sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

No futuro está (mais) a riqueza


Algumas observações e anotações a partir de diálogos sobre “destruição criativa”, ou melhor, “substituição destrutiva”.

“Destruição Criativa é uma teoria desenvolvida pelo economista austríaco Joseph Schumpeter para explicar as transformações que ocorrem no Capitalismo, que segundo ele jamais seria estático e está em constante evolução.” - www.infoescola.com - Nos nossos arquivos: Evellyn Caroline Santos Lima - Destruição criativa


1

Os países desenvolvidos, destacadamente os EUA, tem volume crescente de empresas dedicando-se à exploração espacial e serviços relacionados ao uso do espaço, como por exemplo, em comunicações.

Destaca-se a SpaceX, empresa coligada à revolucionária Tesla.

2


Surge sempre o raciocínio de alguns de que o dinheiro gasto em algo tenha o mesmo

destino, por exemplo, de uma mala de dinheiro a ser queimada na calçada.

Dinheiro circula, e agora, o "problema" de destinação passa à mão dos fornecedores e prestadores de serviço do projeto.

Mas este é um problema um tanto mais profundo do que seja economia.

Sociedades ricas podem se dar ao luxo de se preocuparem praticamente apenas com investimentos, pois seus problemas mais básicos, como moléstias e saneamento urbano, por exemplo, já foram há muito solucionados ou são forte e constantemente remediados.

3

Nos países menos desenvolvidos, como comentado por um amigo, quase não existe emprego de novas tecnologias para a execução de tarefas, e o que geralmente ocorre é algum infeliz tentando fazer uma atividade mais rapidamente que outro em troca de um diferencial de ganhos.

Existe inclusive a ironia: “Silver tape e uma marreta… Se precisa que se mova e não se move: Marreta! Se está se movendo e não deveria: Silver tape!

Nos anos 1980, um amigo, ex-mergulhador que prestou serviço para a Petrobras, afirmava em tom de forte crítica que três coisas eram permanentemente vistas nas plataformas da empresa: Silver tape, epóxi e arame.

4

South Korean research centre seeks place at the top

Institute for Basic Science aims to turn country from a follower to a global leader.

http://www.nature.com/news/south-korean-research-centre-seeks-place-at-the-top-1.10667 

(Centro de pesquisa sul-coreano busca lugar no topo - O Instituto de Ciências Básicas tem como objetivo transformar o país de seguidor em líder global.)

A Coreia do Sul já atingia em 2018 um PIB per capita de US$ 31.362 , quase 80% do PIB per capita do Japão, de US$ 39.289, saindo da miséria no pós-2a Guerra Mundial, passando pela catástrofe da Guerra da Coreia e tendo como chave o ensino.

O ensino / educação (há necessidade seguido de se fazer definições e diferenciação dos termos) leva ao desenvolvimento industrial, inclusive nas atividades extrativistas e agrárias, e depois á tecnologia, ainda que inicialmente por importação de capacidades, mas amparado então por massa de trabalhadores qualificados e técnicos dos mais variados tipos, e posteriormente, quase de maneira inexorável, ao desenvolvimento de tecnologia nacional, e essa, com o tempo, necessita da pesquisa básica.

Assim, não existe nação que ao enriquecer, não se volte também para a pesquisa básica, pois sabe que no longo prazo esta gerará riqueza.

5

Nasa lançará primeira sonda que atravessará atmosfera do Sol

A Solar Probe Plus voará diretamente para a coroa solar e tem por objetivo recolher dados de estudo sobre as características físicas da atmosfera da estrela

https://exame.com/ciencia/nasa-lancara-primeira-sonda-que-atravessara-atmosfera-do-sol/ 

O custo desta sonda é da escala de US$ 1,2 a 1,4 bilhões.

As NASA Eyes Common Upper Stage, Solar Probe Mission Building Its Own

https://spacenews.com/38159as-nasa-eyes-common-upper-stage-solar-probe-mission-building-its-own/

Tenho uma amiga economista que nas nossas conversas me mostra com caneta e guardanapo que estes gastos são hoje necessários às economias desenvolvidas.

Não é só porque eles já superaram os gastos triviais, como saúde, educação e segurança, mas exatamente para fazer a riqueza continuar circulando, e o efeito dominó do desenvolvimento científico e tecnológico. Simplesmente, elas não podem mais parar de gastar nisso.

6

Mesmo saltos tecnológicos correlatos com grandes deslocamentos de recursos econômicos, como a ocupação de Marte, projeto extremo para o momento da conquista espacial, tem suas características de uma necessidade das sociedades rica, e tem, no fundo, um misto de necessidade de sobrevivência da espécie humana, sua sustentabilidade e novos passos da escala econômica.

7

Até o mundo lúdico dos videogames – que já movimenta mais dinheiro que o cinema dos EUA – investe em ciência e tecnologia mais que a soma de todas as nações da América do Sul somadas.

Apenas a divisão de Física do MIT, tem orçamento maior que todas as universidades federais brasileiras somadas ao final dos anos 1980.

A Merck, a 3M e a DuPont, cada uma, tinha mais doutores em Química em seus quadros de funcionários que o Brasil também ao final dos anos 1980.

Apenas a divisão de químicos finos sob encomenda da Merck tem investimentos maiores que toda a química fina brasileira somada. 

O braço de investimento do Google em energias renováveis de biomassa investe mais que o Brasil inteiro.

Em 2009, investimos em torno de meia centena de milhões de dólares em pesquisas em etanol. Os EUA investiram 1,5 bilhões.

Recentemente, veio à tona, pela SciAm, que existem hoje 4 projetos de energia de fusão privados nos EUA em andamento.

Nesse quadro todo, sondas pousando em Titã, olhando Júpiter, torrando nas proximidades do Sol, indo até os mais distantes corpos do sistema solar, robôs e satélites permanentes em Marte e telescópios do tamanho de um ginásio de esportes são volumes relativamente pequenos de recursos.

Alguns analistas apontam que as maiores indústrias e empresas do mundo sequer estão abertas ainda. (Recentemente, a própria ascensão de Elon Musk, da Tesla na lista de pessoas mais ricas do mundo já é uma amostra disso.)

Não só já estamos num ponto sem retorno - como nação - para tirar esta diferença, como ela se ampliará, e muito, acreditem.

8

Os paradigmas de tecnologia estão se alterando, como a transmissão de mídia saindo da transmissão de rádio e TV para a internet e o streaming, assim como o conceito do que seja um veículo e suas fontes de energia, como mostra muito bem - já incluindo visualização do que seja uma indústria de última geração - um vídeo sobre a fabricação de baterias da Tesla:

Tesla mostra o curioso processo de fabricação de baterias

https://www.tecmundo.com.br/mobilidade-urbana-smart-cities/209607-tesla-mostra-curioso-processo-fabricacao-baterias-video.htm 

9

Tecnologia pode criar elite de super-humanos e massa de 'inúteis', diz autor de best-seller

http://www.bbc.com/portuguese/geral-39752430

Destruição criativa, substituição destrutiva...

Já há estimativas de que na Europa, em função da robotização, dentro dos próximos 5 a 10 anos, 5 milhões de trabalhadores percam suas funções.

Note-se que falei "funções", e não seus empregos.

Muitos trabalhos simplesmente deixarão de existir, e os adaptados (e ainda mais por serem "transformados") "herdarão a Terra", em mais uma das analogias darwinianas à nossa sociedade.

Simplesmente, não há escape.

Só lamento.


Leituras recomendadas

en.wikipedia.org - Creative destruction 

Tejvan Pettinger. Creative destruction - January 2018 - www.economicshelp.org

Nos nossos arquivos: Tejvan Pettinger - Creative destruction


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Percepções de um colapso de dívida - JAN/2021

 Primeiramente, três notícias fundamentais para o tema:


1


Ministério da Economia baixa para R$ 831,8 bi projeção de rombo nas contas do governo em 2020


Governo divulgou nesta terça-feira novo balanço sobre os gastos para combater a pandemia de Covid-19 e os efeitos na economia. Em novembro, a estimativa para o déficit nas contas do governo foi de R$ 844 bilhões.


Alexandro Martello, G1 — 22/12/2020 


https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/12/22/ministerio-da-economia-baixa-para-r-8318-bi-projecao-de-rombo-nas-contas-do-governo-em-2020.ghtml


2


Endividamento do governo para financiar déficit cresce 3,22% em novembro e alcança R$ 4,7 tri


Informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional. No mês passado, país emitiu R$ 158,8 bilhões em papéis, volume alto para padrões históricos.


Alexandro Martello, G1 — 23/12/2020


https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/12/23/divida-publica-sobe-322percent-em-novembro-e-alcanca-r-478-trilhoes.ghtml 


Destaquemos:

“O governo espera crescimento da dívida pública neste ano. No começo de 2020, a programação do Tesouro Nacional indicava que a dívida poderia chegar a R$ 4,75 trilhões até dezembro.


O valor foi revisado em agosto, e o teto previsto da dívida subiu para R$ 4,9 trilhões. A explicação é que o “impacto da pandemia (COVID-19) ampliou significativamente os gastos públicos, aumentando a necessidade de financiamento do governo”.”


3


Dívida pública que vence em 2021 já chega a R$ 1,31 tri


ESTADÃO CONTEÚDO - Idiana Tomazelli - 01/2021


https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/01/divida-publica-que-vence-em-2021-ja-chega-a-r-131-tri-ckjeh0n9l000h01ii79ncyhiv.html 



Somemos um detalhe constante noutra notícia:

Governo reduz projeção da dívida pública para 91% do PIB em 2020


O governo reduziu a previsão de dívida pública 


https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/governo-reduz-projecao-da-divida-publica-para-91-do-pib-em-2020.shtml 


Dado fundamental: Temos que o PIB do Brasil encontra-se pelos R$ 7,4 trilhões (2019).


https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php 



Nossas observações


O déficit federal já ronda os 11,4% do PIB. Mais uma vez, o crescimento da dívida mantém-se acima do crescimento da economia (o que se agrava, obviamente, com um PIB recessivo), o que mais cedo ou mais tarde implicará em insustentabilidade da dívida, um dos muitos “efeito tesoura” e “espirais destrutivas” que estudo, especialmente, na escala micro. [Nota 1] Mudar o número de zeros aqui em coisa alguma altera o problema.


Seguidamente, quanto ao volume de dívida sobre o PIB, ouço a comparação com dívidas de países desenvolvidos / industrializados, como destacadamente o Japão (já pela faixa dos 223% do PIB). [Nota 2]


https://www.ceicdata.com/pt/indicator/japan/government-debt--of-nominal-gdp 


Repitamos, como sempre: Jamais podemos comparar a dívida do Japão com a da “Banânia”.


Alguns dos motivos:


O perfil de pagamento dela no tempo é longuíssimo.


Eles estão há anos no que se chama em Macroeconomia "armadilha de liquidez". Mesmo com juros baixos, a sua previdente população continua poupando.


Esta poupança enorme se expressa exatamente nas titularidades do estado.[Nota 3]


Nosso caso é mais "colocar ponta na ponta" (velha frase que uso no ramo), tanto que sequer atingimos equilíbrio operacional.


Eles tem muito cuidado com isso, ao ponto de no fundo estarem em equilíbrio financeiro.


Nem falemos da questão do PIB per capita. Na verdade, o peso dessa dívida no tempo, mesmo se exigisse da população, seria relativamente pequeno (analogia da pressão fiscal de Frank).


Mapas comparativos podem mostrar os pesos proporcionais das dívidas: Nota 4


https://exame.com/economia/mapa-coloca-os-paises-com-o-tamanho-de-suas-dividas/




Notas


1. Aqui, “efeito tesoura” é praticamente um expressão minha, um jargão, para lembrar o cruzamento de duas curvas, uma curva da geração de caixa e lucro com uma curva de carga de dívida e acréscimo de juros e serviços, e não o verdadeiramente chamado efeito tesoura:

“Conforme visto anteriormente, o Saldo de Tesouraria (T) tem seu comportamento definido pelo resultado do confronto entre as fontes de longo prazo disponíveis do Capital de Giro (CDG) e a necessidade operacional de recursos da Necessidade de Capital de Giro (NCG).


O Efeito tesoura acontece quando a empresa não consegue aumentar o CDG no mesmo ritmo de aumento da NCG.”


https://www.modelo-fleuriet.com/conceitos-avancado/o-efeito-tesoura/


Nos nossos arquivos: Modelo Fleuriet - O Efeito Tesoura


Ou, noutras palavras:

“Pode-se dizer que efeito tesoura é quando o saldo tesouraria fica negativo, formando assim um gráfico onde as curvas do CDGP (Capital de Giro Próprio) e NLCDG (Necessidade Líquida de Capital de Giro) se cruzam.”


https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_tesoura 


Para um primeiro ponto de minhas leituras sobre “espirais destrutivas”:


“Espiral da morte” em custos - https://sites.google.com/site/scientiaestpotentiaplus/-espiral-da-morte-em-custos 


2.Algumas notícias mais antigas para reforçar esse ponto:


2017


Em 2017, PIB cresce 1,3% e chega a R$ 6,583 trilhões


https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/25921-em-2017-pib-cresce-1-3-e-chega-a-r-6-583-trilhoes#:~:text=Em%202017%2C%20o%20Produto%20Interno,R%24%2031%20833%2C50


Dívida pública sobe 14,3% em 2017, para R$ 3,55 trilhões, e bate recorde


Segundo o Tesouro Nacional, dos R$ 447,15 bilhões de aumento da dívida, R$ 328,14 bilhões se referem a despesas com pagamento de juros.


https://g1.globo.com/economia/noticia/divida-publica-sobe-143-em-2017-para-r-355-trilhoes-e-bate-recorde.ghtml 


2018


Em 2018, PIB cresce 1,8% e chega a R$ 7,0 trilhões


https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/29375-em-2018-pib-cresce-1-8-e-chega-a-r-7-0-trilhoes#:~:text=O%20Produto%20Interno%20Bruto%20(PIB,8%25%20em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20a%202017. 


Dívida pública pode ficar próxima de R$ 4 trilhões em 2018, diz Tesouro


Previsão foi divulgada nesta quinta (25) pela Secretaria do Tesouro Nacional. Em 2017, a dívida pública atingiu recorde de R$ 3,55 trilhões, alta de 14,3%.


https://g1.globo.com/economia/noticia/divida-publica-pode-subir-mais-de-r-400-bilhoes-em-2018-para-quase-r-4-trilhoes.ghtml 


3.Recomendo, nesse campo, a leitura de literatura em Macroeconomia, e sugiro DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley; STARTZ, Richard. Macroeconomia. 10a edição São Paulo: McGraw-hill, 2009.



https://www.suno.com.br/artigos/armadilha-de-liquidez/ 


https://pt.wikipedia.org/wiki/Armadilha_de_liquidez 


Obs.: Para variar, o artigo em inglês é esmagadoramente mais completo e detalhado.


4.Nesse artigo, é conveniente observar uma tabela com a distribuição de um endividamento geral no Japão, que pode servir de base para o imenso problema da China, ou mesmo o nosso.


Composição da dívida

Em relação ao PIB

Governo

234%

Empresas

101%

Famílias

65%




Extras

Uma passagem de “Fundação“, de Isaac Asimov:


“- Atua o senhor como agente de outrem?
- Não me encontro a soldo de qualquer homem ou potência, senhor advogado.
- Age então desinteressadamente? Serve à Ciência?
- Exato.
- Vejamos então: pode o futuro ser alterado, Dr. Seldon?
- A resposta é óbvia. Este Tribunal pode ir pelos ares dentro das próximas horas ou pode não ir. Se o fosse o futuro seria alterado, por pouco, mas sem dúvida alterado.
- O senhor esgrime com palavras. Pode a história da raça humana ser alterada em sua totalidade?
- Sim.

 - Facilmente?

 - Não. Com muitas dificuldades.
- Porquê?
- A trajetória de um planeta contém uma inércia enorme. Para ser alterada deve deparar-se com algo com uma inércia proporcional. Deve haver o mesmo número de pessoas, ou se o número for menor, dar-lhe um longo prazo para a alteração. Compreende? “

Os mais altos iniciados entenderão a metáfora para a situação brasileira.


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Lei de Walras

 "A lei de Walras é uma teoria econômica segundo a qual a existência de excesso de oferta em um mercado deve ser igualada pelo excesso de demanda em outro mercado para que ele se equilibre. A lei de Walras afirma que um mercado examinado deve estar em equilíbrio se todos os outros mercados estiverem em equilíbrio."


www.bussoladoinvestidor.com.br  


No popular:


Sabe aquele balaio de produtos Shing Ling que se despeja por aí?


É bom o mundo começar a se coçar para que se mantenha a massa de consumidores capazes de adquirí-los. 



A trivial: en.m.wikipedia.org - Walras's law  


A lei de Walras é um princípio da teoria do equilíbrio geral que afirma que as restrições orçamentárias implicam que os valores do excesso de demanda (ou, inversamente, do excesso de oferta do mercado) devem somar zero, independentemente de os preços serem preços de equilíbrio geral. Isso é:



onde pj é o preço do bem j e {\ displaystyle Dj e Sj são a demanda e o fornecimento respectivamente do bem j.


A lei de Walras leva o nome do economista Léon Walras [1] da Universidade de Lausanne, que formulou o conceito em seu Elements of Pure Economics de 1874. [2]  Embora o conceito tenha sido expresso anteriormente, mas de uma forma matematicamente menos rigorosa, por John Stuart Mill em seus Essays on Some Unsettled Questions of Political Economy (1844), [3]  Walras observou a proposição matematicamente equivalente que, ao considerar qualquer mercado específico, se todos os outros os mercados em uma economia estão em equilíbrio, então esse mercado específico também deve estar em equilíbrio. O termo "lei de Walras" foi cunhado por Oskar Lange [4] para distingui-lo da lei de Say. Alguns teóricos econômicos [5] também usam o termo para se referir à proposição mais fraca de que o valor total das demandas excedentes não pode exceder o valor total dos suprimentos excedentes.


Referências

 

1.Barron, John M.; Ewing, Bradley T.; Lynch, Gerald J. (2006), Understanding macroeconomic theory, Taylor & Francis, p. 1, ISBN 978-0-415-70195-2

2."Walras' Law". Investopedia. Retrieved March 17, 2015.

3.Ariyasajjakorn, Danupon (2007), Trade, foreign direct investment, technological change, and structural change in labor usage, ProQuest, p. 55, ISBN 978-0-549-30654-2

4.Lange, O. 1942. Say's law: A restatement and criticism. In Lange, O., F. McIntyre, and T. O. Yntema, eds., Studies in Mathematical Economics and Econometrics, in Memory of Henry Schultz, pages 49–68. University of Chicago Press, Chicago.

5.Florenzano, M. 1987. On an extension of the Gale–Nikaido–Debreu lemma. Economics Letters 25(1):51–53.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

A persistência da pobreza (e ainda alguns tropeços)


Recentemente, leu-se notícias sobre estatísticas de aumento da pobreza no Brasil. Notícias sobre o tema são recorrentes, e qualquer revisão rapidamente localiza um passado destas tristes notas.
Mas no concentremos aqui num ponto, que tem exata relação com o colapso (e este é o termo) que enfrentamos desde 2014, com crescimento do PIB de 0,5% em relação a 2013, (para/contra um crescimento da população de aproximadamente 0,7 a 0,8%) e um déficit público inédito da escala de dezenas de bilhões de reais, atingindo, pois, fração que se aproximava de 1% do PIB, e posteriormente, piorando, apesar de nossa brutal carga tributária.

Uma nota rápida: na verdade, pela evolução da dívida pública, nossa situação de contas públicas nunca ficou realmente “boa”.




A pressão do crédito, pela e-nésima vez

Apontei - na verdade, humildemente, demonstrei - no meu artigo mais formal sobre "pressões" econômicas que nossa “pressão” causada pelo crédito atingia valores intoleráveis para nossa população, e como erro grave de análise, desconsiderei os juros em sua intensidade, valor, que obviamente, por exemplo, são mais altos que os juros de Espanha (menos de 0,8% no período 2014-2018) e Grã-Bretanha (mesmo teto de 0,8%, com valores mais baixos no passado do mesmo período de 2014-2018), com nossos esmagadores valores (de média no mesmo período de uns 10%, piso acima de 6% e teto pelos estratosféricos 14%), e concordo e aceito, juros nominais, mas...

Aqui teríamos de incluir uma inflação para o período 2003-2014 que nunca esteve abaixo de 3% ao ano (o grande período de expansão brutal do crédito - como chamo, o “período Mantega”, “aquele para quem papel paga tudo”). Estes valores nos levam a uma taxa de juros reais, grosseiramente calculando, de uns 3%, o que é uma taxa piso para os juros bastante alta, com o alerta geral (perdão pela ironia infame) de que ninguém no país, com raríssimas e meio anômalas exceções, toma juros a esta taxa anual, basta ver qualquer financiamento mesmo do BNDES, imaginemos o consumidor final em qualquer carnê de lojas de departamento, mas forcemos o argumento.

Essa desproporção necessitaria um fator de correção ao meu análogo de Frank para a pressão do crédito, mas confesso, tal índice ainda não cheguei numa confiança em seu desenvolvimento, então, por hora, fiquemos com um piso de juros reais de 3% dividido por uns caridosos 1% dos demais países, o que dá um multiplicador grosseiro mas ilustrativo para a pressão que o tomador de crédito brasileiro sofre de umas três vezes, desconsiderando aspectos do saldo de pobreza que resta para os demais ítens de consumo (em suma, aquilo que os análogos de pressão fiscal de Frank sempre mostram).

Observe-se que restar ao canadense, por exemplo, metade de sua renda bruta após os tributos corresponde a receber como resposta muito mais do estado do que o que resta ao pobre brasileiro após os seus tributos - o permanente problema do nosso triste retorno dos tributos - mas sabemos que isso sempre foi, na cabeça de nossos governantes, um mero detalhe.


O colapso previsto e inexorável

Lembremos inicialmente que como qualquer consultor em finanças pessoais sempre alerta, os juros são um péssimo gasto. Os juros pagos numa fatura parcelada de cartão de crédito não viram um belo carro, uma bela camisa, sequer um supérfluo perfume ou uma divertida bebida alcoólica para relaxar no final de semana. É um dinheiro para o consumidor, sejamos bem claros, perdido, apenas debitado, e só entra como troca pelo tempo que ele comprou na antecipação da aquisição de um bem ou serviço ou prorrogando um volume maior de mais pagamentos a serem feitos.

O que o período Mantega fez, com expansão de crédito, foi propiciar o consumo dos bens e serviços antecipados a uma mais prudente poupança para o consumidor, destaque-se de mais baixa renda, pior ainda se em algo sem a menor recuperabilidade como turismo, que após consumido não pode ser revendido - não existe o “serviço usado”, não existe o “corte de cabelo “semi-novo”" - e em anomalias como favelado comprando tablet, exemplo mais gritante, que pode ter fomentado a produção industrial (até na China, triste fato para nós, felicidade para eles) durante algum tempo, mas adiante, pela carga de juros acrescentada às costas da população, não tardaria por reduzir seu consumo, ou para compensar um certo volume de inadimplência, e ele e é foi alto, ainda mais carga de juros, acelerando o colapso do ilusório círculo vicioso travestido de virtuoso.

Não havia possibilidade de outro destino, desde o começo.

A pergunta que fica no ar é: Tentarão de novo esta tolice?

(Um título para um já profetizado futuro artigo: “A eterna insistência no vôo de galinhas”)


Mais bocas a mesa, uma anotação rápida

Uma preocupação permanente que os dirigentes brasileiros tem de ter é propiciar (ou, sejamos diretos, ao menos não impedir) um crescimento econômico acima do crescimento vegetativo da população, pois enquanto tivermos, desesperadamente, um crescimento do número de bocas a alimentar acima do crescimento da geração de riqueza da nação, não estaremos produzindo uma população mais rica (e aqui a distribuição pouco interessa como solução, mas inclusive agrava a situação, como vimos, historicamente por inflação, recentemente por juros).

Estaremos, como digo em consultorias de empresas que passaram por forte alavancagem provocando com que a carga de juros sofridos ultrapassem a capacidade de produzir lucro, o efeito tesoura, não crescendo como pinheiro, firme e para o alto, mas crescendo como “rabo de cavalo, que até pode ser bonito, mas ruma ao chão e não situa-se em local muito agradável”.


Uma rápida revisão, retrocedendo ano a ano.

2018

Em 1 ano, aumenta em quase 2 milhões número de brasileiros em situação de pobreza, diz IBGE

Número passou de 52,8 milhões em 2016 para 54,8 milhões em 2017, um crescimento de quase 4%. Já pobreza extrema aumentou 13%, passando a atingir 15,3 milhões.

Daniel Silveira, — 05/12/2018 - g1.globo.com

2017

Entrevista: Brasil pode voltar ao mapa da fome da ONU, diz economista do Ibase - 22/10/2017 - epocanegocios.globo.com

Alta do desemprego, o avanço da pobreza, o corte de beneficiários do Bolsa Família e o congelamento de gastos públicos contribuem para aumento da fome no país

2016

Depois de 13 anos de PT, Brasil tem 73 milhões de pobres (36% da população) -- CLÓVIS ROSSI, na FOLHA - 22/05/2016 - www.noticiasagricolas.com.br

“Depois de pouco mais de 13 anos de governo do PT, o partido que sempre se considerou o paladino dos pobres, o Brasil conta com 73.327.179 pessoas pobres -o que dá cerca de 36% de sua população total.

Não sou eu quem o diz, mas o sítio oficial do Ministério de Desenvolvimento Social de Dilma Rousseff, ao informar sobre o Cadastro Único para Programas Sociais, que "reúne informações socioeconômicas das famílias brasileiras de baixa renda -aquelas com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa".

Famílias de baixa renda é um piedoso eufemismo para pobres ou, até, para miseráveis, conforme se pode ver quando se separam os cadastrados por faixa de rendimento: de R$ 0 até R$ 77 -38.919.660 pessoas;
de R$ 77,01 até R$ 154 -14.852.534; de R$ 154,01 até meio salário mínimo -19.554.985.

O total é um estoque infernal de miséria e pobreza. Pode até haver mais, porque o cadastro inclui 7,8 milhões de pessoas que ganham mais que meio salário mínimo. Mas não especifica quanto mais.

O estoque existente em janeiro de 2015, a data mencionada no sítio do ministério, torna suspeita a propaganda petista segundo a qual 45 milhões de pessoas deixaram a pobreza nos anos Lula/Dilma.”


Referências


PIB cresce 0,5% em 2014 chega a R$ 5,8 trilhões - 17/11/2016 - agenciadenoticias.ibge.gov.br

“O PIB chegou a R$ 5,779 trilhões em 2014 e o seu crescimento em relação a 2013 foi revisado de 0,1% para 0,5%. O PIB per capita (R$ 28.498) teve queda de 0,4% em relação a 2013. Foi a terceira queda nesse indicador desde o ano 2000, sendo que os recuos mais recentes ocorreram em 2003 (-0,2%) e 2009 (-1,2%).”

População do Brasil chega a 207,7 milhões de pessoas em 2017, segundo o IBGE - 30/08/2017 - ultimosegundo.ig.com.br

“Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta quarta-feira (30) indica que o Brasil tem 207,7 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento populacional de 0,77% entre 2016 e 2017. Apesar de haver uma elevação na população, houve desaceleração em relação ao ano anterior. Na comparação de 2016 com 2015, a taxa de crescimento populacional foi de 0.8%.”

Efeito tesoura: o que é e quais são suas causas - 07 de abril de 2016 - www.asaas.com

“O que é o efeito tesoura?

O conceito, desenvolvido pelo francês Fleuriet na década de 70, baseia-se no fato de uma empresa precisar de capital de giro cada vez maior e dispor de um saldo em tesouraria cada vez menor, negativo. O nome efeito tesoura vem da forma como as linhas do gráfico dessa relação ficam dispostas: como uma tesoura aberta.”

Contas do setor público têm primeiro déficit da história em 2014 - Alexandro Martello - 30/01/2015 - g1.globo.com

No ano passado, foi registrado déficit primário de R$ 32,53 bilhões, diz BC.
Após pagar juro, resultado é um dos piores do mundo e dívida pública sobe.

Pressões econômicas - Scientia

Uma rápida análise das proporções entre carga tributária e renda, expressa pelo PIB per capita, e por similaridade, a proporção entre volume de crédito e renda.

“Percebe-se que nos países apresentados, já ocupávamos a segunda posição em 2008, e em 2012, passamos à primeira posição, sendo que todos os países aí mostrados tem um PIB per capita pelo menos mais de 3 vezes o nosso. O problema é de tal monta que novamente repetimos que imprecisões, fontes desatualizadas e flutuações oriundas de erros até significativos não alteram a análise.”

Espanha - Taxa De Juro - pt.tradingeconomics.com

Reino Unido - Taxa De Juro - pt.tradingeconomics.com  

Entenda as metas de inflação e seu papel na economia - 09/01/2015 - g1.globo.com  



Renúncia Tributária – Juros Excessivos – Déficit Nominal – Ajuste Fiscal – Depressão – Déficit Primário - Fernando Nogueira da Costa in Conjuntura Econômica  23/02/2016 - fernandonogueiracosta.wordpress.com


Leituras recomendadas

Uma recomendação de leitura rápida e didática, ainda que, ao meu ver, com os vícios de esquecer que o problema não é apenas distribuição da riqueza bruta, uma não muito eficiente apenas redução da desigualdade, mas brutal (repetição necessária) geração de riqueza per capita, o velho e distorcido “fazer o bolo crescer antes de dividí-lo”.

Mas neste texto, aponta-se um tema permanente de meus estudos: somos uma sociedade extremamente improdutiva para os parâmetros atuais do “turbo-capitalismo”, e sofreremos gravemente adiante com as ondas de choque na nova revolução industrial, onde pouco importará baixo custo da mão-de-obra, e o clássico problema de Adam Smith (da permanente oferta da mão-de-obra) enfrentará fortes mudanças de paradigmas.

Felippe Hermes - Afinal, por que é que o Brasil nunca deixa de ser pobre? - super.abril.com.br
Spoiler: porque o único caminho para enriquecer é diluir a concentração de poder político-econômico. E o que fazemos é justamente o contrário