a lei de Hofstadter.

Exemplificando com caso de engenharia, e pelo qual estão passando os suiços, ao cavar-se um túnel por sólido granito, pode-se encontrar uma imprevista região de fratura, ou formação de rocha mais frágil, ou infiltração de água, que eleva o custo daquele trecho de túnel em alguns bilhões, ou mesmo, o atraso puro e simples da obra, e como tempo sempre é dinheiro - logo custos...

Retornando a estas irônicas leis, pode se acrescentar a extensão da Lei de Murphy

Se uma série de acontecimentos corre mal, fá-lo-á na pior sequência possível.

Especialidades como a Lei de Johnson

Quando um aparelho mecânico falha, falha no momento mais inconveniente possível. 

Ou a lei da Gravidade Selectiva

Um objecto cairá sempre de forma a provocar o maior dano possível.

Ou ainda o muito mais complexo princípio Estendido de Epstein-Heisenberg

1.Se se sabe qual é a tarefa e se há um limite de tempo permitido para a completar, então não há maneira de saber quanto custará.

Finalizando, a mais típica na voz de nossos politicos:

A lei de Weiler

Nada é impossível para o homem que não tem de ser ele próprio a fazer as coisas.

Para ler uma coletânea destas ironias perversas:

As leis de Murphy

[NOTA 2]

Explico com um exemplo "micro": se tenho uma empresa - comercial, para simplificar a questão - que está tendo prejuízo, digamos de 10 mil reais por mês, em 100 mil reais de faturamento, pouco interessa se aumento meu volume de vendas em 30%, ou por valor, para 130 mil reais. Se tiver um aumento de despesas, ou mais especificamente, de compras com menor margem, poderei inclusive elevar meus prejuízos para 12 mil reais por mês.

Para a coisa clara, e em frios números, demonstro, e note-se que nem necessitei variar significativamente os custos fixos - e portanto não prejudicar a "mais-valia", nem o "pão de cada Alice falaciosa". Basta o clássico e imprudente "rasgar preço":

Q.E.D.


Como Alices confundem termos e conceitos, misturam variáveis por sua pregação, dou-me ao luxo de fazer o mesmo:

rockrigoli.blogspot.com

A situação se corrompe quando se corrompem os termos. - Karl Marx

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