domingo, 4 de junho de 2017

Janela de Overton


Nestes tempos de discursos tão inflamados e debates tão repletos de falácias, muitas vezes em defesa do completamente indefensável, vale a publicação destas traduções.


A janela de Overton, também conhecida como a janela do discurso, é o conjunto de ideias que um público irá aceitar. É usado por comentaristas em mídia.[1][2] O termo é derivado de seu criador, Joseph P. Overton (1960-2003) [3], um ex-vice-presidente do Mackinac Center for Public Policy [4], que em sua descrição de sua “janela” alegou que a viabilidade política de uma ideia depende principalmente sobre se ela cai dentro da “janela”, em vez de preferências individuais dos políticos.[5] Segundo a descrição de Overton, sua “janela” inclui uma série de políticas consideradas politicamente aceitáveis no (então) atual clima da opinião pública, a qual um político pode recomendar sem ser considerado muito radical para ganhar ou manter cargos públicos.

Overton descreve um espectro de "mais livre" a "menos livre" no que diz respeito à intervenção do governo, orientado verticalmente em um eixo para evitar a comparação com o espectro político esquerdista, porém representações horizontais são seguidamente usadas por outros autores em revisões e releituras.[6] Como o espectro se move ou se expande, uma idéia em um determinado local pode tornar-se mais ou menos politicamente aceitável. Seus graus de aceitação de ideias públicas são aproximadamente:[7]

  • Impensável
  • Radical
  • Sensível
  • Popular
  • Política

Janela de Overton 01.png

A janela de Overton é uma abordagem para identificar quais as ideias definem o domínio da aceitabilidade dentro de possíveis políticas governamentais de uma democracia. Os defensores de políticas fora da janela procuram persuadir ou educar o público, a fim de mover-se e / ou expandir a janela. Os defensores de políticas atuais, ou outras semelhantes, dentro da janela procuram convencer as pessoas de que as políticas externas devem ser consideradas inaceitáveis.

Após a morte de Overton, outros tem analisado o conceito de ajuste da janela, a promoção deliberada de ideias fora dela, ou idéias "marginais” (e exteriores), com a intenção de tornar ideias menos marginais aceitáveis por comparação.[8] A técnica de persuasão de "porta-na-cara" (DITF, door-in-the-face) é semelhante.

Precedentes históricos

A ideia ecoa várias expressões anteriores, as mais recentes e da mesma forma acadêmicas sendo as esferas de Hallins. Em seu livro de 1986, The Uncensored War, (A Guerra sem Censura),[9] o erudito de comunicação Daniel C. Hallin postula três áreas de cobertura da mídia na qual um tópico podem cair. As áreas são diagramadas como círculos concêntricos chamados esferas. Do interior para periféricas elas são: a Esfera do Consenso, a Esfera de Controvérsia Legítima e a Esfera do Desvio. Propostas e posições podem ser colocadas em diferentes graus de distância do centro metafórico, e os atores políticos podem lutar mais e ajudar a mudar essas posições.

A teoria de Hallin é desenvolvida e aplicada principalmente como uma teoria que explica níveis variados de objetividade na cobertura da mídia, mas também vale para o concurso permanente entre mídia e outros atores políticos sobre o que conta em desacordos como legítimos, potencialmente levando a mudanças nos limites entre as esferas. Como um estudo que aplica a teoria de Hallin explica, "as fronteiras entre as três esferas são dinâmicas, dependendo do clima político e da linha editorial dos vários meios de comunicação." [10] Desta forma, a idéia também capta o cabo-de-guerra sobre as fronteiras entre o discurso político normal e desviante.

Uma ideia similar à janela de Overton foi expressa por Anthony Trollope, em 1868, em seu romance Phineas Finn:

"Muitos dos que antes consideravam a legislação sobre o assunto como quimérica, será agora fantasia que só é perigosa, ou talvez não mais do que difícil. E assim, no tempo que virá a ser visto como entre as coisas possíveis, em seguida, entre as coisas prováveis; - e assim, finalmente, ela será variação na lista daquelas poucas medidas que o país requer, como sendo absolutamente necessária. Essa é a maneira em que a opinião pública é feita."

"Não é perda de tempo", disse Phineas, "ter dado o primeiro grande passo para fazer isso."

"O primeiro grande passo foi dado há muito tempo", disse o Sr. Monk, - "tomada por homens que estavam contemplado demagogos como revolucionários, quase como traidores, porque eles tomaram isso, mas é uma grande coisa para tomar qualquer passo que nos conduz para a frente."

Em seu discurso da "Emancipação da Índia Ocidental" em Canandaigua, Nova York, em 1857,[11] o líder abolicionista Frederick Douglass descreveu como a opinião pública limita a capacidade dos detentores do poder de agir com impunidade:

“Descobrir exatamente o que quaisquer pessoas vão calmamente submeter-se e descobrir a exata medida da injustiça e do mal que serão impostos sobre eles, e estes continuarão até que sejam resistidos com palavras ou golpes, ou com ambos. Os limites dos tiranos são determinados pela resistência daqueles a quem oprimem.”


Na cultura popular

O romance Boomsday, de Christopher Buckley, aplica-se à janela Overton no tema da reforma da Segurança Social nos Estados Unidos. A técnica utilizada foi produzir agitação para "transição voluntária", ou seja, o suicídio em uma certa idade em troca de benefícios, como um método de reduzir o custo da Segurança Social. Finalmente, o objetivo declarado era um resultado mais modesto de redução da carga que foi alegada que a imposta a pessoas mais jovens para os custos da segurança social.

Em 2010, o apresentador de programa de entrevista e colunista conservador Glenn Beck publicou um romance intitulado The Overton Window.[12]   

Owen Jones descreve a janela de Overton em discussão em uma palestra na Universidade Durham apresentada em 21 de janeiro de 2015, chamada The Establishment and how they get away with it (O Establishment e como eles se afastam com ele).[13] Em 7 de junho de 2015, a discussão em vídeo ao lançamento do livro The Racket: A Rogue Reporter vs. the Masters of the Universe (A Extorsão:Um Repórter Trapaceiro contra os Mestres do Universo), Owen Jones admite "Eu sou obcecado com o conceito" da janela Overton com descrição e discussão e exemplos de ideias que uma vez malucas são agora comuns, enquanto ideias uma vez dominantes são agora malucas.[14]   


Referências

1.David Weigel (2015-04-14). "Marco Rubio:No Iran Deal Unless the Country Recognizes Israel". Bloomberg Politics. Retrieved 2015-07-11.
2.Paul Krugman (2015-02-27). "The Closed Minds Problem". The New York Times. Retrieved 2015-07-11.
3.NNDB "intelligence aggregator" Web site, "Joseph P. Overton"
4."Joseph Overton biography and article index". Mackinac. Retrieved 2013-08-30.
5.Joseph Lehman. "A Brief Explanation of the Overton Window". Mackinac Center for Public Policy. Retrieved 7 July 2012.
6.Lehman, Joseph G. (November 23, 2009). "Glenn Beck Highlights Mackinac Center's "Overton Window""
9.Hallin, Daniel (1986). The Uncensored War: The Media and Vietnam. New York: Oxford University press. pp. 116–118.ISBN 978-0-19-503814-9.
10.Figenschou, Tine Ustad; Beyer, Audun (October 2014). "The Limits of the Debate How the Oslo Terror Shook the Norwegian Immigration Debate". The International Journal of Press/Politics. 19 (4): 435. doi:10.1177/1940161214542954.
12.Glenn Beck Web site, Books, "The Overton Window"
13."The Establishment and how they get away with it". YouTube. DurhamUniversity. Retrieved 2016-07-11.
14."How do we overthrow the racket". YouTube. Zed Books. Retrieved 2016-07-13.


Leituras recomendadas

Reinaldo Azevedo; A Janela de Overton – Ou: Como fazer a opinião pública se deslocar de um ponto para outro ignorando o mérito das questões - veja.abril.com.br

Breno França; Janela de Overton: como manipular a opinião pública; Mundo, Tecla SAP - papodehomem.com.br

“Há 20 anos, um americano elaborou uma teoria sobre como nós podemos ser levados a pensar o que um grupo de pessoas quer que nós pensemos”




Anexos

Técnica “porta-na-cara”

De: en.wikipedia.org - Door-in-the-face technique

A técnica “porta-na-cara” (DITF, door-in-the-face) é um método de conformidade comumente estudado em psicologia social.[1][2] O persuasor tenta convencer o entrevistado a cumprí-ka, fazendo um grande pedido de que o entrevistado provavelmente irá recusar, como um tapamento metafórico de uma porta no rosto do persuasor. O entrevistado é então mais propenso a concordar com um segundo pedido mais razoável, em comparação com o mesmo pedido razoável feito isoladamente.[1][2] A técnica DITF pode ser contrastada com a técnica “pé-na-porta”, FITD (foot-in-the-door), em que o persuasor começa com um pequeno pedido e aumenta gradualmente as demandas de cada pedido.[2][3] Enquanto a técnica FITD difere da DITF, também é uma técnica de persuasão que aumenta a probabilidade de um entrevistado concordar com o segundo pedido.[2][3]

Referências

1.Cialdini, R.B.; Vincent, J.E.; Lewis, S.K.; Catalan, J.; Wheeler, D.; Darby, B. L. (1975). "Reciprocal concessions procedure for inducing compliance: the door-in-the-face technique.". Journal of Personality and Social Psychology. 31: 206–215. doi:10.1037/h0076284.
2.Perloff, R. M. (2010). The dynamics of persuasion: Communication and attitudes in the 21st century (4th ed.). New York: Routledge. ISBN 9780415805681.
3.Pascual, A.; Guéguen, N. (2005). "Foot-in-the-door and door-in-the-face: A comparative meta-analytic study".Psychological Reports. 96: 122–128.doi:10.2466/PR0.96.1.122-128.


Técnica “pé-na-porta”


A técnica “pé-na-porta” (FITD, foot-in-the-door) é uma tática de conformidade que envolve a obtenção de uma pessoa para concordar com um grande pedido, configurando-o primeiro, fazendo com que essa pessoa aceite um modesto pedido.[1][2][3] A técnica “pé-na-porta” sucede devido a uma realidade humana básica que os cientistas sociais chamam de "aproximações sucessivas". Essencialmente, quanto mais um assunto acompanha pequenos pedidos ou compromissos, mais provável é que esse assunto continue na direção desejada de atitude ou mudança de comportamento e se sinta obrigado a acompanhar solicitações maiores.[4] O FITD trabalha primeiro recebendo um pequeno "sim" e depois obtendo um "sim" ainda maior.
O princípio envolvido é que um pequeno acordo cria um vínculo entre o solicitante e o requerente. Mesmo que o requerente só tenha concordado com um pedido trivial por cortesia, isso constitui um vínculo que - quando o requerente tenta justificar a decisão por si mesmo - pode ser confundido com uma verdadeira afinidade com o solicitante ou com um interesse no assunto Do pedido. Quando um pedido futuro é feito, o requerente se sentirá obrigado a agir de forma consistente com o anterior.[5]


Referências

1.Freedman, J. L.; Fraser, S. C. (1966). "Compliance without pressure: The foot-in-the-door technique.". Journal of Personality and Social Psychology. 4 (2): 195–202.doi:10.1037/h0023552.
2.Burger, J. M. (1999). "The Foot-in-the-Door Compliance Procedure: A Multiple-Process Analysis and Review".Personality and Social Psychology Review. 3 (4): 303–325.doi:10.1207/s15327957pspr0304_2.
3.Dillard, J. P. (1990). "Self-Inference and the Foot-in-the-Door Technique Quantity of Behavior and Attitudinal Mediation". Human Communication Research. 16 (3): 422–447. doi:10.1111/j.1468-2958.1990.tb00218.x.
4.Studentaffairs.umd.edu Archived May 30, 2010, at the Wayback Machine


Esferas de Hallin


As esferas de Hallin são uma teoria da objetividade da mídia postulada pelo historiador do jornalismo Daniel C. Hallin em seu livro The Uncensored War para explicar a cobertura da guerra do Vietnã.[1] Hallin divide o mundo do discurso político em três esferas concêntricas: consenso, controvérsia legítima e desvio. Na esfera do consenso, os jornalistas assumem que todos concordam. A esfera da controvérsia legítima inclui os debates políticos padrão, e os jornalistas devem permanecer neutros. A esfera do desvio está fora dos limites do debate legítimo, e os jornalistas podem ignorá-lo. Estes limites mudam, à medida que a opinião pública muda.[2]

Referências

1.Hallin, Daniel (1986). The Uncensored War: The Media and Vietnam. New York: Oxford University press. pp. 116–118. ISBN 978-0-19-503814-9.
2.For journalists covering Trump, a Murrow moment, By David Mindich, Columbia Journalism Review, July 15, 2016


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Atualidades da vanguarda do atraso - 1


Não bastasse já termos uma patológica concentração de modais logísticos sobre o transporte rodoviário, ainda temos nesse diversos problemas.

Disso se deve perguntar onde coloca-se nossa enorme carga tributária específica sobre o setor.


Resultado de imagem para Estradas esburacadas falcão peregrino - blogger
Exemplos de notícias no campo:

1
Gargalos no transporte rodoviário de cargas comprometem a produtividade

A Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná afirma que, somente em 2016, foram investidos cerca de R$ 830 milhões em obras e serviços de manutenção, recuperação e rodovias estaduais

Destaco:

“O setor de logística é um dos principais indutores do desenvolvimento econômico brasileiro. Entretanto, ainda carece muito de investimentos. Segundo dados da Associação Brasileira de Logística (Abralog), historicamente, o país investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, quando os recursos deveriam corresponder a, no mínimo, 5% do PIB. Estamos muito atrás da China, que destina mais de 7% do seu PIB para o setor, e mesmo de outros países latino-americanos, como o Chile, cujos investimentos chegam a 6%.”

pr.ricmais.com.br


2

Trechos de estradas em condições ruins crescem 18% em Santa Catarina entre 2001 e 2015

Destaco:

“A situação é mais grave nos trechos considerados péssimos, que cresceram em 136% no Estado no período, saltando de apenas 47 para 111 quilômetros. Foi o terceiro pior resultado do país, à frente apenas do Tocantins (226%) e do Acre (330%). O consolidado do Brasil ficou em uma redução média de 56% nesse quesito.”

dc.clicrbs.com.br

3

Anuário CNT 2017 reúne série histórica de dados do transporte

Destaco:

“A análise da série histórica mostra, por exemplo, que a qualidade e o crescimento da malha rodoviária não acompanham a demanda de infraestrutura para o escoamento da produção nem para o deslocamento de pessoas. A frota de veículos aumentou 194,1%, de 2001 para 2016, mas as rodovias continuam com graves problemas de qualidade, comprometendo a segurança. No ano passado, mais da metade dos trechos avaliados pela CNT apresentaram problemas. Do total da malha, 1,7 milhão de km, apenas 12,2% (210.618,8 km) têm pavimento.

No transporte ferroviário, a série histórica indica aumento de 566,2% na produção de carros de passageiros (vagões de passageiros), de 2001 (quando foram produzidas 71 unidades) para 2016, com a produção de 473. Em relação a vagões de carga, o aumento de 2001 (748 unidades) para 2016 (3.903) foi de 421,8%.

O Anuário mostra ainda que as instalações portuárias brasileiras transportaram quase 1 bilhão de toneladas de cargas no ano passado – queda de 1,1% em relação a 2015. No modal aeroviário, a queda no transporte doméstico, de 2014 para 2015, foi 0,7% e, no internacional, de 1,7%. O Anuário apresenta as estatísticas dos períodos disponibilizadas pelos diferentes órgãos.”

www.diariodepernambuco.com.br


When you subsidize poverty and failure, you get more of both.  - James Dale Davidson

( Quando você subsidia pobreza e fracasso, você obtém mais de ambos. )

Things in our country run in spite of government, not by aid of it. - Will Rogers


( As coisas do nosso país correm apesar do governo, não por meio dele. )

sábado, 20 de maio de 2017

Rascunhos de um eventual Hayekiano - VII


1
Enxugando gelo


De um debate no blog Bolha Imobiliária, com “Ali Baba”:

Chegamos a um ponto em que mesmo um crescimento, até significativo do PIB, não resolverá.

Explico com números simples:

Temos déficit que já está pelos 8% da arrecadação total da união.

( Bem calculado: 170/((1950*3,22)*0,36*0,6)=0.125=12,5% ! )

Obs.: 1,850 trilhões de dólares a R$ 3,22 por dólar. A carga tributária é de uns 36% do PIB, e o peso da união nisso, uns 60%.

Reforcemos: É o mesmo que dizer que 36% da economia bananense é amarrada no estado, um absurdo para um país com nossas características de produtividade e nível de miséria.

Carga de juros de pelo menos o dobro (na verdade, em 2015, reais 360 bilhões).
Reestruturação: Decaimento de 20 bilhões ao ano para amortizar 170 bilhões resulta em 8,5 anos, o necessário para chegar-se a superávit primário novamente, mais 18 anos no mesmo ritmo para recuperação da cobertura completa da carga de juros, ou seja, mais de 26 anos, sem considerar a capitalização, problemas, erros, cenário externo desfavorável e alguma implacável tragédia da natureza - incluindo a infeliz humana dos políticos de nossas terras.

Mesmo colocando um valor de juros reais (uma abordagem, percebamos, pelas minhas colocações, que são um tanto menos drásticas nesse ponto que as de “Ali Baba”) na faixa de uns 4%, implica em no máximo, mantida a mesma proporção arrecadação vs PIB (o que não é correlato, acho que concordamos), chega-se a um crescimento necessário de 12%, grosseiramente, números do ápice chinês, números do nosso período do “milagre” dos anos 1970.

E perceba que ainda sim, não aplacou o crescimento da dívida, já em limites insuportáveis!

Resumindo: não consigo ver saída alguma (a não ser um volume de cortes brutais do estado*.

*E não colocamos estados e municípios!

Vamos “para a banha”, na gíria de meus colegas de trabalho em reestruturação de dívida. “Grécia pobre” mesmo, pois não podemos nos comparar diretamente com a Grécia e seus problemas, pois não temos aquele povo e sua cultura, o seu PIB per capita e muito menos os vizinhos ricos como a Alemanha que até a moeda controla rigidamente.

Aqui surge o tempo de estabilização da dívida pública entre crédito tomado e capacidade arrecadatória, o que talvez seja a mesma coisa, no fundo, pois eu vejo forte relação, pelo cruzamento da "pressão tributária de Frank" e meu análogo na "pressão de crédito" e muito do inchaço produzido pelos governuchos do período Lula-Dilma, com fomento ao crédito pelo estado e sua paralela irresponsabilidade com as contas públicas, com também inchaço dos gastos públicos contando que a economia manteria-se crescendo.

Em suma, esqueceram que as famílias de curvas da Economia são do tipo y=a/x , e não y=ax , e em cima disso, dane-se o equilíbrio, tanto operacional como financeiro.

Assim…

Assim, todo ufanismo que a coisa melhorará em breve, como tem pipocado nos últimos dias, é simples e até simplório 'wishful thinking'.

O volume de dívida pública, outra anomalia em marcha catastrófica, soma e interage com o problema déficit.


Aproveitando uma pesquisa para o post acima:

Brasil voltará a ter o oitavo maior PIB global em 2017, prevê FMI - -www1.folha.uol.com.br

“A loucura é diagnosticada pelos sãos, que não se submetem a diagnóstico. Há um limite em que a razão deixa de ser razão, e a loucura ainda é razoável. Somos lúcidos na medida em que perdemos a riqueza da imaginação.” - Carlos Drummond de Andrade

2
Um certo livrinho


Pode-se fazer uma correlação clara entre a curva da dívida e o período pós constituição de 88.

Inventaram de fazer um "compêndio de direitos" sem sequer uma "cartilha de deveres", só poderia dar no que deu.

Todas as amarras que atariam de maneira asfixiante o futuro do Brasil já estavam bem escritas no compêndio desejos e aspirações insustentáveis mascaradas como direitos, sem as contrapartidas dos penosos e suados desagradáveis deveres, que chamou-se Constituição de 1988.

Eis aí seus frutos, propulsionados por um relativamente longo período de populismo travestido de planificação - na verdade, venenoso fomento ao consumo irresponsável pelo crédito - e desenvolvimento igualmente insustentável tendo como motor um estado deficitário, e ainda por cima permeado em todos os níveis por corrupção sistêmica.
Observação:

Lembremo-nos que existiram grandes e brilhantes relatórios do governo mostrando como a economia de diversas regiões avançaram com a bolsa família e outros assistencialismos.

Sim, não há incêndio na casa pois mesmo com a lambança que está acontecendo na cozinha, a temperatura média da residência ainda não indica fogo.


“O governo brasileiro, em todos seus níveis, mais e mais apenas é um estrangulado, um asfixiado em apenas pagar uma insaciável folha de pagamento.” - até prova em contrário, eu mesmo.

“Ou o estado aprende a cortar em sua própria carne por racionalidade ou adiante terá de se amputar.” - idem.

Já que é "para certo dia chegar", que chegue mais cedo, e seja feito em pó uma maneira de se pensar sobre o que é o funcionamento do estado e suas remunerações.

Ampute-se logo de vez o membro gangrenoso.


3
O legado olímpico

Ouvi de jornalistas que os gastos da Grã-Bretanha com seus atletas fechou no equivalente a R$ 22 milhões por medalhas (a 67 medalhas, um total de R$ 1,474 bilhões).

Ouvi valores mais recentes que o “Brasil Medalhas” ao final chegou a R$ 3 bilhões. Logo, gastamos aproximadamente R$ 157,8 para cada uma de nossas 19 medalhas).
Esqueçamos por um momento os gastos com toda a “festa”.

Obs.: Festa muito bem aproveitada, como sabemos, talvez por quem mais hostilizou-se durante uma boa parte de nosso recente passado político, pois parece que o público teve ótima oportunidade de decorar os versos de “Oh, say! can you see by the dawn's early light…”

Assim, tivemos um gasto equivalente a mais de 7 vezes o dos britânicos. Não preciso lembrar que isso lembra nossa pouca eficiência em produção, que chega no industrial a ⅕ de países como a Coreia (do Sul!).

Agora… criamos bases para a renovação de nossos atletas? Existe algum legado de formação no nível escolar? mesmo uma cultura de esportes?

Não.

Continuo concordando com certo amigo jornalista esportivo: “O brasileiro na verdade não gosta de futebol. Ele gosta de (ver seu time) vencer no futebol!”

Notas

1. Valores claros e diretos do projeto podem ser vistos no artigo abaixo, onde mesmo com o apresentado, para o período apresentado, os nossos gastos ainda ficam em mais de R$ 50 milhões por medalha.

Rio 2016: Brasil não atinge meta de medalhas; confira os recursos públicos gastos - www.ebc.com.br

4
E segue a marcha da insanidade

Um tanto atrasado (setembro de 2016), mas ainda matematicamente válido.
Não quero parecer histérico, mas agora que vi que o crescimento da dívida pública foi de 3,1% em UM MÊS. Potencial para (1,031^12=1,442) mais de 44 % ao ano.
Depois eu digo que isso já está fora de controle há tempos e sou dito como histérico.
Fonte do período

Dívida pública sobe 3,1% em setembro e atinge patamar inédito de R$ 3 tri

Alta na emissão de títulos públicos e pagamento de juros explicam resultado.
Tesouro estima que dívida poderá chegar a R$ 3,3 trilhões ao fim de 2016.


5
O (desinteresse) futuro pelo ouro “negro”

De Paulo Castilho, do blog “Bolha Imobiliária”

“Se descobrirem alguma fonte de energia barata e renovável, vão consumir ainda mais petróleo. O petróleo não é usado apenas como combustível, qualquer polímero e milhões de componentes químicos dependem do petróleo. Com energia mais barata (e petróleo liberado para outros fins) o preço de milhões de produtos vai cair, aumentando o consumo.”

Nossos comentários:

Não necessariamente.

Para certas coisas, o etanol e a glicerina (subproduto do biodiesel) é mais viável em termos de processo para produção. Também tem-se de levar em conta o gás de síntese oriundo do biocarvão, que está em crescendo.

Motivo: A matéria-prima em questão já apresenta-se com bom grau de pureza, coisa que não ocorre com a, sejamos diretos, lambança de sulfurados e nitrogenados que é o petróleo. Os custos ambientais tem de ser levados também em conta.

6
Sobre seu “possante”

O raciocínio a seguir é centrado na aquisição de um bem como um carro - de relativo alto valor para a maior parte da população, assim como de relativa longa duração - mas pode ser adaptado a qualquer bem.
Escolha o carro que você deseja. Calcule a depreciação no primeiro ano em valor, por exemplo, 10% de 60 mil reais, 6 mil reais. Divida por 366 dias (anos bissextos, sejamos exatos, e já uma certa folga).

O valor resultou em mais que duas Deu mais que duas corridas típicas de taxi?

Repense em comprar o “possante”!

Deu menos?

Acrescente um gasto médio com impostos, abastecimento, perdas irrecuperáveis (pregos dos desafetos nas laterais, por exemplo!), seguros, etc.

Esqueça de comprar o “possante”.

Você ganha dinheiro com seu carro, tipo visitas a clientes em locais de acesso difícil a baixo custo e com tempos bem apertados de trabalho mais o deslocamento?

Reavalie todo o custeio da então viatura.

Continua não fechando as contas, a receita contra gastos?

Alugue carros quando em viagem, ‘limo’ / táxi luxo para festas – vá até de “ubercóptero”! – o etc!

Princípio básico: Banânia (Brasil) não é a Suíça, a não ser que as drogas que você consuma produzam estranhos efeitos.

O carro que não for roubado pois tem bom mercado de peças provavelmente é aquele que atrai assaltantes pois é diploma pendurado no pescoço que você pode ter dinheiro no banco ou coisas em casa para serem roubadas. Logo, carro, na exata medida que pode ser demonstração de poder aquisitivo, é também atrativo para algo lhe ser tirado.
Mas não abrace um abacaxi espinhoso que bem analisado custará mais que um filho.
Ter carro para ir até a padaria e dizer que “eu tenho”, e com ele não gerar um centavo, é coisa de “triplomeia” (o típico consumidor brasileiro que compra coisas financiado pois a parcela cabe no orçamento do mês, etc) com mestrado.