sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A analogia do ‘headspace’ em custos - I


No engarrafamento de líquidos, mesmo gases liquefeitos, chama-se
headspace o espaço deixado entre a superfície do líquido e o limite da tampa, ou, noutras palavras, é um volume destinado na embalagem não ao líquido, e sim a gases ou vapores, como ar em casos triviais e gases específicos, como o dióxido de carbono. Muitas vezes, serve para absorver variações de pressão no conteúdo do vasilhame e atribuir certas caracteristicas pretendidas, como determinada gaseificação. É uma variável importante na indústria de reagentes químicos, conservas, bebidas gaseificadas e cervejas.[1]




Consideremos para nossa analogia um frasco de reagentes analíticos, comumente de volume de 1050 ml, que por comportar 1 litro, quando preenchido idealmente, tem um headspace de 50 ml.

Se colocarmos nele 250 ml de mercúrio (que é um pesado metal líquido) teremos um espaço ainda restante de 750 ml mais o
headspace “natural” do frasco de 50 ml. Para nossa analogia, consideraremos que o headspace para este caso de 250 ml de mercúrio é de 800 ml, a soma dos dois valores de volume ainda preenchível.

Consideremos que sobre o mercúrio, vertamos, mais 250 ml de um solvente clorado, que é um líquido menos denso que o mercúrio (densidade de 13), e portanto, sendo imiscível com aquele, formará outra camada. Agora temos um
headspace para este par de líquidos de 550 ml. Se sobre o solvente clorado (densidade de, p.ex., 1,4) colocarmos 250 ml de água, teremos 300ml, e se sobre a água, 250 ml óleo vegetal (densidade 0,8), teremos um headspace de 50 ml, o headspace “final”. A imagem abaixo ilustra bem, espero, nossa analogia.







Um exemplo que poderia ser usado para visualizar-se mais camadas seria os chamados drinks “arco-íris” (rainbow drinks), mas as quatro camadas acima já nos bastam.




Consideremos um primeiro caso para explicar a utilidade desta analogia em custos, especificamente, o ramo da construção civil, na construção de edificações.

Digamos que o mercúrio representa o preço do terreno (consideremos, claro, que a edificação para ser construída necessitará de um terreno). Digamos que este terreno custe R$ 250 mil (para similaridade com nossos valores em ml).

Agora, para um valor limite (o que o mercado determina) de R$ 1,05 milhão, esta edificação só pode contar com mais R$ 850 mil de custos, nossa analogia de
headspace, aqui incluindo-se o lucro pretendido como um custo, questão que sempre considero saudável de ser admitida como um passo inicial da formação de preços.
Preço é o conjunto de custos com os quais vai se enfrentar o mercado.

Agora consideremos que o solvente clorado são os materiais (aqui, não fazendo-se qualquer distinção de que sejam estruturas ou material do acabamento final).

Digamos que eles também somem R$ 250 mil. Novamente, pela analogia, só nos resta em relação a estes dois custos R$ 550 mil.

Consideremos que a água representa a mão-de-obra, desde o mais preparado engenheiro e o mais talentoso arquiteto até o trabalhador braçal menos qualificado envolvido com a obra. Consideremos novamente que este conjunto de custos represente R$ 250 mil. Novamente por similaridade ainda nos resta um
headspace de R$ 300 mil.

Por fim, o óleo representaria a carga tributária, ou usemos a expressão “despesas governamentais”, para incluir taxas de processos de aprovação, até os encargos trabalhistas da empresa e os impostos propriamente ditos, que novamente vamos considerar, para a simplicidade dos cálculos, R$ 250 mil.

Agora temos o que restou, que é um saldo hipotético entre o que pode-se pedir como receita ao mercado e os gastos que temos, R$ 50 mil, e este valor, por acréscimos de alguma das camadas / custos abaixo só poderá ser reduzido, e para se ampliado ter-se-á de comprimir / reduzir algum dos custos naquelas rúbricas colocados.

Observemos que embora os líquidos não permitam pela densidade e ação da gravidade uma mudança de sua posição vertical, os custos permitem, e pode-se iniciar a avaliação de qualquer custo escolhido, e continuar com a combinação que desejar-se.

Em custos, nesta abordagem o
headspace significa “ainda quanto temos para trabalhar antes de estourar o preço?”. (Leia-se também: “antes de não ter lucro algum e até termos prejuízos.)

Portanto a analogia se torna útil na avaliação de um negócio qualquer.

Tomemos novamente o caso da construção civil, e consideremos novamente um preço limite de R$ 1,05 milhão.

Se pela experiência temos que não podemos reduzir o custo de materiais para aquele parâmetro de qualidade, assim como a mão-de-obra e o estado em todos os seus níveis pode não ser muito simpático a ter suas receitas reduzidas, e temos um caso de terreno de R$ 310 mil, percebemos claramente que ele ultrapassa, após a determinação do
headspace da conjunto materiais - mão-de-obra - impostos (R$ 750 mil), o valor deste, e o preço final ou ficaria inviável de ser realizado ou gerador ao menos de uma certa dívida com alguma rúbrica, depois de passar-se, claramente, pelo caso de ter-se de debitar o caixa da empresa ou produzir este por uma liquidação de ativos para cobrir a diferença surgida.

Não tem-se escape a não ser o não fazer ou o arcar com o custo de enfrentar-se um
headspace que mostra-se impossível de não ser ultrapassado em sua capacidade de absorção dos custos.

Coloquemos outro exemplo para ilustrar bem uma aplicação de avaliação de viabilidade.

Consideremos que a uma empresa de comércio de materiais de construção seja oferecida a madeira cedrinho a um valor de R$ 100 o metro cúbico.

A empresa, sabendo que consegue colocar no mercado, contra a pressão da concorrência, a madeira com algum fracionamento a R$ 200, percebe que possui um
headspace entre o custo (um “preço de entrada”) e seu preço à vista de R$ 100 (financiamento ao cliente e os juros correspondentes também fazem parte de headspace, assim como juros a pagar para financiar-se qualquer entrada de valor).




Sabe também que seu custo distribuído do estabelecimento (custeio, partilha, etc) sobre o produto, a mão-de-obra envolvida diretamente e até a depreciação do equipamento de corte e processamento (como plaina), chega aos R$ 80 a serem adicionados ao custo de R$ 100, gerando um headspace de R$ 20. Considerando que tributos, comissões, etc, já foram todos custeados, a compra pode ser feita literalmente - agora - na expressão “de olhos fechados”.

Agora, digamos que o preço oferecido da madeira no fornecedor seja R$ 120,01. Ou haja uma alteração nas variáveis adicionais que formam o preço do estabelecimento, como uma exigência de determinada parcela para uma serra nova (o conceito de
overhead, a sobrecarga, aqui, é sempre útil e mais produtivo que o conceito de custos fixos mais tradicional), que totalizem R$ 110,01, mesmo com oferta do fornecedor para em caso de uma compra de 20 metros cúbicos, o preço cair para R$ 90.

Desconsideremos se há mercado para um determinado volume que propicie descontos, a questão é aqui outra.

Evidentemente o
headspace anulou-se. Portanto, o negócio tornou-se no mínimo temerário, pois toda a operação que não possui um headspace suficiente em algum ponto do custeio torna-se arriscada em gerar lucro, ou mesmo em gerar caixa.

Por este raciocínio e por estes simples exemplos chegamos a:
Para cada conjunto de custos, o headspace indica os graus de liberdade, a folga, as margens de manobra ainda restantes em relação aos custos já disponíveis ou já irreversíveis, os limites máximos e as metas de custos ainda por manter-se e buscar-se, e por fim, o lucro pretendido ou possível, e desde a etapa de avaliação da viabilidade do negócio, seu mais profundo perfil de variáveis.


Referências

1. How much headspace should I leave when I bottle my beer? - www.picobrewery.com

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Copa do mundo



Republicarei aqui o texto que me foi requisitado inicialmente para o blog da revista Veja e que para minha surpresa foi publicado na versão "em papel" da revista.

Em breve, pretendo fazer uma crítica ao que esqueci neste texto, no que fui lembrado pelas massas nas ruas em junho deste ano, e devidas ampliações.




noticias.terra.com.br


Louros foram buscar nossos líderes, trazendo os maiores eventos esportivos para nossas cidades, em especial, e o mais cedo possível, o do esporte nacional. Claro que junto a tal odisseia, prometeram à população e às entidades o mais dourado dos planos A: os magníficos estádios, avenidas, metrôs, aeroportos, parques, ajardinamentos, urbanização. Enfim, o que todo país rico, já pretendendo (e até afirmando) potência mundial, tem a mostrar ao mundo como natural que seus cidadãos tenham para a vida diária, nos anos que não tem eventos mundiais para seu lazer.

Evidentemente, como apenas deseja-se os louros, e esquece-se do quão árdua é a administração de tais projetos, a medida que o tempo tem avançado, marchamos em direção em direção a um plano B (e poderíamos dizer C): os magníficos estádios tornaram-se enormes canteiros de obras atrasadas de tensos prazos destinados a serem inexoravelmente elefantes brancos inúteis ou cartórios de clubes privilegiados; as avenidas apenas receberão arremedos; os metrôs quanto muito serão mais ônibus e seus corredores, apenas estreitando avenidas que não foram alargadas; os aeroportos receberão "puxados" que nem atenderão as necessidades de crescimento de nosso diário tráfego aéreo. Nossos parques continuarão as mesmas sujas áreas pobremente cuidadas de sempre, etc.

Acredito que os ajardinamentos serão feitos, e durarão o mesmo de sempre: o espaço de tempo entre prefeitos os usarem como caminhos cobertos de flores pelas "petaleiras públicas", anunciando seus triunfos, e o de serem deixados ao vandalismo natural de nossa população sem grandes cuidados com seu canteiros

A urbanização será a mesma que temos há séculos, de cidades caóticas na qual turistas de planejadas cidades levarão duas horas para ir dos hotéis em que se hospedaram até os suburbanos estádios, no pior dos trânsitos, se conseguirem ao sair pela porta dos hotéis, e dobrando uma ou duas esquinas, não se perder em nossas teias de ruas sem orientação alguma.

No final, ficaremos após a festa com o costumeiro, ao qual estamos há muito acostumados: Um mico bem distribuído pelo país e um superfaturamento colossal bem concentrado entre poucos.

24/05/2012


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ganhos e perdas, e certa marcha



Lendo muitos comentários em fóruns do mercado de ações, tenho percebido um estranho comportamento que é ligado a uma questão em matemática simples que é seguidamente mal entendida, para não dizer a causa de uma completa confusão e origem de muitos erros em negócios e até na condução de importantes operações.





A coisa que tratarei nasce de achar-se que ao acrescentar-se 10% a um valor inicial, e depois tirar 10% deste valor resultante, obtem-se o valor inicial.

Pasmem aqueles mais familiarizados com números, pois a coisa é essa mesmo e produz enorme quantidade do que chamo de “babadas”.

As pessoas seguidamente não apercebem-se que acrescentar 10% é correspondente a multiplicar-se por um índice igual a 1,1 , da mesma maneira que descontar-se 10% é igual a multiplicar-se por um índice igual a 0,9.

O que não se apercebem realmente é que um índice de 1,1 tem como valor inverso um índice de 0,9090..., que poderia ser aplicado como divisor, enquanto um índice de 0,9 tem como inverso um índice, digamos agora divisor, igual a  1,111..., ou, em outras palavras, não são um o inverso do outro.

Assim, pelo mesmo motivo que uma perda num valor de ações de 50% (índice 0,5) num período não é reposta por uma valorização de 50% (índice 1,5) e sim por uma valorização de 100% (índice 2, inverso de 0,5), um conjunto de ciclos de valorizações-desvalorizações de mesmo valor em % sempre tenderá a um valor decrescente do valor resultante, não interessando o índice ser igual em cada ciclo.

Para um valor pequeno como 1%, podemos dizer que tirar 1% e depois acrescentar 1% (multiplicar por 1,01 e depois multiplicar por 0,99) resultará num índice de multiplicação de 0,9999, ou seja, descontar 0,01%. Similarmente, para 10% teremos 0,99 (1,1 multiplicado por 0,9), e assim por diante.
Considerando vi o valor inicial, vf o valor final, j este índice colocamos de valorização-desvalorização, podemos considerar o número n de ciclos como sendo dado por




Para Latex: v_i*(j^n)=v_f \therefore ln[v_i*(j^n)]=ln v_f\therefore ln v_i+ln j^n=lnv_f



Para Latex: ln j^n=lnv_f-ln v_i\therefore n.ln j=lnv_f-ln v_i\therefore n=\frac{lnv_f-ln v_i}{ln j}

Em planilha: docs.google.com

De onde temos que para 10% teremos a transformação, digamos, de uma ação cotada numa determinada data a 100 passando a valer 0,01 em pouco mais de 916 ciclos, ou, em dias alternados, em pouco mais de 1832 dias de operações desta maneira alternadas na bolsa.

Se acham que tal é falta de perceber-se uma coisa óbvia, percebam que sempre existem aqueles que acham que tudo está salvo numa ação que perdeu 5% num dia, mas recuperou 5% no outro dia, e pior ainda, os que não percebem que pelo mesmo motivo, quando uma operação, digamos comercial, tem uma margem “aparentemente líquida” de 10%, ao receber prejuízos por inadimplência de 10% no outro dia, vai durar sem passar por graves apuros pouco antes de 7 anos, como acabamos de calcular.

Como sempre, recomendamos:

Inoperacionalidade e Colapsos de caixa - Uma série de observações sobre processos que levam empresas à falência -
Inoperacionalidade e colapsos de caixa - sites.google.com


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Quebrar, atolar, falir






"Nenhuma empresa é grande demais para não quebrar. O que existe são governos que impedem a quebra. Cadê meu café?!" - Pregações de Fluxo de Caixa, Pai Xicão de Passo Fundo, o personagem que criei no blog Bolha Imobiliária, misto de pai de santo com consultor financeiro.


Estes dias no blog Bolha Imobiliária esteve alguém afirmando que a Petrobras não poderia “quebrar” porque tem (o valor pouco importa) “70 bilhões em caixa”.


Uma coisa não tem coisa alguma a ver com outra, inquebrantavelmente.  Não há um nexo lógico imburlável entre ter-se um volume de caixa disponível e marchar-se para uma falência.

Lembremos de algumas minhas máximas:

“Não há capital por maior que seja que resista a uma administração irresponsável.”

Ou também:

“Não há fortuna que resista a uma gestão temarária”.

Ou ainda, muito mais sutil:

“Não há volume de capital que sobreviva a um fluxo de caixa sempre debitante.”


Há condições necessárias, mas também há condições não suficientes.

É evidente que uma empresa sem caixa algum, inclusive em breve realizável por recebíveis ou realização de ativos sendo liquidados, irá à bancarrota. Chega um momento que tal situação é necessária, ou, noutras palavras, chega o momento que o caixa zera.

Mas, por outro lado, mesmo um volume imenso de caixa disponível hoje pode apenas ser isto, e sobre ele, advir ao longo do tempo um ainda maior volume de gastos, que o fulminarão. Ele só está volumoso por se apresentar assim “agora”.


O que indica um popular "quebrar" - associado ao mais jurídico "falir" é o balanço, o fluxo de caixa, o total das titularidades pró e contra a instituição, este caixa enfrentando índices de liquidez, e não quanto alguma empresa possui "em caixa".


Por este argumento, bancos, com maior valor ainda em caixa que qualquer empresa não bancária, pois tem de estoque ativos na forma de depósitos, “sua mercadoria é o dinheiro”, não faliriam. E mesmo assim falem, olhemos a história.


A coisa é muito mais delicada e detalhada que "ter grana" e mesmo "ter recebíveis", e tem de levar em conta o fator tempo - e deste, "fluxos".


Estes fluxos, que desde uma empresa de pequeníssimo porte até as maiores organizações (incluindo estados), enfrenatam o que chamo de “marcha para a inoperacionalidade”.


Entre estas organizações, incluem-se até os estados.

Eu gosto de usar o termo "atolar", para a empresa que simplesmente, torna-se inoperacional em função de num período, ficar sem caixa, sem liquidez.

Explico de maneira simplíssima: há empresas que zeram o seu caixa, possuem enorme estoque e até recebíveis, mas por diversos e/ou variados fatores, ficam impossibilitadas de fazerem compras ou pagar seus serviços, por não possuir crédito suficiente ou liquidez, e com tal situação, “oneram suas demandas”, com diversas estratégias para novamente se capitalizarem ou recuperarem suas linhas de forncimento - leia-se crédito.

Um exemplo que já assisti é enorme valor amarrado em comprar de longo prazo para entrega - importação - causando descapitalização e diversos problemas decorrentes.


E só uso "falida" para aquela situação já juridicamente decidida.


Costumo usar o termo "quebrar" raramente, e prefiro dizer "tropeço", "trancos e barrancos" para quando a coisa vai por vias meio caóticas, erráticas, por "pulsos". Tem-se dinheiro, deixa-se de o ter, e sobre esta flutuação, pouquíssimo controle tem-se.

Chegando ao ponto que pretendíamos...
Sim, a Petrobras não está "quebrada", nem no popular. Mas está enfrentando uma "viscosidade" enorme, e apresentando resultados nos seus balanços com queda de qualidade, e enfrentando uma fuga permanente em seu caixa por dois motivos estampados na imprensa todo dia:


1) Pressão no caixa pelas importações enfrentando freio do governo na inflação de custos que pode produzir se for "senhora" de seus preços, coisa que tem de se tornar, pois não é senhora de seus custos.


2) Necessidades extensivas de investimento, devido à reposição de produção decadente de campos antigos, correlata com a necessidade de investimento na expansão do pré-sal


Somado a isso, é ferramenta arrecadatória, e não pode manobrar de forma alguma devido as necessidades de caixa do governo.


Rodrigo Constantino analisou esta questão com mais profundidade do que eu, apresentando dois interessantíssimos gráficos:



Petrobras: o retrato da destruição - veja.abril.com.br


Onde destaco:

“Colocando ambos em base 100 no começo de 2010, eis o que temos hoje: a Petrobras vale apenas cerca de 20% do que valia em relação ao XLE! Em outras palavras, a estatal brasileira perdeu algo como 80% de seu valor em comparação com uma cesta de empresas americanas do mesmo setor! É ou não é um espanto?” 


Obs.: XLE é o índice de empresas do setor de energia nos Estados Unidos.




Petrobras: o retrato da destruição – segunda parte - veja.abril.com.br


Deste artigo, copio quase sua íntegra, e espero que seja perdoado pelo articulista, dada a gravidade da situação:

“No primeiro ano de gestão da presidente Dilma, a Petrobras tinha um valor de mercado entre 350 e 400 bilhões de reais. Em contrapartida, seu endividamento líquido (descontada a posição em caixa) era de apenas 50 bilhões de reais. Ao longo desses últimos anos, porém, o valor de mercado foi caindo, enquanto a dívida não parava de subir.
A fotografia atual é bem diferente daquela inicial: hoje, a estatal possui um valor de mercado próximo de 200 bilhões de reais, quase a metade do valor em 2010. Por outro lado, a dívida líquida já quase alcança o mesmo valor. A Petrobras vale cada vez menos, e deve cada vez mais. Até quando ela aguenta nessa toada?”



Alguns textos:

Marina Dutra; Apesar das dificuldades financeiras, Petrobras investe R$ 41,7 bilhões -
www.contasabertas.com.br


Petrobras anuncia que ano de 2013 será de novas dificuldades - g1.globo.com


Alguns problemas em paralelo:


Subsea 7 sofre com projeto da Petrobras e culpa dificuldades no Brasil - noticias.r7.com


Alguns diretos:


Problemas de caixa da Petrobras começam a contaminar parceiros - Companhia tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços - economia.ig.com.br


Os problemas de produção:


Queda de produção da Petrobrás preocupa ANP - economia.estadao.com.br

Neste artigo destaco:

“Apesar do sucesso do pré-sal, fontes na Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do governo estão preocupadas com o declínio de produção em campos antigos.”


Sobre o “represamento” de preços:

Ameaça à Petrobrás e ao País -
www.estadao.com.br


Neste, destaco:

“O governo insiste num jogo perigoso ao conter politicamente os preços dos combustíveis para frear o índice de inflação - apenas o índice, porque em algum momento será preciso soltar os preços reprimidos ou pagar muito caro por distorções geradas por essa política. “

Uma observação mais que pertinente: conter custos na esperança de conter inflação é como conter um volume de um rio com uma represa para manter as margens abaixo com menor nível d’água. Pode ser feito temporariamente, mas adiante, não terá como a situação não chegar a um ponto de colapso, e o cenário como um todo piorará, com saltos bruscos dos custos envolvidos e uma deterioração total da confiança, exatamente como uma represa excessivamente mantida em seu represamento chega ao ponto ou de ruptura, ou de abertura emergencial com danos no adiante do fluxo do rio.


Sobre o uso como ferramenta econômica politicamente conduzida:

Petrobrás reforça o caixa -
www.estadao.com.br

Destaco:

“Utilizada politicamente durante os dois mandatos de Lula na Presidência da República, a Petrobrás foi obrigada a assumir empreendimentos e investimentos que não correspondiam a seus interesses empresariais nem aos interesses do País, e não tinham fontes de financiamento asseguradas. O registro, no segundo trimestre do ano passado, do primeiro prejuízo trimestral em 13 anos foi o resultado financeiro mais óbvio do modelo de gestão imposto à empresa pelo PT.


A perda da autossuficiência de petróleo do País e a estagnação da capacidade de refino da empresa, que se viu forçada a importar quantidades crescentes de combustíveis, com grandes perdas financeiras, são outras consequências dessa gestão.


O plano de negócios da Petrobrás para os próximos cinco anos tenta, de algum modo, recuperar a empresa financeira e operacionalmente.“


Mas “a coisa” já vem de tempos:

Dificuldades desaceleram planos ambiciosos da Petrobrás no pré-sal - economia.estadao.com.br


Extra

É sempre citada entre diversos frequentadores do blog Bolha Imobiliária e outros círculos de debates sobre temas econômicos a “ilusão” do crédito. Sobre isso, percebi que as Casas Bahia e outras estão com a maravilhosa técnica de Valor = X ; parcela = X/10; mas o número de parcelas =15.

Ou seja: Soca-se 50% no valor, divide-se por 10, que é fácil da 666 ..., perdão, uma gíria do blog, vítima ler e sapeca-se o infeliz com 15 parcelas!


Quanto é o juros disso para o caso “sem entrada”?


Pai Xicão* e seu velho Cálculo Numérico chega lá, rapidamente: Planilha. 5,5565%. Não é pouco.

O personagem que criei para tal blog.


Um aperto que ganhou o divertido apelido de NABO virá, e será até na forma de uma lavadora tanquinho.


A resposta a isso, taxa devida contra taxa recebida? Comprar á vista após economizar, nada mais simples.