segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quando certo dia chegar...

Mais uma vez, se exercita o STF para um aumento em seus salários.

STF vai propor reajuste de 14,7% em salário de magistrados



O valor em si aos "supremos" não é o problema, nem em seu total anual, insignificante para uma economia da escala da brasileira e o correspondente (e pesado) orçamento da união. A questão é a cascata consequente de outros aumentos.

Soma-se a este já não pequeno problema que o Brasil caracteriza-se por uma das maiores defasagens entre baixos e altos salários, incluindo-se aí os salários dos funcionários públicos. A esta primeira soma de problemas que realizo, acrescente-se que o orçamento do estado em seus diversos níveis encontra-se estrangulado por gastos excessivos com folha de pagamentos, tanto de ativos como inativos, e a futuro esgueirando-se por um gargalo inexoravelmente se aproximando (quando já não causando pressão) da infraestrutura.

Assim, nesta marcha perigosa, chegará o dia, que aliado a posição perigosa na curva de Laffer*, com o espantar de consumidores (perdão, contribuintes - o correspondente para o estado do que sejam os clientes das padarias e cervejarias de Adam Smith), o estado atingirá o momento terrível em que, mesmo com taxas de juros das mais altas do planeta, ao colocar títulos no mercado, não conseguirá, ou obter confiabilidade a longo prazo, ou rentabilidade possível de ser gerada. Curiosamente, estas duas coisas são quase inseparáveis.

Noutras palavras, não adiantará oferecer o maior dos rendimentos prometidos num tempo razoável, ainda sim, seus títulos não serão atrativos.

Se o leitor acha que tal situação não ocorre, reveja atentamente o âmago das notícias sobre os países europeus, recentemente metidos em enrascadas de endividamento superior ao seu PIB (ainda que o problema diretamente não seja este, e sim, superior à sua capacidade de geração específica para o honrar de títulos).

*Que já abordei duas vezes por prismas relacionados, quanto à convergência para uma região sem margens de manobra - ou graus de liberdade, como preferirem - e quanto ao ônus da concentração tributária determinadas variáveis.


Sendo mais teórico, modelar, como aprendemos a dizer quando estudamos Física, John Kenneth Galbraith apresenta em 'Crônicas de um eterno liberal' a "teoria do golpe". Um golpe colapsa por pelo menos uma de três variáveis, quando não, combinações destas: número de vítimas, valor das operações e velocidade das operações.
 
Explicando: necessita-se cada vez mais pessoas para sustentar a "pirâmide milionária", o que revela-se óbvio pois a determinado valor do número de níveis de relacionamento esgotar-se-á a população humana. Mas pode-se burlar esta progressão insana com aumento do valor das "cotas". Pouco interessa, pois chegará o momento em que mesmo que a população da Terra for de ricos com fortunas da escala de um Carlos Slim Helú somado a um Bill Gates, o que daria mais de 100 bilhões de dólares, ainda sim, o sistema colapsaria.
 
Por outro lado, pode-se também fazer operações mais rápidas, e não tardará a fração de tempo na qual as operações, seja com pessoas crescentes, seja com valores crescentes, chegar a tempos ínfimos e irrealizáveis.
 
Logo, chegará o dia que o sistema, que é desequilibrado - e aqui o termo não refere-se a psicologicismos e sim ao termo relacionado com o que seja ponto de equilíbrio em contabilidade de custos (e noutras áreas correlatas) - colapsará, e tal marcha é inexorável a não ser com mudanças de rumos.
 
Se acha o leitor que tal conceito é distante do possível em escala de estado - ou achando que a emissão de títulos que mais cedo ou mais tarde não podem ser honrados não se trata de "um golpe" - não nos esqueçamos que para compensar deficits, o governo brasileiro em outras datas nem imprimia mais dinheiro problematicamente (como o lendário caso alemão de 1923, na pré-história da operação com moedas pelos estados), mas só o "digitava", e mesmo assim, a não confiabilidade da população nos levou a inflações de 86% ao mês (se o valor não foi este, pouco interessa, bastaria mais tempo no mesmo modus para chegarmos a este valor por dia, e tal é perfeitamente possível, ainda que intolerável e insustentável por qualquer governo são, ou cuidadoso com a própria segurança).

Nota 1: O termo "golpe" é mais suave e pode até esconder uma ingenuidade. O termo estelionato já caracteriza o crime descarado. Acredito que nossos dirigentes são similares ao pequeno empresário, que infantil e tolamente, compra por 1, vende por 2, jura que tem 100% de lucro e esquece ou nem sabe que tem 1,01 de despesas relacionadas no período. Pode compensar isso por até longos períodos de tempo, mas ou perceberá a inviabilidade, ou falirá.

Nota 2: O termo "lucro", ainda que tenha uma definição a meu ver necessariamente estrita, pode ser usado em diversas situações, mas devo alertar que mesmo o mais independente e solitário camelô, ao dizer que compra por 1 e vende por 2, e obtém 1 "de lucro", nada mais é que mais um iludido sobre como realmente se dê o jogo dos custos, pois, ao que eu saiba, aquele que vive come, e pelo que me consta, não existe algo como um almoço grátis.
 
Mas no meio desta tratativa até diria primária sobre o que seja equilíbrio em fluxo de caixa, que nada mais é que o mesmo raciocínio que um quitandeiro tem de ter com suas receitas e despesas, apenas acrescido de zeros, citei o problema da infraestrutura...
 
O governo poderia não pagar 30 mil reais para nossos "supremos togados". Poderia pagar 60 mil, ou mesmo 300 mil. Bastaria, ao poder pagar equilibradamente, e no longo tempo**, fazer a economia dobrar***, e pagar hipotéticos 60 mil, ou mesmo acrescentar um zero ao nosso PIB, logo, até ao seu orçamento, e portanto, pagar 10 vezes mais aos seus mais importantes juízes.
 
** E tempos longos em governos são tudo, pois países são limitações geográficas de fenomenologias histórico-políticas, e como digo e repito, História é aquele conjunto organizado de tudo que se deve evitar.

*** O método "único tiro" de Collor, e mais que dele, de Zélia Cardoso de Mello, baseava-se num recolhimento do meio circulante para os empíricos 17% do PIB que habitualmente não são inflacionários, pois estávemos na casa dos 34%. O problema é que ao devolver este volume de meio circulante, necessariamente, para não retornarem como algo acima dos 17%, a economia teria de estar de tal tamanho que os 34% anteriores, mais as correções, e digamos, alguns ajustes, teriam de se tornar novos 17%. Como se vê, o tiro foi um tiro no pé, e a História acumula um exemplo de algo que não se deve repetir.
 
Para tal, basta, façamos uso de "números grossos", manter crescimentos de 5% ao ano por 20 anos, ou por 90 anos (e ainda ficar com alguns "geometrismos" da progressão de reserva para minha argumentação, pois seriam necessários, respectivamente, pouco mais de 14 e 47 anos).
 
Mas não conseguirá nem chegar a manter tal ritmo de crescimento, se ao necessitar de expansões na faixa de 15 a 20 % ao ano somente para o transporte aéreo de passageiros, insistir em apenas recolher dinheiro numa ponta e pagar empregados noutra - sejam eles os faxineiros da mais remota unidade da Polícia Rodoviária Federal ou mesmo o mais reluzente mármore dos seus palácios do poder judiciário. Pode também, além do faxineiro, pagar o eminente homem de notório conhecimento jurídico que pisa no mármore, só mudará o beneficiado pelo pagamento, não a natureza da despesa.
 
Tão simples e claro quanto isso.
 
 
 
Da mesma maneira que uma empresa, um governo deve formar reservas (que podem ser, como digo, estáticas ou dinâmicas****) visando cobrir deficits de uma abertura ou ampliação, ou um período de carências de qualquer tipo.
 
**** Por "reservas estáticas" podemos definir o que seja uma poupança, ou num caso governamental, reservas internacionais. Por "reservas dinâmicas", podemos dizer um adicional de contribuição, grosseiramente (e até erroneamente), lucro, que permita o investimento ou cobertura pretendido, gerando-se no tempo, e até sendo consumido permanentemente, no fluxo de caixa.
 
 
 
Da mesma maneira que empresas enfrentam sazonalidades e períodos que uma determinada distribuição caótica das receitas, que podem se somar aos acidentes e imprevistos que geram despesas, igualmente caóticos, os governos também o enfrentam. Vejamos as recentes secas e os incêndios na Rússia, ou as enchentes na China e Paquistão, ou ainda, o colapso econômico de algum país vizinho, seja importador (em suma gerador de caixa) ou exportados de matérias primas e componentes (que por sua vez igualmente serão, por fim, gerador de caixa).
 
 
Para estes períodos, apresento os dois gráficos a seguir. O primeiro, pode ser entendido facilmente, por exemplo, como o que custará a ampliação de todo um asfixiado parque aeroportuário, ou, noutra escala, também por exemplo, o que custará o período de incorporação de alunos numa "academia de ginástica" recém aberta.
 
Sempre que nos situamos operando abaixo da linha do ponto de equilíbrio, operamos no prejuízo, e queimamos reservas (o que pode ser nas empresas o capital de giro ou a forçada capitalização pelos sócios, ou ainda, endividamento), e mesmo na melhor das hipóteses, geramos um passivo a ser coberto pelas aparentes rentabilidades e sobras futuras (quando não um passivo a ser honrado). Mais que nunca, caixa é fato, e lucro é teoria.
 
Desejando um estado contruir um enorme aeroporto a cada 10 anos (melhor ainda, como necessita-se, 5) necessitará apertar seus faxineiros, e certamente ainda mais, seus juízes (para não dizerem que estou perseguindo o necessário poder judiciário, poderei citar aqui deputados, senadores, ministros e secretários, e até os seguranças do palácio que desejarem, ou mesmo, especificamente, os veículos funcionais da empresa estatal que cuida do transporte aéreo, ou a agência que a tudo afirma-se que vigia, pouco interessa, os números, no fim, serão frios e cruéis como sempre são).
 
Já num caso sazonal, temporário, e tal pode ser uma crise num continente, num setor de negócios ou mesmo na simpática e agradável academia do bairro citada acima, o gráfico será o abaixo, que na verdade, é o mesmo acima, apenas considerando-se um sistema de fluxo de caixa mais estabilizado e não partindo de um 'momento zero'.
 
Mas notemos, que qual seja a modelagem, o dia de repor-se, de cobrir-se, de sacrificar-se, e até do golpe em andamento colapsar, chega, e pouco interessam desejos a plena análise improdutivos, seja do proprietário da academia, seja do ministro que lida com os aeroportos, seja do presidente que a alguém queira apenas agradar, seja do juiz e até mesmo que seja da lei que se proclame como justa.

 
Jamais houve uma lei, conquanto honesta, que impedisse um crime. - 'OG' Mandino
 
Que eu parafraseio em:
 
Jamais houve jogo com valores que, ainda que bem intencionados, se desequilibrados, não rumem para a falência ou o golpe.


Como disse e repito, tão simples e claro quanto isso.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Esquerdadas I


Uma interessante pregação dos esquerdistas é que regimes comunistas fazem bem aos países onde foram implantados (ou impostos). E aqui definamos esquerdistas não como aqueles que propõe uma melhor divisão da riqueza, mas aqueles que proponham uma estatização completa dos bens de capital, uma política de partido único - como se tal fosse 'política' - em outras palavras, cada uma das linhas da cartilha comunista de moldes Leninistas (outras cartilhas mudam no político, mas pouquíssimo no econômico e convergem para o desastre de sempre, e quando não, para tropeços e uma aterrissagem até suave numa volta aos "padeiros de Adam Smith").


Devemos deixar bem claro que regimes que "puxam à esquerda", como muitos dos governos europeus e até mesmo, sob determinados aspectos, o brasileiro, em nada guardam no profundo com o que seja realmente um 'governo de esquerda' propriamente dito.

Hoje, um governo de esquerda propriamente dito é o governo cubano, que já começa, na própria liberalização de barbeiros e cabelereiros (quase gargalho ao usar este exemplo) a convergir para uma liberalização de seu patológico estatismo, por simples inoperacionalidade. Já o Vietnã é uma miniatura da China, com suas fábricas de tênis que são exportados inclusive para nosso Brasil, em larga escala. A Coréia do Norte, anacronicamente, é um sistema feudal travestido de um regime comunista, e tornou-se, ironicamente, uma exótica "monarquia stalinista".

É curioso que alguns defensores do, sejamos diretos, comunismo, pregam que a história mostra que a implantação de sistemas comunistas, inclusive pulando o detalhe da implantação de regimes totalitários, tragam o bem comum.

Faria uma analogia com o uso de esteróides anabolizantes. É óbvio que num primeiro momento, os ganhos de força/volume muscular/velocidade são "benéficos". O problema é o 'pós'.

Como os, como chamo, "esquerdinhas" adoram dizer, vamos aos fatos:

A Rússia era uma monarquia feudal, agrícola e atrasada ao ponto de possuir até exóticas escravidões "brancas" antes da revolução de 1917. Com 50 anos de comunismo, com até brutais políticas de mecanização do campo e 'eletrificação' da produção, os soviéticos mantiveram durante um bom tempo a vanguarda em diversos campos tecnológicos, como na corrida espacial* (e ainda mantém o antigo bloco, como, por exemplo, na fabricação dos maiores aviões de carga do mundo). Até feitos sem grande utilidade prática, como a construção da maior bomba nuclear de todos os tempos, de 57 megatons - que ironicamente, deixou meses os soviéticos sem nylon para qualquer fim em função da confecção de seus paraquedas.

*O próprio programa espacial soviético não foi focado jamais na geração de riqueza, temos de definir, consequente, como nas comunicações, e prestou-se apenas para um paralelo do programa militar e propaganda.

Mas o 'pós' este surto de produção e riqueza, que se deve até a imposição dos programas, métodos e objetivos do estado, mostrou claramente suas consequências e o quanto escondia.

Caminho completamente diverso trilhou a China, que passou de colônia inglesa (entre outras nações europeias), a estado paupérrimo enfrentando os japoneses - num perídodo no qual contou mais uma vez com sua já longeva boa relação com os EUA, do qual já dispunha quando era divivida em sem número de colônias e presenças exploratórias das nações européias, a um estado falido e anômalo, que a conduziu, exatamente pelos mesmos motivos russos, à revolução. O diverso se dá quando, mais uma vez com boas relações com os EUA, e a meu ver o maior de todos os méritos de Nixon, conduziu-se para deixar o caminho já não producente do comunismo, passando a ser um estado capitalista por excelência (lógica e somente, no econômico), com fortíssima presença e atuação do estado na economia, mas com abertura total às economias do mundo (ainda que sob, repito, rígida atuação, participação e controle do estado) e tornando-se, sob toda a análise, o parque industrial do primeiro mundo.**

** Do qual só não se torna quando economias menos prudentes tentam ir na contra-mão, tentando enfrentar sua capacidade inigualável de produzir bens de consumo.

No meio deste processo, a China também construiu bombas atômicas, satélites e adiante, já sobre o que chamo de "um novo mandarinato usando a cor vermelha e não a amarela", perpetuou, com continuidade, e agora propulsionada pelo capital, tecnologia e intercâmbio de informações com os países ricos, tais programas. Mas onde antes produzia para seus cidadãos apenas feios trajes padronizados azuis acinzentados, permite que tenham a liberdade tanto de produzir quanto de usar ternos das grifes ocidentais. Onde antes não permitia mais que bicicletas aos seus "camaradas", agora tem problemas com suas ruas engarrafadas de carros esportivos europeus, para os mais abastados, e modelos populares, e tanto carros para os "capitalistas" quanto os trabalhadores, geram riqueza para todos na teia de circulação de riqueza.
 

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ruínas de Atenas e mais alguns escombros

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Estado provedor

Repetidas vezes já escrevi aqui que o estado provedor é um caminho perigoso. Noutra escala, é o mesmo que o empresário que converge certos excedentes de caixa* para despesas de apresentação/representação**, e não para os fatores geradores de caixa.

O estado que inicia o prover de rendas mensais, em outras palavras: salários, bolsas, pensões, não tardará a ter amarras de todas as escalas sobre sua capacidade de investimento. Não contente em sobrecarregar-se de débitos permanentes e crescentes de caixa (pois as pessoas envelhecem e obrigatoriamente se aposentam, quando não, natural e infelizmente, tornam-se incapazes), chegará o momento que produzirá gargalos os mais diversos, especialmente de infraestrutura, e disto não tardará a barrar sua, agora já obrigatoriamente como crescente, carga tributária necessária (aquela que necessita para cobrir suas despesas).

Um estado assim, não tardará também a não se direcionar para a "zona do abismo" da curva de Laffer, não tendo mais margens de manobra para buscar um caminho de correção, pois a população (último real gerador de tributos) será arredia a fornecer mais recursos.

*E até o próprio caixa como um todo, sem critérios de proporcionalidade sobre o que possa ser lucro.
**Exemplos: carro novo e confortável, casa de campo e praia, barco de pesca, etc. Na verdade, a lista dos desejos e sonhos de consumo é sempre potencialmente infinita, e a relação dos realizáveis pelo caixa é sempre limitada, enquanto os fatores geradores são sempre perigosamente frágeis.


Benesses desmedidas

Não contente um estado de prover massa de trabalhadores estatais em áreas além do necessário pela população, normalmente, incha seus conroles, ultrapassando os princípios de economia que regem a implantação de controle, como: "os controles devem ser implantados até o nível que seu custo seja viável frente à economia pelos controles gerada".

Noutras palavras, implantar uma estrutura de controle que custe 1 bilhão por ano, mas que gere uma economia (ou poderia ser uma receita) de 999 milhões é claramente inviável. Noutras palavras ainda, um estado deve inchar-se em serviços, jamais em burocracias. Ainda noutros termos triviais, o estado que provê milhares de funcionários de saúde e defesa civil, não terá problema algum até de aumentar sua carga tributária, já um estado que atupeta-se de prédios de escritórios para manipular papelada de "trabalho aparente"***, não conseguirá produzir mais um centavo de carga tributária de sua população a partir de determinado ponto.

***Aquilo que parece trabalho, tem jeito de trabalho, gera volume de informações como trabalho, possui gente agitada e estressada como se estivesse trabalhando, mas não é trabalho.




Viver além do real e possível

Como bem foi dito pelo governo alemão, que sejamos sinceros, é o que faz "o euro ser o marco com um nome mais simpático", a Grécia tem de aprender a "viver dentro de sua realidade" (engraçado que esta frase é ouvida por filhos de seus pais, pelo mundo a fora). Lembra-me o que digo sobre finanças, em que vale algo parecido como o conhecido livro pueril de auto-ajuda  "Tudo Que Eu Devia Saber Na Vida Aprendi No Jardim de Infância" de Robert Fulghum.

Este estado, sempe amarrado à sua classe política e a oligarquia que produz, não tardará ainda em começar a emitir títulos crescentemente, e mais uma vez, como inúmeras outras situações de diversas escalas, iniciar uma marcha para a inoperacionalidade.

Aqui, percebamos que o Brasil possui uma situação que me parece perigosa. Vejamos, na forma de aparentes silogismos:

1.O estado é deficitário, e emite títulos.
2.Para ter atratividade para seus títulos, necessita manter taxas de juros, mesmo em meio a uma crise internacional, a valores altos.
3.Qualquer movimento de consumo, que eleva o PIB, ou melhor, gera realmente riqueza, gera inflação.
4.Esta inflação é gerada mesmo em meio a uma das mais altas taxas de juros do mundo.
5.Ao elevar a taxa de juros para controlar a inflação, o estado piora, inexoravelmente, sua situação potencial no tempo.

Acredito que aqui posso encerrar o conjunto de passos e ligar o (5) ao (1). Estamos, na verdade, sem quebrar a situação de (1), num círculo vicioso, e não num virtuoso, que só surge quando considera-se o (3) isolado. Mais uma vez, noutras palavras, o fluxo de débitos e créditos, valores, deve convergir para o equilíbrio, e só se expandir alinhado com o crescimento da economia, se este houver.

Como ensinaram por diversos caminhos meus pais, e eu talvez estivesse há pouco saído do jardim de infância e hoje trago para meus presentes dias: se disponho de 100, posso comprar uma cerveja de 10, se disponho de 1000, é conveniente beber um vinho de no máximo 50, e se disponho de 10000, talvez seja a hora de comprar um whisky de 200. Notemos que as proporções não são as mesmas, pois como aprendi com meus amigos argentinos "a previdência é uma virtude", e devemos crescentemente formar reservas.

A razão de reservas terem de ser crescentes é que as demandas possíveis, emergenciais e operacionais, a medida que a escala dos processos cresce é de taxa de crescimento ainda maior. Isto é válido para nós, em nossos crescentes imóveis e caros, por exemplo, como para nações.

Exemplifico: numa empresa pequena, uma emergência é trocar um pequeno motor de uma máquina. Numa grande, um maquinário de valor superior ao faturamento mensal . Num pequeno país, com poucos milhões, se contrói uma via para ônibus na maior das suas cidades. Numa das cidades de um grande país, o imprescindível metrô custará bilhões, e será apenas um paleativo para os problemas em pauta.

Mantenhamos sempre em mente a máxima: a medida que os sistemas se ampliam aritmeticamente, as variáveis a serem controladas crescem geometricamente, os problemas possíveis exponencialmente e as combinações entre eles fatorialmente (e estas taxas de crescimento aqui apresentadas podem ser exageradamente otimistas).




Revoltas e frustrações

É humano que após um período sob determinado estado benevolente, de 'assistência plena do berço ao túmulo', entre outras concepções, ou como prefiro, de assistência do útero ao túmulo, ao serem cortadas determinadas variáveis, especialmente as benesses extras ao básico e julgado necessário que eram oferecidas, as massas se revoltem e exijam a manutenção do que é insustentável, e na verdade nunca foi sustentável.

Esta é a grande diferença entre a maneira da população estadunidense e europeia encarar as mudanças de paradigmas do que seja o que o estado lhes provê. Como os estadunidenses estão acostumados (não confundir com apáticos ou conformados) a cortes e demissões, e um determinado nível baixo de securidade estatal, a geração de prejuízos por revoltas é baixo, um nível de anarquia ocorrente é baixo, e sejamos simples, quebram-se poucas coisas.

Em contrapartida, a reação da economia propiciada pelas ações do estado, como viu-se nas massivas demissões federais durante o início do período Clinton, levam a economia a responder positivamente após um determinado período de tempo, que é o que se evidencia agora, por outras vias e a partir de outras questões, mas com o mesmo "motor".

No quadro mais amplo, especialmente no tempo, a situação estadunidense se revelará mais estável, e as frustrações apenas momentâneas. Em termos cartesianos, a curva de bem estar da população estadunidense é mais suave, e tem-se mostrado, excetuado alguns tropeços, constantemente crescente.

A Grécia, Portugal e Espanha, ao tentarem burlar um certo fluxo natural destes processos, e atingirem padrões mais holandeses (citando o clássico 'tratamento holandês', padrão do "paraíso europeu"), deram agora tropeço que parece-me, sem retroação a níveis bastante difíceis, literalmente impossíveis de não causarem extrema revolta, e ao longo de anos, todo um quadro de sacrifícios generalizados entre toda a europa - sem falar de uma óbvia concentração direta sobre as nações envolvidas - visando cobrir os custos de recuperação, aquilo que é as vezes chamado de "divisão de prejuízos".




Paranóias

Tenho de admitir que acho as hipóteses de que a Europa rume para regimes autoritários uma paranóia sem fundamento (como toda a paranóia).

A Europa rumará para uma austeridade nas finanças públicas, e devido a atuações de seus bancos durante o pré-crise subprime, a um ainda maior rigor no controle do sistema financeiro, que em paralelo com a loucura da alavancagem acelerada, crescente e múltipla, mal lastreada e nem isso, foi ainda mais insana, com destaque para a supostamente séria neste campo Islândia, que o maior causador do problema, que foi, evidentemente, os EUA. Mas a zona do euro em si teve seus próprios e específicos pecadilhos, pois explosões de crédito e relacionada contrução civil, como se evidenciou em Portugal.

Como foi muito bem dito em painel de opiniões sobre a questão: após a bebedeira vem a ressaca, após o carnaval vem a quarta-feira de cinzas, ao que eu somo que após a glória da Grécia e os triunfos de Roma, podem vir as ruínas de situações econômicas equilibradas e poderes mal conduzidos.


Manifestação do partido nazista em Nuremberg e Love Parade em Berlin.



Mais uma ideia brilhante

Como um exemplo do que um amigo consultor chama de "psicopatia financeira", e que deveria cair na série de minhas blogagens "ideias brilhantes", a 'pensão para jogadores de futebol defensores da seleção brasileira'*(4), trata-se de algo tão insano que poupo-me de qualquer comentário além do seguinte: pelo mesmo raciocínio e sobre as mesmas premissas, deveríamos estender tais valores a praticantes de basquete (que no passado foram bicampeões mundiais), no futuro, os grandes contingentes de toda a geração do vôlei brasileiro, com sua excelência já de décadas e evidentemente, também aos claramente desprovidos praticantes de hipismo e vela, após passar por todos os demais esportes.

*(4) Note-se que parece que a pátria de chuteiras não precisa nem mesmo da definição de qual esporte seja, quando trata de "seleção".



Crescimento e sustentabilidade
Seguidamente tenho me pronunciado sobre a impossibilidade de se sustentar crescimento apenas sobre consumo. É claro que Economia é um campo que é multivariável, o que no inverso é um permanente erro dos "marxistas e anexos". Por similaridade banal, se uma criança cresce, não quer dizer que tenha de obrigatoriamente aumentar de peso.

Mas quando se percebe que o consumo no varejo cresce a anualizados 16%, em números mais que chineses, e o PIB aponta para perigosos pois excessivos 7%, alguma coisa me diz que a população estará perigosamente se endividando, e talvez o sistema não consiga se sustentar num ponto adiante.

Quando os imóveis, com pesado crescimento de seu financiamento/crédito, elevam seus preços, é sinal que ainda existe "otários" que dizem SIM e concordam com assinar contratos, enquanto "espertos" (serve o termo "malandros") percebem a ainda reserva de "otários" e elevam seus preços, pois o mercado, obviamente, está permitindo tal coisa. O rompimento deste processo cíclico se dá quando o primeiro "otário", resolve dizer NÃO e torna-se um "esperto", e só aceita assinar um contrato quando lhe for oferecida a mercadoria imóvel pelo valor correspondente na mercadoria crédito, que é a mercadoria dinheiro disponível no futuro. Se é que vai querer trocar dinheiro, presente e futuro, por isso.

Até aqui, enrolação minha sobre oferta e procura. Mas dois problemas se avizinham no horizonte, sempre: quando não puder se oferecer mercadoria imóvel a não ser que exista a mercadoria crédito, pois a mercadoria dinheiro no presente não exista - e presente é sempre o futuro chegando, ou quando o sistema, na necessidade de gerar algum balanço operativo*(5), aceitar carnês de pagamento..., perdão, contratos, como hipotecas para mais financiamentos e empréstimos para manter alto consumo, que garante emprego, e tivermos nua versão local, uma crise subprime, talvez que venha a ser chamada "o dia em que não aceitei o seu papagaio ruim pelo meu bem sólido e bom".

*(5) aquela coisa que volta e meia faz surgir aquilo que chamamos lucro, que é, em suma, o que vai propiciar PIB e outras coisas típicas dos economistas que significam geração de riqueza.


Um dia, a festa termina, a bebida acaba, e a ressaca começa, quando não, numa quarta-feira de cinzas no pior dos dias de chuva.

domingo, 2 de maio de 2010

Atribulações tributárias e outras

Em algumas análises em curtos pensamentos, quando não em estilo conceptista, dentre eles, primeiros esboços para futuros artigos mais longos.


Crescimento do PIB


É afirmado que o PIB vai crescer 7% neste ano, segundo o J. P. Morgan. Se confirmado, será o maior crescimento desde 1986 (7,5%), durante a insânia de consumo do Plano Cruzado.

Mesmo a uma taxa de PIB de 8%, só alcançaremos o PIB per capita do Chile HOJE em 4,5 anos.

O PIB per capita de Portugal HOJE só será alcançado em 10 anos, e o da Espanha em 15 anos.

Reforma tributária alguma no Brasil resolverá o problema de carga tributária total, sua fração sobre o PIB, somente divisão entre as unidades da federação e estrutura/legislação, pois o problema, antes do arrecadado, são gastos a serem cobertos, muitos deles apenas despesas correntes.

O estado brasileiro não elevou a carga tributária porque "desorganizou" a erracadação, e sim porque "estourou" suas receitas.

Percebamos que a união concentrou receitas porque "estourou mais" suas finanças, e não porque pretendia investir mais.

Ninguém duvida que o estado brasileiro gasta muito e gasta mal o que arrecada. Mas o pior é a União concentrar quase dois terços do arrecadado. Nesta proporção, poder executivo federal algum vai sequer pretender mudar tal situação.

O Brasil colocou-se numa situação de carga tributária percentual sobre o PIB de país de primeiro mundo, de alto padrão de tratamento do estado ao cidadão, com geração de riqueza global de país em desenvolvimento e serviços do estado de país subdesenvolvido.

O gargalo da infraestrutura é nevrálgico para o crescimento do país, porém, com a mancomunação do poder político com a atividade empreiteira, suas iniciativas não serão direcionadas ao mais eficiente/econômico, e sim, ao mais lucrativo a determinadas oligarquias, dentro do estado e na iniciativa privada.

Os interesses de determinada minoria, sem portas abertas às massas, continuarão a ser o norte dos investimentos públicos em infraestrutura.

Numa estrutura corrupta, é permanentemente mais viável o excessivo gasto no pouco durável e ineficiente que o econômico, durável e eficiente.




Balança comercial


Sem agregação de valor no exportado, invariavelmente tenderemos à balança de pagamento deficitária.


Usina de Belo Monte

Todos que me conhecem sabem, o quanto odeio argumentos de autoridade (ad verecundiam), mas por tudo que ouvi, de diversos setores, e pelos números que li, não há como não termos problemas proporcionais ao tamanho desta usina
Mais uma vez, construímos uma usina que abusa de um reservatório em tamanho e torna-se em contraste pequena em capacidade de geração.


Direitos dos homossexuais

Homossexuais pagam impostos?

Qualquer um responderá que sim, portanto, qualquer cidadão (pois isto passa a ser) disporá dos mecanismos de proteção e direitos que o estado lhe deve.

A questão de associar pedofilia estritamente com o que seja homossexualismo é de uma estupidez galopante, para dizer o mínimo. A tal ponto tola que qualquer pessoa com o mínimo de senso da realidade sabe que inúmeros pedófilos só sentem atração por crianças do sexo oposto.

Tenho de tratar deste relativamente desagradável tema pois ele leva a uma certa repulsa por parte de nossa sociedade à adoção de crianças por casais, ou mesmo solteiros, homossexuais.

O conjunto de critérios únicos a reger a capacitação para a adoção de crianças deveria ser a junção da qualificação moral/criminal com a capacitação econômica.

Descrevo a qualificação moral pois todos conhecemos homossexuais de conduta completamente moral. Digo criminal pois um homossexual pedófilo, obviamente, não poderia adotar uma criança, assim como claramente um homossexual envolvido com o tráfico, um traficante dito "predador", colocaria qualquer criança em risco.

A argumentação de que homossexuais conduziriam crianças à homossexualidade é tão absurda que ao afirmá-la, cai-se no absurdo que um casal de lésbicas levaria um menino a se tornar uma lésbica (o que é uma insanidad, para dizer o mínimo) ou um menino afeminado, o que para quem conhece qualquer jogadora de futebol feminino homossexual parece um contra-senso. O correspondente afirmaria para um casal de homossexuais masculinos, ao adotar uma menina.

Mas antes, tratando do completamente econômico, é muito mais conveniente uma criança num lar de homossexuais do que abandonada até a pós-adolescência num orfanato. E todos sabemos o mortor que é um filho na geração de renda de uma pessoa/casal, mais do que apenas mais uma despesa. Logo, toda a sociedade ganharia com isso.

A bandeira multicolorida dos homossexuais, quando bem conduzida, pode vir a fornecer um abrigo seguro.


O abaixo seria mais adequado a meu blog de divulgação científica, mas aproveitando o "fio da meada", coloquemos aqui.

Em meio a este panorama desagradável para a Igreja Católica e uma epidemia de denúncias de (e comprovados) abusos e casos de pedofilia, arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, afirmou que (1) sociedade atual é pedófila, e que (2) tais denúncias são uma pretensa forma de prejudicar a Igreja que 'promove a castidade', que (3) a liberdade sexual por criar desvios de comportamento, entre outras afirmações de natureza quase desconexa com qualquer lógica. Noutra nota na imprensa, cita homossexualismo (sic) como outro fenômeno de banalização da sexualidade na sociedade.

Em resposta a isto, coloco que:

1. Não estamos querendo saber se a sociedade tornou-se erotizada, mas como que sacerdotes estão sendo apanhados em pedofilia.

Nota: não existiu sociedade mais erotizada que a hindu, como bem mostrada na estatuária até em templos na Índia. Porém, ali, não se observa erotização da infância. Logo, afirma que erotização conduz à pedofilia é um argumento um tanto falacioso, mais uma tomada da parte pelo todo.

2. A dita autoridade da igreja está querendo comparar homossexualidade entre adultos com o abuso de um adulto sobre uma criança?

3. Incrível é que mesmo num quadro em que a "sociedade seja pedófila", sacerdotes teriam de obrigatoriamente, não o ser.

4. O celibato na Igreja Católica nasceu na verdade não de teologia, mas de questões legais em heranças de terras. E o sacerdócio, durante muito tempo, foi o local de em especial "boas famílias", colocarem seus filhos não muito bem comportados.

Mantendo algum foco neste blog no financeiro/econômico, observemos que independentemente de ser outra área de atrito com a sociedade, a isenção de tributos e um certa inexecutabilidade das igrejas as tem transformado no terreno fértil para todo o tipo de organização não sonegadora por até necessidade estrutural, mas de ser estruturalmente sonegadora por ser uma organização criminosa.

Assim como todo o dinheiro que entra fácil se vai fácil, todo caminho que privilegia a sonegação, a "lavagem", o desvio e o estelionato puro e simples terá seu fluxo de membros voltados ao crime, tanto como uma corrente elétrica procura o caminho de menor resistência, lembrando meus tempos de física do secundário e básico de universidade. O mesmo vale para desvios sexuais e uma certa inimputabilidade havendo uma estrutura protetora. Economia e física aplicada modelam, inclusive, a imoralidade.




Regiões alagáveis em nossas cidades,
o perigoso caminho que trilhamos em tentar enfrentar a natureza

Repetidas vezes já tratei de incidentes recentes consequências de chuvas sobre urbanizações (se é que podemos chamar assim) de nossas cidades. Mas a questão não é a eventualidade - até porque já enfrentamos tal como rotina.

Existe sempre a impossibilidade de se conciliar o direito e liberdade da habitação com os possíveis riscos e danos coletivos.

Invariavelmente, as cidades brasileiras tenderam a enfrentar a natureza tropical de nosso país, impermeabilizando-se e canalizando rios, ocupando várzeas e áreas de alta erosão.




Liberdades e escolhas

O brasileiro tende a entender a fronteira entre liberdade/direitos e anarquia/dádivas como completamente permeável.

A sociedade brasileira foi, misteriosamente, sábia, colocando no poder todas as forças. Agora pode, a seu prazer, escolhê-las.

Como revelou-as,até a duras penas, iguais em determinados critérios e modos, as igualou como elegíveis, conforme seus anseios.

Monopólio Tecnológico das Águas Profundas

Durante muito tempo a Petrobras, e consequentemente o governo brasileiro, afirmava um monopólio da exploração de petróleo em águas profundas. Os recentes acontecimentos no Golfo do México apontam que a exploração da British Petroleum já alcançam, como visto, 1500 metros. Isto já aponta para 75% em relação as nossas perfurações em torno de 2000 metros (considerando-se apenas esta perfuração, não necessariamente a mais profunda de outras companhias). Alertemos que o acidente não se deu nos equipamentos de profundidade, e sim, nos de superfície. Portanto, as dificuldades não são na profundidade, e sim, até relativamente comuns incidentes de plataformas (que mesmo entre nós já ocorreram, diversas vezes, inclusive com afundamento de equipamentos inteiros). Portanto, finalmente, mostra-se que não podemos mais afirmar que tais profundidades sejam de nosso exclusivo domínio.




Ecologia e prevenção

Marcante neste acidente nas costas estadunidenses que o volume de trabalhadores especializados no seu atendimento chegou em poucas horas a um número de 700. Gostaria de ver números das reservas brasileiras para incidentes similares se chegaria a tal monta.


A permanente erosão dos custos

Assim como qualquer pessoa que ganhe, que seja 1500 reais, sabe que tem de gastar menos que isso, assim será com qualquer país, mesmo a escala da economia dos EUA. A única coisa que mudará será a escala, ou mais facilmente entendível, o número de 'zeros'.

Da mesma maneira que uma pessoa, sem outra renda, que ganhe um prêmio de loteria, digamos de 26 milhões de reais (como da megasena desta quarta feira), tendo uma rentabilidade mensal líquida de 195 mil reais mensais (juros "reais e limpos" de 0,75% ao mês), gaste num mês R$ 195.001,00 (digamos nas despesas correntes e num bom carro (típico de quem ganhou um dinheiro dito fácil), no mês seguinte, sua rentabilidade cairá para, na mesma taxa de juros, para R$ 194.999,99.

Pode parecer insignificante, mas se providências não forem tomadas para cortar este "método", no primeiro erro de raciocínio sobre riqueza e sua rentabilidade, os gastos forem elevados para 205 mil reais (como por exemplo com um novo carro e mais uma enorme televisão, por exemplo típico - mesmo sendo bens duráveis, ainda sim bens de consumo e não bens rentáveis), o capital se reduzirá para R$ 25.990.000,00, partindo-se de recuperados e equilibrados novamente 26 milhões, e agora, no próximo mês, o rendimento irá para R$ 194.925,00, e assim por diante, talvez com cada vez menos margem para erros, até o zerar do capital.

Parece um tolice pueril. Mas exatamente estes erros levaram fortunas de grandes industriais à falência completa, bancos à 'banca rota' (esta origem do nosso termo atual é muito ilustrativa) e milhonários instantâneos ou velozes de todos os tipos, deste "lotéricos", a celebridades instantâneas, artistas e astros do esporte à miséria. Igualmente países. Basta apenas "errar contas" e trocar os números dos zeros. As curvas de declínio rumo à inoperacionalidade só mudam de escala, não de perfil.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A gota d'água do Morro do Bumba

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Quando escrevi sobre Conjuntos Habitacionais em Áreas de Várzea , jamais acreditaria se me afirmassem que o problema poderia ser piorado. Mas como aprendi até a duras penas, e representei em frase um tanto pessimista: quando achamos que chegou-se ao fundo do poço, eis que alguém descobre um alçapão.




Não contentes em permitir que a população de baixa renda (a partir daqui, economicamente neste texto tratáveis por 'pobres') ocupem áreas de algum risco de danos materiais (os pobres móveis molhados), os governantes permitiram que os 'pobres' ocupem áreas com risco de desmoronamento.

Aqui, deve-se deixar bem claro, que não são os 'pobres' que ocupam estas áreas porque são intrinsicamente irresponsáveis (como se por absurdo, tivessem uma mórbida atração pelo perigo), e sim, ocupam tais áreas pela malévola união de necessidade e ignorância, pura e simples.

Mas os governantes e suas estruturas técnicas são irresponsáveis (a liderança sempre trás como característica concentrar a responsabilidade última) e um tanto incompetentes. Na exata medida que existem políticos que em troca de bases eleitorais permitem a ocupação de áreas de risco e apoiam tais urbanização e infra-estrutura (aqui deveriam haver aspas), existe a gerida estrutura de técnicos que ao tomar conhecimento dos dados de engenharia dos locais a serem urbanizados fecham os olhos para os riscos.

Comentário 1: risco zero implica em custo infinito, sempre repito, mas concordemos que o que sejam as estruturas de engenharia civil nas favelas (aquelas aglomerações distorcidamente chamadas de "comunidades") estão longe do que seja alto custo (no que resulta me levar ao termo 'maloca'*), e no caso de inúmeros locais do Brasil, muito próximos do risco imenso.

* Interessante que o termo 'maloca', quando numa letra de um samba, é "cultura", mas quando usado para definir uma habitação que inclusive não está nos parâmetros legais, inclusive de segurança, ou até de salubridade, no local da expressão rebuscada e inútil "habitação humilde", se é dito "politicamente incorreto". Sinceramente, prefiro ser politicamente incorreto e até desagradável que ter uma centena de mortes sobre meus ombros.


A situação de corrompe quando se corrompem os termos. - Karl Marx


Comentário 2: para explicar o que seja uma distribuição, que implica em, por exemplo, probabilidades acumuladas no tempo, uma boa imagem é o perigoso (óbvio) jogo de roleta russa. Tirando detalhes de equilíbrio do tambor do revólver, que favorecem o "não tiro", a probabilidade de um tambor de 6 câmaras é como a probabilidade de um dado. Ao fazer-se a "aposta" 1 vez, a probabilidade de ocorrer o disparo é de 1 chance em 6. Numa segunda rodada, a probabilidade continua 1 em 6. Mas a probabilidade nas duas rodadas, de ocorrer um disparo, é maior que um sexto. Na verdade, cresce e se aproxima da certeza absoluta de sair um disparo, quanto maior for o número de rodadas.

Para se entender este argumento por outra via, sempre exemplifico com a pergunta: Qual a probabilidade de sair um lançamento de um dado com o número 6 em 1 milhão de lançamentos? É claro que é 1 (uma certeza de ocorrência), ou por ainda outra via, é óbvio que em algum momento, ao longo de seguidos lançamentos, ocorrerá o número 6.

Retornando ao caso Morro do Bumba, é evidente que um distribuição de instáveis casas sobre instável solo numa região de instável clima (ou diria tragicomicamente estável, pois no sudeste brasileiro sempre chove, e intensamente), mais cedo ou mais tarde, seria a bala que dispararia numa roleta russa. Lembrando que o que seja um 'morro', invariavelmente, desmorona, pois existe o que seja erosão, que aliás, é exatamente o que produziu sua declividade acentuada. Numa linguagem mais em combinatória, a chuva típica do Rio não faria desmoronar com certeza a 'favela'. A contrução de mais uma 'maloca' também não. O solo ceder um pouco pois 'lixão' se compacta, também não. Mas as constantes chuvas, com crescente número de 'malocas' em solo em comportamento mais próximo de um fluido, obrigatoriamente tenderia à catástrofe.

Mas antes de ser um solo instável, aquilo não seria propriamente um solo. Antes de ser um depósito de lixo, que recebe hoje entre nós engenheiros o nome mais descritivo de aterro sanitário, é o que seja um "lixão". Tristemente, nada mais descritivo de desigualdade perversamente ligada à irresponsabilidade que 'pobres' morando em 'malocas', aglomerados em 'favelas', subindo perigosos morros em cima de um 'lixão'.

Deixemos bem claro que 'lixões', quando levados ao nível de aterro sanitário, e estruturados para serem produtores de metano eficientemente equipados, são geradores de riqueza como se evidencia no Japão e Hong Kong* - que exatamente pela geografia e pouco espaço, exigem tais medidas (tal pode ser feito até com fezes, o que é desenvolvido em grande escala na Índia), e sobre tais aterros esgotados em sua capacidade de produção, instalam-se até campos de golfe (com se evidencia amplamente nos EUA). Observe-se que o esgotamento da produção de metano se dá exatamente quando a decomposição orgânica cessa e o material está na sua compactação e inércia química que já o caracteriza como um solo propriamente dito.

Contraste entre operações no contexto "lixo" entre nosso país e países industrializados.


*Já na década de 80 a China já desenvolvia o aproveitamento de lixo na produção de biogás:

- ALCIMAR NUNES DE PAULA; BIOGÁS: O COMBUSTÍVEL DO FUTURO; Monografia apresentada ao Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras; 2006

- ALLEY, Rewi. A expansão do biodigestor na China. In revista Eastern Horizon. Hong Kong, 10 de outubro, 1980, vol. XIX.

Mas analisando a questão mais aos olhos de um brasileiro, conhecedor de determinadas limitações e aquilo que ganhou o bordão "falta de vontade política", se o aproveitamento energético não fosse possível, que houvesse a deposição adequada. Se a deposição adequada não fosse possível, que houvesse ao menos o isolamento posterior.

Só o que não me parece aceitável é a deposição negligente de 'pobres' sobre o perigo certo.

Mas pulemos o óbvio dos óbvios, e o reclamar do que sou distante e até incapaz de resolver*, e tratemos de uma questão em custos.

*Embora, orgulhosamente, assinatura minha alguma existe em obra desta natureza irresponsável.


Houve gastos de 78 mil reais (por meus hábitos, pretendendo o futuro, aproximadamente 43 mil dólares) por residência em obras de infraestrutura no Morro dos Prazeres.

Realizando cálculos simples por outras vias, observemos que existem condomínios tanto no Rio quanto em São Paulo, de bom padrão, que ocupam áreas de 25 x 25 metros, de 25 andares (por exemplo), que, por estes números, numa média de 4 pessoas por unidade residencial, considerando apenas duas unidades por andar, permitem o habitar 200 pessoas em 625 metros quadrados, ou seja: 0,32 pessoa por metro quadrado. Consideremos este valor como um número que une 'ricos' e uma ocupação de área territorial.

Uma observação: claro que 'ricos propriamente ditos' ocupam até casas de dezenas de milhares de metros quadrados de área, tanto de terreno quanto construídas, ou apartamentos de milhares de metros, mas sua representatividade estatística é insignificante e inútil nesta análise.

Consideremos, que em 625 metros quadrados de terreno, um condomínio mais característico de "classe média" permitiria, digamos, com uma ocupação de 75% do mesmo terreno, 4 apartamentos por andar de 117 metros quadrados cada um. O que levaria a população deste terreno para, digamos, a 3 pessoas por unidade, com 12 pessoas por andar, 300 pessoas no prédio, levando a 0,48 pessoa por metro quadrado do terreno.

Mas pensemos nas 'malocas'. Consideremos uma com 4 x 3 metros, 12 metros quadrados, com 4 pessoas. Disto, 625 metros quadrados só permitiriam a ocupação (quase absurda, dados acessos e espaços comuns) de aprox. 53 'malocas', que levam a aprox. 208 pessoas, ou aprox. 0,33 pessoa por metro quadrado.

Ou seja: mesmo forçando os valores, 'pobres' ocupam tanta área por metro quadrado de terreno que 'ricos', e mais que 'classe média'.

Como nota, lembremos que o desastre 'classe média', do edifício Palace II, causou a morte de 8 pessoas, e do ponto de vista de alguma engenharia (coisa que numa 'favela' sobre um 'lixão' me parece não existir) foi um indicidente grave.

Independente da verdade gritante acima, a ocupação baseada apenas em terreno pelos 'pobres' leva a ocupação evidente de território (uma suburbanização das áreas urbanas) que faz crescer aceleradamente a infraestrutura macro necessária - avenidas, metrôs e trens, estradas, instalações de esgoto, água potável, e finalmente, a gota d'água que desencadeou a tragédia que é o motivador deste texto: águas pluvias.

Detalhemos: um edifício de 'classe média' permite a construção de cisternas, sistemas de drenagem, adequação das instalações de esgoto, etc, numa estrutura maior, da rua na qual está, e na avenida a qual esta rua se conecta, ao canal em que deságua. 'Favelas' são um empilhamento de moradias rústicas, desconexas e infradesestruturadas (neologismo, acredito, meu), não uma obra, com todas as poucas letras.

Mas observemos, mais acima neste texto, que 78 mil reais permitiriam perfeitamente a construção, ainda mais em enorme escala, de apartamentos razoáveis para a mesma população que agora se encontra nas áreas de risco. Assim, concluímos que manter a 'roleta russa' em giro foi mais caro que construir extensivamente apartamentos em centros habitacionais.
Uma observação contábil: estes 78 mil reais, saindo de uma massa tributária, saíram, por sua vez, de uma arrecadação, no Brasil predominantemente sobre as massas mais pobres da população, e foram parar em (1) funcionários públicos envolvidos nas obras - e tal é fluxo constante no tempo, (2) empresas (logo empresários de) empreiteiras terceirizadas, (3) fornecedores de material de construção. Sendo assim, transferiram-se da população para estes, e como tornaram-se perda completa, tornaram-se completo desperdício e transferência de riqueza sem a contrapartida da benfeitoria feita. Resumindo: como estiveram sob o risco, e tal virou "sinistro" a única coisa que tais obras produziram foi a transferência/concentração de riqueza (algo completamente diferente de sua distribuição).

A ilha de Manhattan e o a região central de São Paulo, contrastes de planejamento e estruturação.


Aqui, acrescentemos que infraestruturas crescem em custo proporcionalmente à distância, logo comprimento", mas uma distância de algum valor, em múltiplas ramificações, exigirá, por exemplo para água, vazões grandes em longas distâncias, logo, custos altos por estas longas distâncias, enquanto distâncias curtas permitirão custos altos investidos concentrados em curtas distâncias. Como exemplo, por similaridade é muito mais fácil construir uma larga avenida de 5 quilômetros ramificada em diversas ruas que uma longuíssima avenida/estrada de mesma largura necessária chegando a longíssimos subúrbios, não interessando se sobre ela rodarão ônibus ou paralelamente trens urbanos. Portanto, concentração, densidade, em termos urbanos gera economia, e não custos, mas exige estruturado e rigoroso planejamento.

Também acrescentemos que concentrações urbanas de alta densidade permitem maiores e mais "espessos" cinturões verdes, no abastecimento de hortifrutigranjeiros, o que reduz ainda mais, pela proximidade, os custos da ligística de abastecimento de áreas urbanas.

Logo, a pobreza sinergiza a pobreza, e tem elevados custos, pois custos dilapidam a geração de riqueza, inclusive ao ter-se de salvar as vítimas da tendência inexorável das probabilidades desfavoráveis. Talvez, por isso, a centena de vítimas do Morro do Bumba tenha sido a gota d'água que desencadeará um processo de racionalização da ocupação urbana no Brasil, e tal processo, no fundo e no longo prazo, terá como objetivo a diminuição não do que sejam 'favelas' cobertas e empilhadas extensivamente do que sejam 'malocas', mas a eliminação do que sejam 'pobres'.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O petróleo não é nosso, é meu!

Estamos assistindo nos últimos dias todo o debate sobre os royalties do petróleo a partir da emenda proposta por Ibsen Pinheiro. Tratarei aqui da questão política, um pouco, da questão econômica, um tanto, e da questão em custos, pretendendo o suficiente.

O que é o Brasil



O Brasil é uma nação com duas peculiaridades: embora seja uma federação, é um estado nacional altamente centralizado, especialmente, nos últimos anos, crescente triburariamente nisto. Não possui nenhuma estrutura militar que seja estadual, apenas federal. Suas polícias e justiça são na verdade centralizadas e sua legislação nos mais diversos campos é homogênea. Um sistema assim em si não apresenta-se como "melhor ou pior", apenas é um entre tantas combinações possíveis. Uma nação neste campo diametralmente oposta seriam os EUA, altamente descentralizado, de onde, de certa maneira, copiamos o sistema de estruturação das unidades da federação (os históricos "Estados Unidos do Brasil)".

Como segunda peculiaridade, aqui completamente em caminho diverso dos EUA (ou da Malásia, como outro exemplo, mostrando que não implica isso em riqueza ou pobreza diretamente), os recursos sobre o solo pertencem exclusivamente à união. Enquanto que nos EUA os recursos, "numa pirâmide invertida que vai até o centro da Terra", pertencem ao proprietário da terra sobre esta pirâmide (sua "base"), no Brasil os recursos do subsolo não são do proprietário da terra. Por este raciocínio simples e suas consequências, o estado quando cava um túnel em Kuala Lumpur, tem de pagar indenização ao proprietário de um terreno. Pelo mesmo raciocínio, quem extraísse granito ou basalto em qualquer pedreira deveria não só pagar impostos pela atividade como pagar royalties sobre as pedras. Mas não se preocupem os proprietários de pobres pedreiras: o estado brasileiro não se interessa por pequenos valores. Já possui imposto sobre arroz, feijão e sandálias de seus pobres o suficiente.

O recurso petróleo e os royalties

Mas tratando-se de um recurso natural sob o solo, deveríamos ter discussão idêntica (por caminhos lógicos idênticos e construções legais idênticas) sobre minério de ferro, bauxita, urânio, nióbio, etc. Em suma, sobre todo minério produzido significativamente. Mas aqui, minha opinião de engenheiro da área: não se discute em coisas que não tenham a facilidade relativa de obtenção (pois líquido) e tratamento e valor do petróleo (sem falar do aspecto estratégico do conceito amplo de "energia"). Se existe a dificuldade, e existe, asseguro como engenheiro químico, esta é compensada pelo valor. E o processamento do petróleo em sua escala levou as autoridades patologicamente a colocarem a "facilidade relativa" que coloco como algo idêntico a "fácil", como seria colher dinheiro em árvores.



Agora analisemos alguns pontos, em defesa dos argumentos de Ibsen (e de muitos).

O Brasil não extrai significativamente petróleo em suas massas de terra seca. Que eu me lembre, os estados acabam em suas praias. O petróleo pode ser extraído em litorais à frente de estados, mas não o processa predominantemente nos estados onde ficam os litorais. Logo, uma argumentação pelo processamento não se sustenta. A extração e o processamento não são realizados nem por estruturas estatais e privadas limitadas a estados (só como número, durante muito tempo ainda, a refinaria de Paulínia refinará 20% de todo o petróleo do país, e posteriormente, o maior volume se deslocará para o nordeste, pelas chamadas refinarias premium). Aliás, as estruturas são federais ou fortemente controladas pela união, do ponto de vista de legislação. Então (e poderíamos colocar outros argumentos) nenhum argumento por um estado (ou um conjunto de estados, ou mesma análise por municípios) se sustenta.

Por outro lado, como somos um sistema federativo, os royalties tem de ser não concentrados na união, e/mas e daí, divididos entre as unidades da federação e até entre suas subdivisões.

Mas o Rio de Janeiro e o Espírito Santo e até São Paulo (o primeiro mais que qualquer outro) alegam que quebrarão ao alterarem esta receita.

Bem, independente de a receita ainda não existir nos valores que estão sendo reclamados (e fantasticamente, já causarão com a sua ausência, que já existe, futura quebra - releia, é isto mesmo!*), a questão de uma receita sobre a qual estão sendo concentradas as esperanças e origens de coberturas de titularidades do estado me parece perigosa por diversos motivos, e aqui, tratarei adiante de questões simples de administração.

* Este tipo de argumento falacioso já foi usado pelo governo do RS, quando das negociações pela implantação das montadoras de automóveis, em reclamação sobre abrir-se mãos de receitas, que sem a implantação das empresas, jamais se efetivariam. Lembrando sofista grego: ainda mantenho meus chifres, pois jamais os perdi.

Uma aplicação de paradoxo sorites como falácia



Paradoxo sorites

É argumentado que se o valor não for concentrado no Rio (digamos) não significará coisa alguma se distribuído entre as unidades da federação. É o mesmo que dizer que numa família de 27 pessoas, ao ser premiado um único membro da família com um prêmio de Megasena de 9 milhões, uma divisão de pouco mais de 300 mil para cada um dos membros da família não serviriam para nada.

É óbvio e evidente que 300 mil é menos que 9 milhões, mas é também óbvio e evidente que 300 mil é infinitas vezes maior que zero (contra certos argumentos simplórios e na verdade tolos, adoro recorrer a afirmações aos moldes de Zenão).

Mas uma obra de infraestrutura entre Rio e Minas, neste mesmo raciocínio, não seria fruto do "prêmio dividido de 300 mil" do Rio ou do mesmo de Minas, e sim da soma dos dois, e assim em combinações as mais variadas, pois lembremos, são unidades de um sistema federativo.

Confusão de royalties com tributos

Foi alegado que os estados já dividem o que seja a riqueza do petróleo através da carga tributária como o ICMS nos estados consumidores (a primeira vez que ouvi esta argumentação foi por parte de Míriam Leitão).



Obs.: ao ler-se ali tal tema, se verá o mesmo erro crasso, histório e repetido ad nauseam de que "os consumidores não pagam" ou pior, este imposto apenas os consumidores pagam. Aprendam de uma vez: apenas os consumidores pagam finalmente - na cadeia de consumo - impostos, ponto final.

É de se perguntar qual é o fato gerador que causa os royalties, antes de se misturar uma coisa que é, na verdade, gerada na população que consome, na refinaria que o destila e na distribuidora que o distribui e até revende, com algo que é restrito ao processo de extração e logística, quanto muito. O ICMS da gasolina, por exemplo, é pago na refinaria por um mecanismo de avaliação do valor a ser vendido "na bomba" e debitado exatamente do caixa da refinaria, que repassa tal débito ao preço às distribuidoras e consequentemente, vai acabar no posto ou no retalhista (e como dissemos e temos de nos lembrar de demonstrar banalmente, é finalmente pago pelo consumidor final). Mas o petróleo que foi destilado, por exemplo, pode ter vindo da Venezuela, Golfo Pérsico ou Rússia, pouco interessa. Então não é diretamente relacionado ao extraído.

Os fatos geradores, forçando os termos para o que seja o petróleo extraído, de tais valores são completamente diferentes. Podem até ser tratados como de estrutura similar de cálculo, mas de forma alguma mostram uma relação direta, nem em geração da riqueza em si, nem em sistemática de como é gerada esta riqueza. Até porque, por este raciocínio, se o petróleo for extraído no Rio, pode ser exportado para os EUA ou Europa e o pobre Sergipe (perdão, mas o belo estado é um exemplo aqui útil) pouco verá valor deste, pois não o comercializou em uma gota e seu povo não o consumiu em meia gota.

Nota: Triste (para meu texto) ironia, e felicidade do belo e historicamente muito sofrido estado - Petrobras anuncia descoberta de petróleo em Sergipe .

Os "rompimentos" de contratos

Não existe rompimentos de contratos, pois os contratos se dão entre os sistemas de controle de exploração do petróleo (claro que o governo brasileiro) e as empresas que tenham licenças de exploração e extração. O valor a ser repassado aos estados e municípios é posterior ao valor ter passado pelo caixa, que em suma, é da União. Portanto, quando a União mudar o destino que estabelece como final para os recursos gerados, em coisa alguma mudará o fluxo de caixa - e mútuas obrigações - com as empresas exploradoras/extratoras. Os estados e municípios são, lembrando a biologia, comensais, e o termo lembra coisas do feudalismo, do sistema, e não um agente ativo do processo.

Antes de avançarmos, um adendo importante: não existe simplesmente palhaçada, e este é o termo, maior que esta argumentação nacionalistóide de que as questões em petróleo e até energia (uma definição mais ampla) tenham de ser estatais pois estratégicas. Não existe nação mais estratégica e com maiores e mais problemáticas questões de energia que os EUA, e sua estrutura de energia é massivamente privada, e o que seja o campo dos derivados de petróleo é completamente privado, embora, desde os tempos de Theodore Roosevelt, sob rígido controle e vigilância do estado em questões antitruste. Entenda-se simplesmente: a maior razão do monopólio petrolífero brasileiro (que na verdade, não mais existe, e transformou-se em oligopólio de um limitadíssimo grupo de empresas e controladores, muito mais concentrado que o que é nos EUA, por exemplo) é a formação de uma oligarquia interna ao sistema, associada a um controle partidarizado, altamente político - no pior sentido da palavra, externo ao sistema. Evidentemente, tudo pintado com nobres matizes de um pseudopatriotismo.



O ônus da concentração tributária sobre o petróleo

Ao longo do avanço do Brasil sobre a curva de Laffer, ao perceberem-se as nuances de sonegação possível e epidêmica dos setores mais pulverizados da economia, os dirigentes brasileiros iniciaram uma concentração dos valores a serem arrecadados da carga tributária - crescente - sobre cada vez mais concentrados e controláveis contabilmente setores. Destacadamente: energia e comunicações. No segmento de energia, descarregou ainda em maior monta, como vemos no dia a dia, sobre os combustíveis (o que por si só já encareceu toda a cadeia logística brasileira, apesar de determinadas vantagens relativas para o diesel).

Tal descarga de custos (pois é isto que o estado fez), levou os combustíveis a atingire, digamos por baixo, 40% de carga tributária em seus valores - como digo, "de baixo para cima". Coloquemos, por hora, para números simples, que 25% do combustível vendido na bomba, "de cima para baixo", seja tributos.

Recomendo: ANÁLISE DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE OS COMBUSTÍVEIS AUTOMOTIVOS...

E até parar rir (ou chorar): Você sabe quanto paga em impostos na Gasolina?

Mas mantenhamos os nosso modestos 25% "de cima para baixo", já nos serão suficientes.

Se o faturamento da Petrobrás+Distribuidoras apenas em gasolina (pura, não aditivada de etanol anidro) já resulta em, por exemplo 13,831 bilhões de litros num período de 9 meses, desde 2008, o que dá 1,536 bilhões de litros por mês, isto já dá um faturamento, só calculando sobre a gasolina pura (acrescente-se o volume de álcool) R$ 2,66, a menor preço, 4,087 bilhões de reais nas bombas. Numa carga de 25%, 1,021 bilhões de reais mensais , 12,263 bilhões de reais anuais



Considerando-se que nosso PIB é de hoje, 2,817 trilhões, isso dá 0,4% do nosso PIB. A carga tributária brasileira está em aproximadamente 35% do PIB. O que já leva este número para 1,24% da carga tributária. Ou seja: a venda de gasolina pura, independentemente da aditivação por etanol, já monta mais de 1% do PIB. Aí está a questão: apenas neste ítem, da maneira crítica como eu fiz. Some-se a isto a aditivação em volume, o álcool hidratado e os demais combustíveis e derivados. Não há "marginalidade" alguma - os graus de liberdade para as ações do governo em manobrar com preços de combustíveis se tornaram nulos. Em outras palavras, caro leitor: é por isso que quando o mundo vê o barril de petróleo desabar de 100 para 50 dólares, o consumidor estadinidense, canadense, europeu vê o preço cair por algum valor na bomba, e aqui não. Entenda: a Petrobrás e o sistema de derivados no Brasil não são uma empresa, e sim, uma ferramenta arrecadatória. O governo não pode abrir mão de porcentagem alguma, dado inclusive seus deficits, dos meus forçados 25% do preço dos combustíveis (qualquer mudança de valores não muda em coisa alguma o problema, apenas os valores).



O que o governo, em todos os seus níveis, fez, foi concentrar a receita sobre poucas áreas, perigosamente, e pior ainda, os estados já deficitários, em todas as áreas, como destacadamente o Espírito Santo no sistema prisional, inclusive em despesas futuras, em gastos em crescimento perigoso, como o previdenciário, como afirma o governador do Rio.


Antes de continuarmos, me vejo, sádico como sou contra os que tentam negar que previdência seja uma virtude, obrigado a perguntar: petróleo agora dura para sempre e não fui, com toda a minha cultura duramente adquirida em química e área próximas, informado?

Concentrações de sacado, concentrações de volumes no tempo


Como vimos, o governo em suas esferas (e mais ainda, numa concentração interna, deslocando grande parte da carga tributária para a união, a caminho de 70%), mas será que este problema de macro tem razão de ser cuidado no nosso mundo de micro?

Quando se concentra as receitas sobre poucas áreas, realiza-se o que em administração de fluxo de caixa, e consequentemente em administração de vendas e administração de crédito e cobrança se chama concentração de sacado. Sobre esta concentração mais conhecida, acrescentaria a concentração de volumes no tempo, ou concentração de fluxo.

Sobre estas concentrações, em descarregar-se todas as esperanças (na verdade, tdo o faturamento futuro é uma esperança, e inclusive toda receita, toda entrada futura em caixa, igualmente) construí frases simples que exemplificam e marcam didaticamente os procedimentos mais arriscados:



1) Prefiro nove de mil que um de dez mil. É preferível ter-se nove clientes de volume de faturamento F/10, totalizando 0,9F que um cliente com volume F. Esta diferença de 10% será compensada pela distribuição estatística ao longo de tempo, em que cientes vem e vão, fecham e vão à falência. Ao se perder um cliente de F, perde-se todo o faturamento de valor F, evidentemente. Ao se perder mesmo dois ou três clientes de faturamento 0,1F, perderemos no máximo 0,3F, nesta exemplificação. Concentrar a geração de caixa sobre poucos clientes, é perigoso. Quando poucos sacados (quando se acrescenta o prazo), evidentemente o risco cresce.



2) Prefiro um de mil por dia que um de trinta e dois mil por mês. Na verdade, pode ser relacionado com o acima, dadas algumas combinações possíveis, mas digamos que sejam títulos distribuídos harmoniosamente entre alguns clientes/sacados. Uma distribuição de titularidades de F/30, entrando todos os dias, hegarão a um valor F no final de um mês comercial de 30 dias, raros entre as empresas (poucas operam, na verdade, todos os dias do mês). Ao faltarem mesmo 25% destas entradas, seja por perdas completas, seja por incidentes, seja por flutuações, perderemos um volume entrante no fluxo de caixa de 0,25F e ficaremos com uma entrada total de 0,75F, obviamente. Termos um retardo de 30 dias de uma entrada única de valor F, vicaremos obviamente 30 dias sem F em nosso caixa. Simplíssimo, e lembrando que no caso, considerei um valor de (32/30)F=1,0666...F, até, porque uso de valores "forçados", nenhum mês possui 32 dias.

Portanto, distribuir valores ao mês, e não concentrá-los sobre poucos clientes é um caminho seguro


Mas há, a meu ver, uma terceira concentração, um pouco mais complexa e de variáveis extras.
3) Prefiro uma fatura de mil de alguém por semana que uma de quatro mil deste mesmo alguém por mês. Usemos uma exemplificação estrita: Se concentramos o valor do faturamento mensal de um cliente em um única fatura de valor F, ao haver o retardo desta fatura, ele causará, obviamente um desencaixe de F no nosso fluxo de caixa. Este desencaixe de F, assim como ocorre no meu caixa, por partidas dobradas ocorrerá pelo mesmo valor (o que é "ululante") e causando o mesmo nível de problema e proporcinal capacidade necessária para ser solucionado no meu devedor.
Para explicar tal em outras palavras, um valor que me é um problema pela falta de recebimento, é o mesmo valor que causa um problema para ser honrado em meu sacado. Se o meu sacado é mais capacitado fianceiramente, poderá ser até facilmente resolvido. Se é de pequena capacidade, já poderá estar falido ou em marcha para a inoperacionalidade, que é, em se manter, uma inexorável marcha para a falência. Problema imensamente maior se o sacado (agora já um devedor) é um sacado pouco confiável ou com, digamos, "distúrbios de caráter", para com o tratamento das suas obrigações.
Assim, quando dividimos um F em 4 x 0,25F, podemos sofrer um retardo em um, em dois, digamos nos quatro títulos, mas como são de valores menores, a capacidade do sacado manifesta-se mais facilmente em resolver o débito, e quitará os valores, nem que seja parcialmente, lesando menos nosso fluxo de caixa, e mesmo numa futura cobrança, permitirá a distribuição das quitações em parcelas mais tratáveis, e colocáveis mesmo numa nova engenharia financeira de nosso devedor, talvez em piores condições, e esta erosão de seu caixa, poderá ser realizada mais paulatinamente.
Duas máximas:

Sacado absolutamente confiável não existe.

Crédito não relaciona-se com capacidade financeira e sim com caráter.

Expliquemos: Não existe sacado que não esteja sujeito à acidentes, até naturais. Não existe sacado que seja imune a desfalques. Não existe sacado, por maior que seja, que seja imune a um nível de incompetência perigoso em sua administração. Não existe sacado que não esteja sujeito à extinção de seu mercado, ou ajustes deste que a levem à uma marcha para a inoperacionalidade.

Mesmo o mais capacitado financeiramente sacado pode, por simples "ego patológico", direcionar-se ao "não pagar", por simples exercício de sua vontade distorcida. Vide bancos, que por mais capitalizados que já tenham sido, por administrações que nem temerárias foram, e sim, direcionadas ao simples crime, se tornaram massas falimentares nas piores condições. Por outro lado, mesmo o menor em capacidade devedor, pode, por ação de uma vontade pétrea, honrar até o último centavo um valor devido inclusive superior à suas a primeira análise capacidade.

Marginalidades

Aqui, trataremos de um termo didático meu, que embora não seja formal, ainda sim é relacionado indiretamente com o conceitos acadêmicos de custo e lucro marginal .
Toda atividade econômica necessita de uma marginalidade de lucro, de uma marginalidade de tempo e de uma marginalidade de caixa.
Uma marginalidade de lucro implica em que todo o lucro possível de ser obtido numa atividade deve ser buscado, seja por valor obtido pelo preço (enfrentando o mercado, que já o limita até moralmente) seja por custos (obtíveis como mais baixos). Sem este over de lucro, mais cedo ou mais tarde, a máxima que caixa é fato e lucro é teoria se manifestará. Na escala de país, vastas enchentes ocorrerão (quando até são, pequenas tragédias, comparadas a outras existentes, agradeçamos pela sorte de nosso país). Na escala de um estado, pontes cairão (e seu valor abala fluxos de caixa de uma unidade de nossa federação). Na escala de um município, mesmo chuvas podem levar ao caixa de um município colapsar. Na escala de um pequena empresa, mesmo um conjunto de lâmpadas fluorescendes quebrado por uma escada pode causar um abalo de caixa.
Como digo, na exata medida que segurança absoluta ou risco zero implicam em custos infinitos, custos não infinitos implicam sempre em riscos físicos, e estes, em riscos de fluxo de caixa.
Portanto, a formação permanente de reservas é necessária, seja na forma de uma reserva de liquidez (com nossas mais que atrativas taxas de juros, mais que viável), seja na forma de reservas relativamente imobilizadas (imóveis que sejam, ainda que não tanto viáveis financeiramente). Lembremos que todo ativo é vendável, o que se discute é preço.
Uma marginalidade de caixa é uma marginalidade diferente da marginalidade de lucro, a meu ver, facilmente explicada por um comparação simples. Tendo eu uma hipotética loja de miudezas, imponho lucrabilidade teórica sobre todas as minhas planilhas de custo de maneira que um ítem (bem representativo) que poderia ser vendido, equilibradamente, a R$ 4,50 , está sendo vendido à R$ 5,00 (inclusive, reduzindo meus custos com troco). Uma marginalidade de lucro está sendo buscada, permanentemente, em enfrentamento racional do mercado, sempre altamente competidor. Uma marginalidade de caixa não necessariamente está sendo gerada, pois vendas crescentes, por exemplo e hipoteticamente, podem não estar mantendo qualquer folga de caixa surgindo ao final de cada semana.

Mais descritivamente, uma marginalidade de caixa é, a cada semana, honradas todas as despesas, estarem restando, no nosso pueril caso, 300 reais de saldo de caixa. Este saldo, acumulado ao longo do tempo, constituirá reservas para imprevistos e ampliações volumosas (como um ativo de mais alto valor que o cobrível com um pequeno acúmulo ou folga no fluxo de caixa).

Um saldo crescente de caixa é representativo claro que está se gerando, pelo menos a princípio, lucro, ou, em palavras mais duras, não geração de caixa implica em não geração de lucro, porém o contrário não é verdadeiro, ainda mais em tempo mais extenso.

Uma marginalidade de tempo relaciona-se intimamente com as marginalidade anteriores, pois os sistemas (e toda atividade econômica é um sistema) comportam-se realmente (do real) e não idealmente (do modelo ideal). Assim, enchentes ocorrem, chuvas ocorrem, caminhões se acidentam e lâmpadas queimam retardando trocas de pneus em um armazém de uma transportadora, logo, por estes decrescentes fatores, os fretes não são perfeitos em sincronias, não existe logística não sujeita a riscos e um just in time perfeito. Percabamos que apenas me mantive na variável fretes.

Logo, temos de ter uma reserva de tempo, pois sendo variável denominadora, um retardo de 1 dia num mês gerará um prejuízo direcionado pelo denominador da fração sobre o faturamento mensal. Explico: um retardo de F/30 em valor, de um dia de um mês de 30 dias, será obviamente 0,0333...F, mas fará o faturamento nos 30 dias ser de 0,9666...F. Se não foi percebido ainda o problema, um retardo de 10 dias, numa empresa de contribuição necessária de 50% sobre custos geradores, causará a anulação da contribuição gerada, impedindo a empresa, a não ser com capitalização, de honrar pelo seu próprio fluxo de caixa os custos geradores e/ou a contribuição necessária (os custos acessórios). Capitaliza-se, suplementa-se um caixa, mas o tempo é ouro perdido na bolsa do ontem, pois o tempo é variável de fluxo fixo e consumo inexorável.

Assim, uma empresa, para poder gerar lucro, tem de possuir reservas de tempo, ou reservas de valor para poder cobrir deficits de tempo, ou retardos causadores de perdas.

Exemplo máximo: é notório caso de montadora de automóveis, estruturada sobre um rígido just in time, que ao ter um caminhão com peças acidentado, mandou recolher as peças e trazê-las de helicóptero até a unidade de produção, pois o custo deste frete absurdo (pelo menos num primeiro momento) era inferior à paralização.

Retornando ao grande mundo das iniciativas estatais, um estado que não honra suas marginalidade, não dispõe de capacidade alguma de investimento ou mesmo de formar reservas para inexoráveis acidentes, ou quando concentra fontes de receitas em poucos campos, arrisca-se a ter sua receita fortemente abalada. Nada difere nisso, do "armarinho" de linhas e botões de nossas esquinas.