quinta-feira, 1 de março de 2012

Inevitabilidade e Inexorabilidade dos Custos

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Os custos que ocorrem probabilisticamente no tempo e os custos que ocorrem invariavelmente num período.

A carga que garantirá o seu faturamento não poderia estar nele? - tribunadomaranhao.com.br


Há custos que são probabilísticos no tempo, ocorrem aleatoriamente, como por exemplo, e a frase se tornou um bordão deste que vos escreve, "lâmpadas queimam". Podem não ocorrer jamais com determinada cadência no tempo, como por exemplo, uma vez ao ano ou ao mês, mas invariavelmente, ocorrem numa média de vezes, ao longo da existência de um empreendimento, e sua distribuição neste tempo pode ser completamente aleatória. Como exemplo, uma companhia aérea pode passar anos sem ter um único acidente aéreo, e perder dois aviões com todos seus passageiros no mesmo ano.

Sempre ocorre o incidente, sempre ocorre o acidente, sempre ocorre o sinistro, sempre existe aquilo que não foi previsto.

Os funcionários mais nevrálgicos por um acaso são todos eternos e imortais, imunes à toda doença e eventos que os impossibilitem do trabalho?

Foi feita provisão para tal? Reservou-se no tempo um capital buscável na forma de "seguro"?

Foi considerando um desvio do lucro primariamente apontado para formação de tal reserva para "imprevistos e outros", com certa liquidez, e tal será agilizável em tempo hábil?

Pois as probabilidades jogam a favor da ocorrência, e a não previdência corre permanentemente a favor do abalo do caixa.

Esta data nunca chegará?

Mas podemos deter o tempo?

O custo que ocorre pelas probabilidades, como por exemplo o caminhão tombado e sua carga acima, por acaso deterá a prestação de equipamento que vencerá? Por acaso não "morderá" o capital reservado, sob estreitas margens, para o pagamento de um aluguel de prédio, fundamental para a operação da empresa?

Os salários poderão ser atrasados sem danos graves, sob n aspectos?

Por acaso o fluxo de caixa é "esticável" no tempo, indefinidamente?

Pode-se operar em pagamentos com D+1 (dia de vencimento com um dia de atraso), depois D+2, até um valor de dias insuportável a ser acrescentado ao dia do vencimento?

Por acaso, um aluguel ou prestação atrasado de 30 dias, não será somado com outro vincendo, em poucas horas?

Voltando a imagem do caminhão tombado acima, ainda que exista pleno seguro para a carga perdida, poderá se repor o atraso na produção?

Ainda que o seguro cubra "lucros cessantes", que incluam o atraso na produção, conseguirá simplesmente valor cobrir o prejuízo de imagem, ainda que inocente, junto aos revendedores e clientes?

Reservas é a única resposta após todos os "nãos" respondidos nas perguntas acima. Ação é o que as geram. Previsão é o que nos prepara para tal. Precaução não é o sempre evitar, mas o estar preparado para o que possa ocorrer, mesmo para as mais imprevisíveis variedades de imprevistos. O que interessa nesta precaução, é o valor da precaução como reserva, e o problema que poderá solucionar.

E tal provisão só nasce da contensão dos desejos de consumo e da permanente vigilância dos desperdícios, na redução de custos, que são o mais direto dos geradores de lucro, enfrentando a competição do mercado.

O lucro, assim, numa primeira visão, é uma meta, mas no tempo, mais e mais mostra-se como o "resíduo" de David Ricardo.

Como sempre repetimos: caixa é fato, lucro é teoria.

Recomendo também a leitura de:

Extras

I

A bolha que julgo que virá a estourar...

Recomendo: Bolhas no horizonte

Quanto mais leio sobre imóveis, e comento sobre tal em meus "papos de cafezinho", mas vejo que nos aproximamos de um "plop!".




  • O buraco da Gafisa - A construtora vale menos e deve mais do que os concorrentes. E também não evitou que os problemas da Tenda arranhassem sua imagem
  • A tenda dos horrores da Gafisa - Demissões, falta de pagamento, uma aquisição desastrada: por que a Gafisa se tornou a empresa mais problemática entre as grandes do setor

Blog que passou a ser de minha seguida leitura:  http://www.bolhaimobiliaria.com/

Na sua página no Facebook, coloquei o seguinte comentário, aqui levemente corrigido e modificado:

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Excelente seu blog. Não sei como passou a existir uma opinião quase epidêmica entre grande número de economistas que não temos um problema, quando em SP, por exemplo, após meses, diversos 'stands' de vendas ainda estão ali, anunciando "80 a 90% de vendidos", e nem sequer uma fundação foi iniciada.

Onde em 6 meses, apartamentos de 49 metros quadrados passaram de 390 para 430 mil reais, em bairro bastante problemático. Onde este extremo valor é apenas sustentado pela "estrutura de lazer que o prédio oferece" (como coisa se no futuro quem o tenha comprou não tenha este custo como sua despesa, correntemente).

Onde investe-se pagando juros altos e tem-se de esticar o recebimento ao mais baixo juro por longuíssimos períodos (um spread invertido que leva ao endividamento inexorável de empresas que operem com capital tomado que não pode levar em conta tal custo).Nota

Pior ainda: onde afirmam que nosso crédito imobiliário é pequeno em relação ao PIB, o que não interessa, pois crédito cedido não é medido na sua recuperação por esta proporção, e sim pela sua qualidade (os N C's de quem trata do assunto).

Parabéns, e continuem profetas do óbvio, como Cassandras a alertar para o eminente desastre. Certamente, salvarão do prejuízo muitos.

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Nota

Acrescento:

1) Construtoras pequenas, como por exemplo, uma que esteja operando em três prédios, tem apenas estes três prédios (uma obviedade) para alavancar um quarto que entre em construção. Uma maior tem, obviamente, mais "graus de liberdade". Noutras palavras, a primeira construtora tem a possibilidade de tomar as entradas (receitas) de um apartamento ou mais da obra 1, e colocar tal capital na execução da obra 2, da obra 1 e da obra 2 direcionar para a obra 3 e das três reunidas mobilizar-se para uma quarta.

Mas mais que este jogo de transferência de recursos, não pode fazer.

Podemos dizer que sua capacidade de captação sobre o próprio estoque (seu realizável) se esgota neste pequeno estoque, a "carga" que pode descarregar sobre cada um de seus produtos é alta, ou possui uma alta densidade de exigências. Já uma empresa com muito mais obras, pode ter, se com 100 unidades em execução, pra uma nova, apenas uma exigência de aproximados 1% sobre seus produtos pra a execução de uma nova obra. Mas percebamos que pouco interesa o tamanho da construtora. Ainda que seja enorme, se sua realização não suprir as demandas que está colocando no jogo, não tardará a se imobilizar, a minha "inoperacionalidade", já em marcha.

O velho "despir um santo para vestir outro", que num momento, com mais santos a vestir, deixa mais de um nu, inexoravelmente.

2) Uma construtora com centenas de imóveis a venda, pode ter uma "venda miraculosa", de um ganhador de grande prêmio de loteria, político corrupto que acabou de ganhar uma enorme propina, bicheiro, traficante boliviano (apelamos, claro, mas o argumento se mantém assim mesmo), até mesmo um honesto ex-proprietário de terras que resolveu mudar de investimentos, que lhe dê um fôlego instantâneo de caixa, comprando a caríssima cobertura, meia dúzia de apartamentos à vista por direto depósito bancário, líquido e imediatamente utilizável no jogo um tanto perigoso que mostramos acima.

Banalmente se entende isso pensando-se em uma lancheria de esquina e uma loja de grande rede de fast food. A pequena e isolada loja jamais terá o empresário que entrará e encomendará uma relativamente cara festa para seu filho, ou o filho de uma estimado empregado. Algo tão fácil de entender quanto, voltando a citar loterias, o senhor aposentado que joga um cartão por semana tem muito menos chances de ganhar um prêmio que o apostador semanal de 200 cartões. Tão simples quanto isso.

Em suma, a velha teoria do golpe um golpe sempre colapsa quando o número de "clientes" tem de ser proibitivamente maior, quando o capital tem de ser proibitivamente maior ou os tempos das operações tem de ser proibitivamente menores (velocidade insustentável). 

Os negócios excelentes são "golpes equilibrados", sempre em fluxo sustentável pelo mercado.

II

Recomendo: Mailson Ferreira Da Nóbrega; As empresas pagam tributos? - www.imil.org.br

mises.org.br


Tema que já tratei, indiretamente, aqui: Falácias de Alices (VI) - Um retorno ao tema do assistencialismo.

De onde agora repito:

Todos querem viver às custas do Estado, mas esquecem que o Estado vive às custas de todos. - Frédéric Bastiat 


E disto tiro: O estado pretende viver à custa de poucos, mal percebendo que destes, não conseguirá mais que pouca coisa, pois repassarão seus fardos aos muitos, que são sempre quem sustentam o estado.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Belo Monte, terrível abismo

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Ou "um Belo Monte de problemas", mas esta ironia não seria de forma alguma original. 





Historicamente, o governo brasileiro desenvolveu projetos de geração de energia elétrica com desproporcionalidade entre reservatórios (lagos) e a capacidade das respectivas usinas.

Para compensar a 'não construção de uma enorme usina com ineficiente lago que não mantem-se na maior capacidade de produção o ano inteiro', bastaria se programar a modernização, o aumento de capacidade e o aumento de eficiência das usinas mais antigas (ou mesmo sua completa reconstrução/substituição), que totalizadas, diminuiriam bastante a necessidade de construção de "megausinas", ainda mais, em região onde a área de terra tem sua maior função no ecológico e no extrativista sustentável e cientificamente coordenado e dirigido, não, de forma alguma, n sua ocupação pelo latifúndio, que mais cedo ou mais tarde, colapsará pelo péssimo solo que é a região amazônica sem sua floresta auto-sustentável.

Mas observemos que descentralização da geração de energia não implica em "produção empurrada" da geração de riqueza x produção puxada pela riqueza gerada.

Explico: não adianta colocar lá geração de energia, como coisa que esta medida, por si, levasse pra lá a geração de riqueza dos demais setores da economia, mesmo na permanência dos trabalhadores envolvidos na construção, o que por si só será um futuro problema.

Nem necessito lembrar o "pequeno problema" que estamos, para n setores industriais, em processo de esmagamento de nossa indústria pelos asiáticos e sua reserva na prática ainda infinda de trabalhadores de baixo custo, somado à investimentos em infraestrutura que nem de perto conseguimos seguir.

Certas iniciativas energéticas "empurradas" já mostraram seus mais terríveis resultados, como o caso da questão mamona/biodiesel/etanol-metanol.

Plantar mamona não implicou na geração de riqueza local, nem mesmo de determinado extrato social, nem muito menos o aumento do consumo pelo país de seus derivados. Manteve, inclusive, uma limitação tecnológica do consumo de metanol importado.

Pior fiasco ainda evidencia-se na questão de passarmos a ser importadores de etanol dos EUA, que agora, coloca-se como produtor e importador de combustível "limpo" (notemos as limitantes aspas) enquanto nos tornamos, por simples custos e tributação, importadores de combustível, aqui sem a mínima necessidade de aspas, sujo.



Referências sobre o acima é o que não faltam




Extras

O 'derramamento' da Chevron

Fantástico que previ algo parecido: Finda um período cinza

Agora a coisa se revela: não temos barcos, não temos pessoal treinado, não temos recursos e o velho problema que defino associando à uma clássica piada "inferno brasileiro" - um dia falta lei, outro falta fiscalização, outro falta multa, outro falta quem execute...

www.piadasdodia.com.br


E agora, a coisa começa a se apresentar cotidiana:

Vazamento de petróleo no pré-sal pode ser de 160 barris e não chegará à costa, diz Petrobras - noticias.uol.com.br

Como sempre, o princípio do direito ambiental que foi esquecido é o Princípio da Precaução:

José Roberto Goldim; O Princípio da Precaução

No Princípio da Precaução, não previne-se e se formam recursos para aquilo que se sabe que pode acontecer e como pode acontecer, e sim, se tomam precauções, na forma de recursos e procedimentos, para aquilo que não se sabe. Em suma, como ironizado acima, mata-se na raiz o "inferno brasileiro", provendo recursos e técnicas para possíveis cenários imprevisíveis e sobre os quais ainda não se disponha de conhecimento técnico-científico.

Evidente que tal volume de recursos e técnicas/equipes treinadas demanda somatório de custos e planejamento.

O que se mostra, e podemos usar o termo histórico, nos fatos que começam a aparecer:

Ibama ignorou relatório que apontava problemas na Bacia de Santos, diz secretário - veja.abril.com.br



Educação, esta abandonada

Sou seguidamente tomado de um desejo quase incontrolável de apenas citar bons textos e não correr risco algum de prejudicá-los, especialmente, com minhas mal acabadas palavras e ainda mais, quando expressam com perfeição o que talvez não conseguisse expressar tão adequadamente.

O fato é que estamos alimentando, no Brasil, uma espécie de apartheid educacional entre os jovens de classe media e alta, cujas famílias há muito “privatizaram” a educação de seus filhos, e os estudantes de famílias mais pobres, que são levados a estudar nas redes estaduais e municipais de ensino, com seus problemas crônicos de gestão.


Fernando Luís Schüler: “O fato é que estamos alimentando, no Brasil, uma espécie de apartheid educacional”


O normótico é aquela pessoa que não escuta, é aquela pessoa que está pensando só em si, é aquela pessoa que não se dá conta que tudo está ligado com tudo; que para diante de um semáforo e vê aquele bando de crianças perdidas e acha que isto não tem nada a ver com ele. Uns adolescentes matam: no Dia do Índio comemoramos o triste aniversário do mártir Galdino. Estes filhos de nossa sociedade não eram bandidos nem psicopatas, são nossos filhos; e o normótico acha que isto não tem nada a ver consigo; ele lê no jornal e se estiver tudo bem no seu canteirinho vai para sua vidinha de sempre... - Roberto Crema, palestra Liderança no sec XXI (1998)


Como sempre, dívidas

Em meio a estas minhas observações e um certo descuido de aqui postar atualidade (até pelo simples motivo de que o Brasil prima por ser rotineiro nos seus erros e nem mesmo criativo em suas tragédias):

Dívida externa brasileira sobe 16% em 2011 e vai a US$ 297 bi - www1.folha.uol.com.br

Dívida pública brasileira aumenta 170 bilhões de reais e chega a 1 trilhão e 860 bilhões de reais - montesclaros.com

O que dá pouco mais de 10%, frente a um crescimento do PIB de...

Ipea estima que PIB brasileiro de 2011 será muito abaixo do registrado no ano anterior -  www.ohoje.com.br

Coloquemos 4%, porque simplesmente gosto de forçar números para ver determinados resultados possíveis em determinadas tendências. Disto, temos que nosso endividamento está crescendo, muito por baixo, a uma razão 2,5 vezes mais rápida que nossa economia?


Ah, sim, só queria entender...

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domingo, 6 de novembro de 2011

Capitalização, giro e alavancagem - II

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O giro


O “dinheiro redondo”, o capital do feirante, que acorda às 4 da manhã, vai ao atacadista, compra 200 reais de pés de alface e até o fim do dia tem de transformá-los em 400, pois ao longo de 20 dias úteis de tal atividade no mês, conseguirá honrar 8000 reais de outros compromissos, e só pode contar com o dinheiro gerado entre custos e preços dos pés de alface. É o dinheiro que gira em mercadorias ou recursos para prestar serviços no tempo, o típico capital gerador de caixa. Se diminuído, não conseguirá cumprir suas metas no tempo. Se não cumpridas suas metas em cada intervalo de tempo no qual se estabelece seu jogo, não conseguirá se perpetuar em seu volume. Ambas estas estagnações, a inoperacionalidade de uma atividade qualquer.

Nesta questão de que compras e posteriores vendas implicam numa possível contribuição que busca sempre a contribuição que deve sempre ser igual (no ideal, sempre arriscado) ou superior (um primeiro passo para o lucro, que inicialmente passa pela simples segurança) à contribuição necessária para cobrir os custos e despesas num determinado período de tempo encontra-se a questão fundamental do ponto de equilíbrio.

Com firmeza, perseverança e vontade, é o capital mais seguro e mais gerador, embora, cada dia seja tomado de seus riscos, e estes, levam, no tempo, a sempre ocorrerem incidentes.

Aqui, escrevi artigos muito mais completos e técnicos que o simples texto informal acima.

http://knol.google.com/k/custo-gerador-conceitua%C3%A7%C3%A3o

http://knol.google.com/k/francisco-quiumento/inoperacionalidade-e-colapsos-de-caixa/2tlel7k7dcy4s/63#

http://knol.google.com/k/francisco-quiumento/ponto-de-equil%C3%ADbrio-para-empresas/2tlel7k7dcy4s/16#

becocomsaida.blog.br





Não lamento os homens, os homens refazem-se; não lamento o ouro destes tesouros, eles voltam a encher-se; mas quem restituirá a estes povos os anos que vão passando? - Diderot_


Há ladrões que não se castigam, mas que nos roubam o mais precioso: o tempo. - Napoleão Bonaparte

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Extras

I

São Paulo, a cidade, como amo dizer para certas questões, "subiu no telhado" [Nota 1]

Chalita, Haddad e Covas Sabem da Dívida de São Paulo?

A CPI da Dívida da Cidade de São Paulo


A política é a arte de constantemente descobrir motivos para novos impostos. - Helmar Nahr


II

Primeiro, cuida-se de sua maloca e suas goteiras, depois, da bela casa dos vizinhos, ainda mais, que o problema deles não são goteiras:

Dilma dá novos conselhos para a Europa sair da crise - economia.estadao.com.br

Dilma distribui conselhos na Europa (e erra)mailsondanobrega.com.br

Financial Times diz que conselhos de Dilma são hipócritaswww.fabiocampana.com.br

E o mais "divertido" de todos:

JOÃO PEREIRA COUTINHO; Uma "presidenta" na Europa; Folha de SP

Onde destaco:

Dilma tem a solução: uma bolsa família global. A experiência correu bem no Brasil, disse Dilma, e a Europa do sul, que está falida precisamente por causa do seu generoso modelo de bem-estar social, precisa de mais uma bolsa para juntar às incontáveis bolsas que enterraram a Grécia, Portugal, Itália, talvez a Espanha.





Muitos buscam o poder, para fazer o que não se pode, e outros a justiça, apenas para prostituí-la. - Elanklever





O dinheiro é, na verdade, a coisa mais importante do mundo; e toda a moralidade sólida e bem sucedida, pessoal ou nacional, deverá basear-se neste fator. - George Bernard Shaw



III


Enquanto isso, ontem (07/11), na FIESP, em Seminário sobre Saneamento, apontam-se para os terríveis números de que a universalização do saneamento no Brasil (leia-se: água na sua torneira e esgoto saindo de sua privada para um encanamento, não para sua rua...) talvez só seja alcançado em 2040, 29 anos no futuro.

E queremos dar lições de Economia para um continente que após a devastação da 2a Guerra Mundial, possui qualidade de vida só nos "números grossos" 4 vezes à nossa, IDHs que nos humilham e não levaram para isso 29 anos (basta ver para isso a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, exatamente 29 anos após a 2a Guerra, 37 anos passados).

Como dizemos: ...me poupe! (com voz de desdém, sic)



Um homem nunca deve envergonhar-se por reconhecer que se enganou, pois isso equivale a dizer que hoje é mais sábio do que era ontem. - Jonathan Swift




IV

Para quem acredita hoje em forças "nacionalistas", Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo (mais uma prova que blogs de "Alices" tem sua utilidade em nos manter informados sobre estudos em Economia).

Uma representação matemática do "controle global".


O abstract do original: http://arxiv.org/abs/1107.5728

Uma versão do artigo: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0025995


V

Se quer realmente saber qual a causa do "desastre parcial" que temos hoje nas finanças do mundo, leia:

Stephen Kanitz; Como Destruíram a Capacidade de Emprestar das Nações

Onde destaco:

Os bancos do Ocidente vêm desaprendendo a técnica de avaliar e emprestar dinheiro de forma segura e produtiva.


Já basta o risco de se acordar todos os dias de manhã e tentar transformar 200 reais de alfaces em 400 reais.  É um risco potencializado emprestar até o que não se tem de dinheiro para alguém que nem sabemos se é capaz de agir como um simples verdureiro.

Se quer se aprofundar na equação de Black-Scholes, já basta a pt.wikipedia.org





Nenhum mentiroso tem uma memória suficientemente boa para ser um mentiroso de êxito.
Abraham Lincoln   



VI

Governo já está preso a um ciclo vicioso de ter de manter crédito alto, e este, levará (e já está levando) à inflação alta. Inflação alta levará à diminuição da renda real. E renda real mais baixa levará à redução do consumo. Redução do consumo, ao desemprego. Para manter o emprego em alta, necessitará consumo, que para ser mantido elevado, necessitará, sem sustentabilidade, de crédito alto.



Governo facilita o crédito para aliviar efeitos da crise internacional - g1.globo.com

As sementes da destruição de uma estabilidade já foram plantadas, agora, nos resta matar as ervas daninhas, com sacrifícios.

Notas


1. A piada de onde tal expressão se origina:

O Manoel veio para o Brasil e deixou seu gato de estimação aos cuidados do Joaquim.Tudo ia muito bem até que o Manoel recebe uma carta do Joaquim, dizendo: "MANOEL, SEU GATO MORREU".
O Manoel ficou desesperado e ligou para o Joaquim recriminando o modo como o amigo dera tão cruel notícia. O Joaquim, sem saber como consolar o amigo, perguntou como poderia ter transmitido o infausto ocorrido. Manoel lhe respondeu:
-Você deveria ter escrito uma carta da seguinte forma: "Manoel, seu gato subiu no telhado". Após uma semana, mandado uma outra carta: "Manoel, seu gato escorregou do telhado". Na outra semana uma nova carta: "Manoel, seu gato caiu do telhado". E só então, numa correspondência final, pois aí já estaria preparado, para o desfecho final: "Manoel, seu gato morreu".
O Joaquim se desculpou e a vida continuou com o Manoel no Brasil e o Joaquim lá em Portugal.
Num determinado dia o Manoel recebe uma carta do Joaquim que dizia: "MANOEL, SUA MÃE SUBIU NO TELHADO".

Em finanças e economia, frequentemente é prudente não assustar as pessoas, e apresentar as tragédias inexoráveis em doses "homeopáticas".

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sábado, 8 de outubro de 2011

Capitalização, giro e alavancagem - I

O "triângulo do investimento", uma criação minha para entender-se o que seja a capitalização, o capital de giro e a alavancagem de capital, suas características de comportamento e riscos típicos.

Publicarei aqui, até para aliviar uma determinada "pressão de temas", a primeira parte de um artigo mais técnico, que estou construindo sobre três formas de manipulação/tratamento de capital.



A capitalização

O “dinheiro quadrado”, o capital que de moeda em moeda, em intervalos de tempo, ganha juros sobre juros, na economia é a partida dobrada da capacidade de investimento e na vida pessoal, a previdência. É o dinheiro da prudência.

Qualquer pessoa, mesmo extremamente limitada intelectualmente, sabe lidar com “dinheiro quadrado”, mas curiosamente, a maioria não o faz, pois é dinheiro que exige disciplina.

Todo aquele que quer ter uma renda de juros de 5000 reais, por mês, todo o mês, terá de poupar 1000 reais cada mês durante 30 anos a uma taxa real , “líquida” (descontada toda e qualquer inflação) de 0,5% ao mês (a popular poupança), acumulando um capital de pouco mais de um milhão de reais.

Se acumular 2000 reais por mês por 252 meses (21 anos), acumulará os mesmos pouco mais de um milhão de reais e terá a mesma renda de juros.

Já acumulando apenas 500 reais por mês, ao final dos 30 anos terá apenas pouco mais de 2500 reais de renda, correspondentes a pouco mais de 500 mil reais.

E assim por diante. Para uma planilha destes cálculos, e do quão dura pode ser a fria realidade dos números, para períodos de tempos que podem ser o de uma vida, consultar:

https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AiEMpY80-IhadEJBeFNsaXd0Z3dmWjRFTk02M2JLQnc&hl=pt_BR



Extras

I

A coisa já havia dado seus primeiros sinais em Custos ocultos e desejos de consumo - Extras - 6). Para até minha vergonha, o pretendido "grande cliente" agora é nosso fornecedor, e fará fortunas em cima de nossos erros:

Brasil terá que importar 1,1 bilhão de litros de etanol anidro ou em www.bioetanol.org.br


Na verdade, a situação já se delineava antes, por questões de competitividade:

Jarbas Rocha; EUA JÁ EXPORTAM MAIS ETANOL QUE O BRASIL; novembro 3rd, 2010

II

Temos imediatamente de parar de dar conselhos à nações muito mais ricas (especialmente no seu conjunto, que se expressa especialmente pela moeda comum) e com rendas per capita e PIB per capita mais altos que o nosso, sob pena de cairmos no ridículo, como vemos nos artigos abaixo:

Carlos Alberto Sardenberg; O vício pela virtude; originalmente no O Globo, mas encontrável também em clippingmp.planejamento.gov.br


E o mais direto e contundente:


Reinaldo Azevedo: Texto reproduzido no Financial Times ironiza mania do governo brasileiro de sair distribuindo conselhos ao mundo


Dilma: agony aunt to the EU

Com termos quase no ofensivo, somou-se (como se necessário fosse): Coluna do Augusto Nunes.


E como bem pergunta Carlos A. Sardenberg, o que raios faremos para estimular nossa economia quando tivermos os juros baixos, pela própria lógica um tanto confusa que recomendamos a outros?


Noutras palavras, se nem nos capitalizamos e conduzimos nossa sociedade ao consumo responsável e à poupança para seu futuro, como vamos dar conselhos às mais estáveis, ricas e igualitárias sociedades do mundo?


Como já escrevi, não só o sabiá quer se tornar harpia, mas também, posar de sapientíssima coruja.


Antes, temos de responder com ações ao próximo ponto deste "extra", fruto exatamente de nosso aquecimento da economia baseado em liberação de crédito acima da capacidade de atendermos aos nossos desejos com as obrigações de produzirmos para tal:




III


Sem mais comentários, o próprio título diz tudo:


Inflação oficial em 12 meses chega a 7,31%, maior taxa desde maio de 2005


Se acha que é um valor pequeno de inflação, ele significa que ao final de um ano, seus ganhos, sejam eles quais forem, permitem na média apenas um pouco mais de 93% do que eles eram capazes há um ano atrás, ou, pelo próprio esboço acima do que seja capitalização, que seus rendimentos numa aplicação qualquer já tem de ser acrescentados de uma correção monetária de quase 0,59 % ao mês, um tanto mais que uma rentabilidade "líquida e real" de 0,5%.


Somos nós que realmente estamos com problemas, com mais de 7% de pulverização ao ano da moeda na mão de nossa pobre população de PIB per capita de quase US$ 11 mil dólares ao ano, e não os italianos, com seus mais de US$ 30 mil de PIB per capita, ou os espanhóis, com mais de US$ 33 mil, e por incrível que pareça aos nossos doutos líderes, que agora se encorajam a dar conselhos ao mundo, os gregos, com seu PIB per capita de quase US$ 37 mil, mesmo "quebrados" como estão.

Aqui, embora há muito já tenha abandonado diversas coisas dentro do que chama-se Cristianismo, concordo com determinado rabino "de poucos dias e muitas dores", e seus sábios conselhos:

...tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.







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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Falácias de Alices (VI)

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A posse dos espaços físicos

Eu poderia detalhar quase ao insuportável este caso, mas me concentrarei numa linha de raciocínio sobre um caso que já tratei, que é a vendedora de flores.

Primeiramente, lembremos que todo espaço físico de nossas cidades, independente de sobre um lote de terra ter sido construído um arranha-céus de 100 andares, foi/é, pelo menos potencialmente, um espaço para a produção agrícola. Disto, nasce um óbvio dilema: toda construção humana, para a habitação, tira a terra produtível de (ou para) alguém. Mas é óbvio também que todos necessitam de teto.

Mas não enveredemos por estas minúcias, algumas das inúmeras incompatibilidades que surgem no econômico. Lembrando nossa vendedora de flores, consideremos que em determinado momento tenha somado tal reserva de lucros (aquilo que popularmente chamamos poupança), somente às custas de seu isolado suor, e resolva oferecer tal valor, exatamente a um dos "loteados ex-sem terra", que desejam (pois são livres, suponho) abandonar a atividade agrícola, ao menos naquele local. Logicamente, tais proprietários de terra estariam satisfeitos com o valor recebido.*

*Que pasmemos, pode ser pago até em flores, já que Alices não gostam muito de falar de dinheiro, e até Fidel Castro um dia sonhou em seus delírios utópicos que o povo cubano não necessitaria mais dele.

Mas nossa senhora e sua família não desejam ali produzir flores in vivo, pois não possuem habilidade para isso (do mesmo modo que cubanos, pelo visto, jamais possuiram vocação para produzir carros, ou soviéticos, na maior escala possível do socialismo aplicado, possuiram para produzir chips eletrônicos). Assim, desejam naquele lote de terra ter espaço para processamento de flores, seu recebimento (que pode advir até dos recém vendedores do lote de terra, de onde ganhariam já imediatamente com isso), seu corte (que pode empregar mais "sem terra" que na verdade passariam de ao invés de esperar doações já ter ganhos) e embalagem (idem, adicionado de comprar as ditas embalagens).



Notemos, que em nenhum momento do acima, houve, na constituição deste espaço físico, que não é agrícola, o roubo de algo que se configure numa unidade que pode ser definida como industrial - tanto que por viabilidade e escolha livre, foi trocado pelos proprietários agrícolas originais. Notemos que a própria existência de um espaço de processamento de um bem tão inútil como flores (e já mostramos que tal característica pouco interessa no econômico) produz uma cadeia de riqueza que é maior que a original de produção agrícola na mesma área. Logo, todos só tiveram vantagens, e ninguém foi explorado. Assim, a posse de um espaço de produção, tão natural como um espaço para habitação (que pode, numa ótica comunista, só ser coerente com a habitação mínima do trabalhador rural, da casa do trabalhador industrial e a residência do trabalhador burocrático), não pode, como visto, ser distinto plenamente do espaço de produção agrícola.

Detalhes: Claro que Alices alegarão que uma florista que se tornou, digamos, uma atacadista de flores está agora explorando trabalhadores. Poderíamos aqui colocar que todos os envolvidos são familiares, e são tão independentes quanto os sem-terra de que Alices tanto gostam que ocuparam um lote familiar e estão produzindo. Também poderíamos mostrar que qualquer empreendimento que produza numa mesma área agrícola mais que a produção agrícola para seus usuários estaria explorando menos pelo trabalho que os agricultores, e mesmo estes, ao trabalhar a terra, estariam prejudicando os industriais (os chamamemos assim). Poderíamos burlar ad infinitum/ad eternum os argumentos típicos de Alices fazendo diversas substituições e apresentações de valores gerados. A questão maior dentro deste tipo de contra-argumentação é que não pode-se igualar em capacidade geradora de riqueza atividades econômicas diversas por uma variedade isolada, como área, mas área seria extremamente significativa na produtividade/geração de riqueza de algo como a agricultura. Mais uma vez, percebe-se que Economia não é conhecimento amparado em contas simplórias.

Mas em suma: medição alguma de escala do que quer que seja em economia pode ser afirmado direta e simploriamente como roubo. Por outro lado, o controle exploratório e prejudicial aos consumidores de determinado setor ou atividade o é.


Sabe que a população deste planeta é hoje dez vezes maior que nos períodos precedentes ao capitalismo? Sabe que todos os homens usufruem hoje um padrão de vida mais elevado que o de seus ancestrais antes do advento do capitalismo? E como você pode ter certeza de que, se não fosse o capitalismo, você estaria integrando a décima parte da população sobrevivente? Sua mera existência é uma prova do êxito do capitalismo, seja qual for o valor que você atribua à própria vida. - Ludwig von Mises.


O incremento de atividades

Lembremo-nos de nosso criativo pipoqueiro.

Aos moldes bem do que vemos hoje, em estratégias de "margens de manobra" como a que vemos nas grandes redes de salas de cinema, um pipoqueiro poderia, na sua escala, incrementar sua atividade com, sejamos pitorescos, um realejo.



Claro que pela dificuldade de produzir-se e comercializar-se pipoca, o pipoqueiro não poderia dar plena atenção ao realejo e menos ainda ao exigente macaco. Seria conveniente acrescentar a esta sua nova e complexa estrutura um segundo trabalhador, com os quais dividiria os ganhos. É claro que na minha típica desonestidade intelectual, estou colocando o pipoqueiro deste caso como o mais feroz dos marxistas, dividindo, sem hipocrisia, todos os seus ganhos.

Mas a maior desonestidade desta argumentação é que pela marcha que iniciamos com o primeiro passo acima, poderíamos rapidamente chegar, com o mesmo acréscimo de atividades e posses, as modernas redes de cinema e suas lucrativas pipocas (do ponto de vista conceitual, um realejo está para a venda de pipocas como a mais cara produção de Hollywood também está).

Evidente que porque o mundo é real e não ideal, não se daria com a permanente soma de mentes fraternais e divisoras de suas posses, e haveria a concentração, mas podemos, exatamente porque o modelo que apresentamos é uma possibilidade, ainda que improvável, mostrar que o incremento de atividades a uma já existente, e que implica obviamente em crescimento, não implica necessariamente em roubo.

Acredito que aqui, poderíamos poupar acréscimos à argumentação acima, lembrando o dilema da "empresa de uma libra", mostrando que o incremento de capital não necessita se dar pelo enriquecimento concentrado, mas distribuído entre acionistas, que podem ser, desde o primeiro momento, nosso pipoqueiro e nosso realejista.

Não há atividade econômica em si, simples ou complexa, que possa, pelo simples fato de ser grande em escala, de ter trabalhadores que não sejam seus controladores e ter controladores que não sejam nela trabalhadores, ser taxada de oriunda de exploração ou roubo.


Proceda como se fosse impossível falhar. Só as suas ações determinam e mostram o seu valor. - Alfred Montapert



A diversificação na atividade

Talvez este seja um ponto um tanto difícil de ser entendido pelo título acima, mas exemplifiquemos, novamente, com nosso modelar pipoqueiro.

Eu concordo que acrescentar um realejo ou salas e mais salas de cinema seja incrementar por uma diversidade exótica ao produzir/processar pipocas. Mas nem sempre a ampliação das atividades se dá desta maneira horizontal, e digo com segurança, muitas das maiores corporações cresceram explendidamente assim como aprersentarei e diversas colapsaram exatamente por tornarem-se estritas, lineares, e diria "tubularformes" (adiante entender-se-á o significado disto) por processo um tanto diverso.

Sabemos que nosso pipoqueiro consome milho (de pipoca), óleo, sal, e mais meia dúzia de, digamos, temperos. Chegado determinado ponto de sua escala, e a argumentação por não ser tal o que Alices mais extremadas chamam de roubo, poderá, pela própria escala de suas compras, passar a ser um revendedor, tanto varejista quanto atacadista (aqui, apenas o que interessará é a escala) de milho, óleo, sal e talvez muito mais que uma dúzia de temperos.

Se seus processos de distribuição (que são, em cada etapa, comercializações) forem abertos, como digo, "em árvore", será uma empresa que em cada etapa de seus processos, rumo a um produto final altamente agregador de valor (pois é o mais acabado de todos) gerará lucros também por velocidade (giro de estoque), com as vendas a preços competitivos de cada uma de suas matéria primas, insumos, e até equipamentos e utilidades (como carrinhos e até gás).

O problema é quando, tornando-se permanentemente "fornecedor de si mesmo", em cada etapa, deixa de ser uma ramificação, uma diversificação "em árvore" e passa a atuar como "uma tubulação" apenas com entrada e uma saída (ou mesmo um número perigosamente limitado destas), que é o produto final. Assim, como muitas empresas já entenderam até das piores maneiras, quando não tem a saída do produto final, gera pressão (custos/acúmulos/estoques exagerados) em cada etapa - possível - de seus processos.

O mesmo erro existiu no passado, similarmente, por exemplo, com a Ford, que apenas produzia carros a partir do minério de ferro, da borracha, da madeira, da areia para seus vidros, etc, somente a partir de suas matérias primas mais básicas. Dependia, por não possuir sistemistas quaisquer, de manter toda sua cadeia de produção permanentemente no ótimo, o que mostra-se, exatamente pelo mesmo motivo fundamental que 2500 'sem terra' não podem fazer compras ótimas e de pleno acordo, impossível.

Um determinado grau de flexibilidade, nas malhas de fornecimento e vendas, é sempre desejável em toda estrutura, e ainda melhor, se proporcional tal flexibilidade à escala da atividade.

Noutras palavras, se não estamos vendendo carros, ou pipocas nos cinemas, vendemos peças de reposição, ainda mais em plenas crises, ou pacotes de pipocas para micro-ondas, pois a população está preferindo, a menor custo, assistir seus filmes em casa.

Observa o rígido carvalho e o flexível junco. Apenas o junco sobrevive aos ventos da tempestade.

Numa combinação das duas acreções de atividades acima, poderíamos ter, já que vendemos milho e óleo, apenas para ficar no mais comestível, a adição de n outros grãos, e processados alimentícios. Se desejar chamar isso de mercadinho da esquina, de supermercado, de hiperpercado, de distribuidora de alimentos ou mesmo de "algo parecido com a Wal-Mart", que de tão grande escala ajuda a controlar a inflação dos EUA, "liberdade de ação".

Mais uma vez, pelo "dilema da empresa de uma libra", tal não poderia se classificar como roubo, e exatamente pelo acima citado, a determinado ponto de escala, e se dirigida a empresa para não ser um parasita do mercado, pode vir a beneficiar (por exemplo, por "choque de oferta" - controle de inflação) toda a massa consumidora.

Mais e mais me convenço que não existem pecados na Economia, existem apenas os pecadores.

A única coisa bem distribuída no mundo é a burrice. George Bernard Shaw


A alteração de atividade

Mas combinemos os dois casos acima. Imaginemos que num determinado ponto de lucrabilidade, a flores sejam mais lucrativas que as pipocas com seus agora cinemas (e também pode-se imaginar o contrário). Nada poderia impedir os possuidores de um dos casos abandonar sua atividade e ceder seu espaço para a outra atividade, em troca de capital ou participação (o que até contabilmente pode representar o mesmíssimo valor). Aliás, tal poderia se dar por simples desejo, ou mesmo tédio, por uma nova atividade por uma anterior. Como para os dois casos demonstramos não necessariamente ter atingido suas escalas por exploração ou roubo, uma substituição de um por outro não implicaria em tal também.

Mas a questão por trás destes simplórios argumentos é o raciocínio absurdo de Alices, que toda atividade, quando possui proprietário, este necessariamente é um usurpador de algo que nunca poderia ter sido dele ("a propriedade é roubo" - curiosamente, a terra dos acentados ex-sem-terra, não se encaixa nisto!), que todo empregar alguém é roubo (o "valor trabalho", a "mais-valia" e outras tolices) e que todo enriquecimento advém da exploração (de certa maneira, um mistura das falácias anteriores).

Curiosamente, todos os modelos de produção agrícola do "capitalismo de estado" (usemos as falácias típicas de Alices) do passado fracassaram (a não propriedade e não industrialização/capitalização do campo), conjuntamente, toda a sua produção de bens de consumo, diria, necessário (veículos, por exemplo, e podem ser os coletivos, não os enormes carros dos "líderes"), mesmo sem jogar-se energia sobre supérfluos (como flores) e menos ainda, sua indústria cultural (pois, que seu saiba, jamais vendeu-se significativamente pipocas em cinemas soviéticos, nem tampouco cafés finos em suas livrarias).

Mas pior que estas coisas, que que milhões foram condenados a manter-se em suas pouco criativas atividades pela vida inteira, e sem motivação para novos empreendimentos (sejmos diretos, a grana que pretenderiam ganhar), ficaram, por exemplo, como cabelereiros em Cuba, quando poderiam ser, talvez, excelentes agricultores.

A economia planificada não só é incapaz de gerar riqueza a longo prazo (eu diria até a médio), mas incapaz de propiciar a liberdade que é típica do ser humano, desde que algum ser humano primitivo resolveu não mais ir caçar para produzir melhores lanças, e receber carne por isso, ou plantar raízes, ao invés de fazer uma destas coisas, e assim, até a imensa liberdade de iniciativas que hoje temos.


Um acréscimo


Já deveria ter usado este exemplo.

Imaginemos um ferreiro. Pela mesma argumentação, adaptando-se detalhes, que usamos para o pipoqueiro, o plantador de tomate e nossa chatíssima senhora vendedora de flores que nos perturba o bate-papo, muitas vezes, ou sério, ou com "as melhores intenções" com nossas, respectivamente, colegas ou belas amigas, poderíamos facilmente demonstar que sua atividade, baseada na propriedade da área de terra que ocupa, cobertura de sua ferroaria, ferramentas e até fonte de lenha não poderia ser tratada como roubo.

Pelos mesmo argumentos, sua acreção de sócios, empregados e operações de troca (até pela compra de seus concorrentes), também não poderia ser tratado de roubo. Evidentemente, escala em escala, tecnologia (no sentido mais completo desta palavra), chegaríamos às mesmas empresas automobilísticas que citei acima, no caso da Ford, e todas as maiores produtoras de bens a partir de metais.




Na verdade, atividade alguma humana é completamente separável das mais antigas, ou mesmo primitivas, e do ponto de vista modelar, matemático, indistinguível destas. Assim, uma exemplificação que apoie-se num exemplo medieval (digamos) de qualquer ofício (como era o termo mais adequado da época), pode, perfeitamente, ser transposto para nossas maiores estruturas empresariais hoje.

Só mudou, realmente, o sentido que tem-se na palavra "corporação". Deixo este trocadilho até infeliz para os que gostam de estudar História.


O socialismo é o evangelho da inveja, o credo da ignorância, e a filosofia do fracasso. - W.Churchill


Um retorno ao tema do assistencialismo

A cornucópia da fartura, sempre presente como ideia quando nos confrontamos com alguém que acha que os recursos são infinitos e todas as refeições saem de graça (malaysiansmustknowthetruth.blogspot.com).



De um "bate-boca" na internet.

Alguns afirmam que a primeira preocupação de um governo demagógico e populista é aumentar o "bolsa miséria", pois são votos garantidos.

Infelizmente, tal procedimento, desde o primeiro momento, só vai aumentar custos e gerar ainda mais problemas.

Agora, como e porque, duas horas de explicações, especialmente, sobre os problemas já percebidos por Keynes.

Uma segunda preocupação seria aumentar impostos, como no nosso caso, CPMF, e isto seria igual a dinheiro fácil. Aqui, a Curva de Laffer já faz seus estragos, e nada mais se necessita.

Logo, só pode-se manter estes círculos viciosos com endividamento, e tal é claro.

E sonhos utópicos infantis vão se fazer em pó, como sempre, só lamento.

Neste tipo de "debate", seguidamente aparecem as típicas "Alice Pseudo" e as irritantes "Alice Miguxa" (normalmente falam em miguxês ou no lusitano pita talk disfarçado), que acham que o mundo é injusto e tem de se dividir as coisinhas, inclusive os brinquedinhos, "desde que a Barbie de cabelos loiros, especialmente com os trocados que nela escondo, não saiam da minha casa".

Pois lembrem-se: toda a Alice é, no prático, um hipócrita.

Pegar riqueza da população, e pelo estado, a distribuir, soma custos por si só ao próprio processo disto.

Se tal é feito por tributos, estes serão repassados pela classe alta e média, pelo simples fato que a alta é detentora dos meios de produção e apenas repassa impostos, e a média por ter maior capacidade de barganhar e exigir reposição do seu salário. Assim, quem por fim pagará por esta distribuição é a classe baixa.

Logo, tais "sistemas de distribuição de renda" só são eficientes a curto prazo, e adiante, invariavelmente, serão apenas cobrados dos "beneficiados", e ninguém mais.

Sem falar do detalhe, sempre esquecido pelos "esquerdinhas", que a poupança é exatamente a partida dobrada do investimento, logo, a geração de riqueza e sua acumulação é exatamente o que no longo prazo permite o investimento, que por fim, gera realmente a distribuição de renda.

Só lamento, novamente, só estarão "cavando buraco", a começar, pelos custos de tal processo.


Todos querem viver às custas do Estado, mas esquecem que o Estado vive às custas de todos. - Frédéric Bastiat


Sempre em meio a tal tema, aparece uma Alice para afirmar algo distorcido sobre o que nem entendeu o que tenha sido, como por exemplo a crise subprime.

Exemplo:

"Nem sempre haverá um Keynes para socorrer depressões econômicas, demonstrando que o o mercado que se auto-regula é um mito. Se o muro de Berlim já caiu, a "era Reagan" (neoliberalismo) também já foi para o buraco."

Keynes morreu faz um bocado de tempo e seus métodos estão aí de volta.

O mercado se auto-regular, estritamente, é um mito, mas o estado ser pleno e perfeito regulador, é outro. E cair até as próximas n ondas de "economês" do capitalismo não vai fazê-lo cair de todo, e muito menos, colocar economias planificadas simplórias e comunistóides no seu lugar.

Só lamento, de novo, falácia da "falsa dicotomia".


Exemplo de pérola de uma "Alice Miguxa":

"O comunismo primitivo existiu antes da propriedade privada, ou não?"

Sim, e não relaciona-se lhufas com poder ser agora implantado um "comunismo contemporâneo".

É o mesmo que dizer que se Band-Aid estanca sangue, pode deter uma hemorragia grave (num tratamento mais formal, uma falácia da composição).

Se não entenderam a imagem, as próprias novas relações, até da existência necessária do estado, e seus impostos, leva a ter de existir a pretensamente justa remuneração pelo trabalho e a produção de bens e serviços, e destes, a propriedade, até do capital na forma de ferramentas.

Logo, as sociedades muito primitivas são aparentemente "comunistas", mas ao que parece, o cacique e o pajé são apenas os "escolhidos". Igualmente, mulheres não são a elite dos caçadores, nem possuem mais que determinados poderes.

A própria "coletividade dos bens" é um mito sobre os selvagens. Assim, os modelos de "bom selvagem" até podem ser lindinhos e agradáveis, mas não se prestam as modernas sociedades, e quando bem analisados, não passam de mitos.


Law of the Infinite Cornucopia: There's no shortage of arguments to support any doctrine a person might want to believe. 

(Lei da Cornucópia Infinita: Não há falta de argumentos para apoiar qualquer doutrina da qual uma pessoa pode querer acreditar.)



Apêndice

Conceito de Falácia da Composição

A falácia da composição é uma falácia que ocorre sempre que se admite que aquilo que é verdade para uma parte do sistema, então também é verdade para todo o conjunto, sendo muito frequente no raciocínio económico. Por exemplo, se a quantidade de peixe pescado por uma traineira num determinado dia for excepcionalmente elevada, o rendimento dos seus pescadores aumentará; contudo, é natural que, se todas as traineiras conseguirem pescar quantidades de peixe muito elevadas, o rendimento do conjunto dos pescadores seja mais baixo. Concluir o contrário seria cair na armadilha da falácia da composição.

http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/falaciadacomposicao.htm

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Etanol e os dilemas da Petrobras

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Uma coletânea de pensamentos curtos sobre os dilemas que a "poderosa" (e logicamente, todo o povo brasileiro) está enfrentando.



A explicação para a alta do etanol, mesmo em safra, é simplesmente o desgoverno e falta de qualquer estratégia para o setor.

Governo é conivente com altas de combustível não ligado à infraestrutura como o etanol pela arrecadação tributária que gera.

Sacrifica a Petrobrás, há muito uma "ferramenta arrecadatória" não aumentando os derivados de petróleo pela inflação que geraria.

Não forma estoques reguladores no etanol pois:

[1] Só quem é sacrificado diretamente é a classe possuidora de motores "flex".

[2] Concentra o consumo (logo a arrecadação) na insonegável Petrobras e suas refinarias, concentradoras da carga fiscal do comércio de combustíveis e relacionados.


Diário Oficial confirma redução de etanol na gasolina - Leia-se: ou Petrobras começará a ficar apertada de caixa ou teremos aumentos de combustíveis, ou ainda, o governo terá de diminuir arrecadação.

Não se reduz o custo de alguma coisa (como um produto formulado) tirando uma certa quantidade de um item mais barato deste.

Se um produto tem custo aumentado e seu preço é mantido fixo, e uma parte (significativa ou não) de seu preço são impostos, a sua venda gerará débitos maiores no fluxo de caixa. Ou seja, tem-se de tirar mais de onde não já entrava o que se necessitava.

A redução da mistura do etanol anidro na gasolina deve significar a necessidade de importação de cerca de 1 bilhão de litros de gasolina "A" para abastecer o mercado nos seis meses que vão de outubro até abril do ano que vem. (http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=53553).

Produção de etanol deve cair 14%. Até o final deste ano, o país vai importar pelo menos um bilhão de litros de álcool. (http://www.jornalfloripa.com.br/economia/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=5203)

O Brasil deve importar etanol pelo pelos próximos três anos. (http://www.portalsyngenta.com.br/NoticiaDetalhe.aspx?id=9943DFB5733A2158832578E200140E9F)

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Anexo

Editado a partir de Reinaldo Azevedo:

A mão que dá benefícios é a dos trabalhadores que pagam impostos e arcam com uma das cargas tributárias mais altas do mundo. É do trabalhador a mão cansada que constrói casas, escolas, hospitais, portos de saúde, rodovias, portos e aeroportos. Não somente isso, mas também é dela que sai todo o valor roubado por uma elite corrupta que habita no poder.

Todo orçamento do estado só advém do trabalho realizado pela massa trabalhadora. Logo, o corrupto, por fim, só rouba do povo, não do estado.


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sábado, 6 de agosto de 2011

Alguns palpites

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Dívida dos EUA


Terrível quadro. A dívida dos EUA chegou a US$ 14,3 trilhões, 100 % do PIB.


Pouco interessa esta porcentagem, pois o Japão, por exemplo, já chega a 225.9% do PIB (www.usnews.com).


A dívida foi ampliada em US$ 900 bilhões, pouco mais de 6%. Pois bem: a inflação dos EUA tem chegado a 3% ao ano, mas coloquemos, como é esperado para as nações anglo-saxãs, que se situe numa média de 1,5% para os próximos 4 anos. Mesmo sem recorrer à progressões mais complexas, estes 6 % serão cobertos por inflação nestes próximos 4 anos. Ou seja, o próximo presidente dos EUA terá apenas de corrigir o endividamento pela moeda para mantê-lo igual.


Os EUA pagam terríveis juros por esta dívida. Curiosamente, muito menos que qualquer país, destacadamente o nosso, e em determinados períodos, com juros negativos frente à sua inflação.


A China é inexoravelmente obrigada a comprar tais títulos, e quem paga o custo de tal fluxo é exatamente o total de países (lembremos que os EUA não são mais os 50% da economia global desde os anos 50) que importa camisetas, sapatos baratos, canetas e todo tipo de traquitana eletrônica de baixo preço, como por exemplo, o Brasil.

Conclusão: nós estamos com problemas, não os EUA.



Incentivo em Impostos à Indústria

Vamos fabricar mais carros para por em nossas já atupetadas cidades e estradas?

Sim, evidente.

Vamos beneficiar os fabricantes de tais produtos, e lhes gerar mais lucros?

Sim, óbvio.

Os proprietários destas empresas são brasileiros, e manterão seus lucros aqui?

Ops, não!

Beneficiaremos estadunidenses, europeus, japoneses, coreanos e até chineses e indianos, se estabelecendo aqui em ondas de migração de parque industrial.

Uma linha de montagem de moderna fábrica de automóveis, onde se vê a vastidão de trabalhadores que tal exige, em contraste com as desertas e robotizadas fábricas de, por exemplo, camisetas, aquelas coisas desnecessárias e extremamente duráveis, que serão compradas por nossas massas de menos favorecidos (motordream.uol.com.br).


Claro que estes geração empregos, e estes pagarão salários. Mas o evidente, o óbvio é que comprarão camisetas, sapatos baratos, canetas e todo tipo de traquitana eletrônica de baixo preço importado, pois a indústria brasileira, realmente brasileira, de produtos de consumo popular, está sendo feita em pó, e com a ajuda de problemas da dívida do governo dos EUA (não de sua economia como um todo) em fluxo para compradores de títulos para manter sua moeda artificialmente baixa para nos tornar reféns de uma incapacidade cambial de enfrentar seus custos em produtos industrializados - altamente agregadores de valor, e tornar nossas mercadorias (estritamente de setor primário) otimamente baratas.

Conclusão: nós estamos com terríveis problemas, não os EUA.

Calados x portos, mostrando uma das coisas que fará piorar nosso quadro em futuro próximo  (www.zonaapple.com).
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